Contos populares sobre raposas mágicas
A figura da raposa desperta grande interesse em muitos. Parte por sua incrível adaptabilidade natural, marcada por sua astúcia, especialmente, em se aproveitar da distração e presença humanas.
Uma versão menor deste livro foi publicada em e-book contendo 4 contos: O capuz verde (Japão), Como um humano enganou duas raposas (Ainu), A vingança da Raposa (China), A irmã raposa e seus três irmãos (Coréia).
No entanto havia o interesse em ampliar essa edição e torna-la física. Por isso a organizadora passou o ano de 2019 pesquisando contos populares para que pudesse trazer mais antigas histórias fantásticas ao alcance do público.
Mas por que raposas?
Nas fábulas de La Fontaine ou nos contos maravilhosos ocidentais, os animais podem até falar ou apresentar algumas qualidades humanas, mas no oriente, isso é um pouco diferente.
De uma forma geral, muitas culturas orientais apresentam aspectos animistas na base de suas crenças. E isso, leva aos animais adquirirem aspectos humanos, por vezes, de forma mágica ou por uma habilidade inerente e misteriosa das criaturas da natureza. E quando digo “aspectos humanos” eu me refiro inclusive, a sua forma.
No Japão, temos a popular imagem da kitsune (狐a palavra japonesa que designa a raposa vermelha), figura popular no Japão desde o século XI, tendo sobre ela histórias registradas no compêndio de narrativas Konjaku Monogatari, a kitsune foi, por muitas vezes, culpada pelo desvio que os homens fizeram de casa, por perdas de objetos e entre tantas outras peripécias, havendo assim muitas e muitas histórias sobre ela. Algumas podem ser más, visando apenas um farto jantar, mas também existem aquelas que são capazes de demonstrar gratidão e afeto. Assim como as pessoas.
Outra cultura que tem uma ligação forte com a raposa – em partes por sua crença – são os Ainu, povo autóctone da região norte do Japão, Hokkaido. Existem duas raposas que aparecem em suas histórias, a poderosa raposa negra Shitunpe (significando: “coisa que existe na cordilheira”) e a danadinha raposa vermelha Chirounpe (que na linguagem ainu significa “coisa que nós matamos”). Enquanto a primeira é rara e tem uma posição de destaque e certa altivez, a segunda, mais comum, é geralmente um problema para esse povo que vive especialmente da pesca (daí o nome não muito simpático que usaram para se referir a ela). Então, a quantidade de histórias envolvendo a raposa vermelha é considerável, e aqui ela apresenta o mesmo aspecto mágico: a mudança de forma. Mas apesar da relação conflituosa, a cultura ainu considera todos os animais e seres sagrados e é comum devotarem oferendas a eles.
Também na China existem vários contos sobre raposa, ao qual se referem como Huli Jing, onde huli significa “raposa” e jing “essência”. Acredita-se que a Huli Jing seja uma criatura de energia yin que consome energia yang. Através do sexo, ela é capaz de se alimentar da energia humana, e por isso, popularmente “Huli Jing” é uma expressão para se referir a uma pessoa (geralmente mulher) de grande beleza, sedutora e com algum quê de libidinosa. Mas há também outros termos, como: Laohu (raposa anciã) refere-se a raposas de longa vida. As raposas descritas como Huxian (狐仙) são aquelas que são transcendentes ou imortais. Jiuwei hu (九尾狐) refere-se a uma raposa de nove caudas. Assim como se espera da “natureza da raposa”, ela tem comportamento malicioso e esperto, gostando de enganar os seres humanos, porém, algumas vezes elas podem ajuda-los: curar os que buscam a vingança, recompensar os adoradores com riqueza ou fornecer orientação sábia.
Mas existe uma raposa que realmente apresenta o aspecto de crueldade. Na Coreia, uma linda mulher pode também ser a terrível gumiho, uma raposa de nove caudas. Os contos antigos indicam que por vezes poderia haver colaboração harmoniosa com os humanos, porém nos tempos modernos a gumiho é conhecida por ser uma criatura sanguinária e maligna que come fígados ou corações humanos. A gumiho engana pessoas desavisadas para consumir seus corações assumindo a forma de um ser humano. Também, existem histórias que afirmam que para que elas consigam ser humanas para sempre, precisam comer 1000 fígados humanos.
Claro, existem outras apresentações para as raposas em outras culturas orientais. No entanto neste pequeno livro eu reuni apenas as histórias típicas onde a raposa é um animal maravilhoso com habilidades de se metamorfose ou possessão.
O Livro
O livro será feito utilizando a técnica de encadernação artesanal com uma costura típica dos livros orientais, onde a mais difundida é a japonesa que utiliza 4 furos. Capa colorida e miolo em papel pólen bold90g.
Contos presentes neste livro:
. Fogo de Raposa (China)
. As raposas falantes prateadas (China)
. A irmã raposa e seus três irmãos (Coréia)
. Uma história sobre a raposa (Coréia)
. O casamento da raposa (Japão)
. Tamamo-no-mae, a dama raposa (Japão)
. A noiva amaldiçoada (Ainu)
. O amuleto roubado (Ainu)
A previsão de lançamento do livro é Agosto de 2020, em conjunto com o Livro Irui kon’in no mukashi banashi: contos tradicionais japoneses sobre casamentos fantásticos.
A meta e as recompensas
Pretendemos com este projeto atingir a meta de R$3.200 para custear, além das impressões dos livros do apoiadores, as ilustrações exclusivas dos marcadores e também as novas traduções (Nesta edição, são todas traduções novas com exceção do conto “A irmã raposa e seus três irmãos”), além disso, para a produção artesanal, precisaremos adquirir alguns equipamentos específicos de encadernação capazes de atender à demanda.
Serão desenvolvidas 4 artes originais de raposas baseadas nas culturas ainu, japonesa, chinesa e coreana, que irão ilustrar 4 marcadores de páginas exclusivos. Veja um pequeno vídeo de uma das ilustrações sendo desenvolvida:
Veja as recompensas:
Livro impresso
Livro impresso + 4 marcadores exclusivos + E-book (primeira edição). As artes dos marcadores serão desenvolvidas especialmente para o projeto.
Livro impresso + 4 marcadores exclusivos + E-book (primeira edição) + rifa de arte original. A arte original está em papel canson e é feita com técnica mista.
Metas Estendidas!
Nós já conseguimos alcançar os 100% do projeto por isso, vamos estudando melhorias para que TODOS os apoiadores (os que já apoiaram e os que ainda irão apoiar) sejam beneficiados com um livro e uma recompensa ainda melhor!
115% - Adição do conto "Kuzunoha" (Japão)
125% - Marcadores ilustrados metalizados (nas recompensas que contém marcadores)
170% - Inserção de mais 3 contos:
* A Vingança da Raposa (China, já publicado no e-book)
* O vendedor de sal e a raposa branca (Coréia)
* A raposa de nove caudas (Vietnã)
300% - O livro ganhará um terço a mais de páginas, incluindo páginas coloridas em papel especial. Marcador que acompanhará todos os livros. Inserção de mais 4 contos (incluindo contos do Konjaku monogatari e o considerado primeiro conto sobre kitsune, Além do conto de Pu Songling sobre o amor de um estudioso por um jovem com espírito de raposa)
* Venha e Durma (Japão)
* A história do jovem samurai que salvou a alma da raposa (Japão)
* A bola preciosa da raposa (Japão)
* Huang Jiulang, o amante raposa (China)
320% - Adesivo com estampa do jogo "Zenji no Uta - songs of healing" desenvolvido pela equipe Oh, for fox sake durante a Global Game Jam 2020, para TODOS os apoiadores.
500% - Serão produzidas 4 amigurumis: a raposa vermelha, a raposa prateada, a raposa dourada e a raposa cinzenta (todas com 9 caudas, exceto a cinzenta) que serão sorteadas entre os apoiadores de todas as recompensas!
Como apoiar?
O Catarse é uma plataforma de financiamento coletivo. Essa página é uma parceria entre a Editora Urso e a plataforma. O processo é muito simples, você apoia o projeto e ajuda-o a existir no mundo!
Em troca, nós pensamos em várias recompensas interessantes, desde o livro em si, até mimos como bolsas, marcadores especiais, entre outras coisas! Você pode escolher de acordo com o seu gosto e também a forma de pagamento (se boleto ou cartão).
Para ver as opções, basta olhar os cards ao lado e escolher o seu >>>>
ou acessar a aba "recompensas".
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A organização e tradução
Lua Bueno Cyríaco é formada em Artes Visuais e graduanda em letras japonês pela UFPR, se dedica a pesquisar especialmente sobre a cultura ainu. Artista gráfica, ilustradora e editora da BuruRu e Urso, diretora de arte da revista virtual Tudo éX Texto. Tem a publicação da tradução de poemas clássicos japoneses Jûsan'nin Isshû - treze poemas do Ogura Hyakunin Isshû, traduzido por Vladine Barros, o livro Horror Oriental e do mais recente Irui Kon'in sob sua tutela editorial, todos apoiados através do Catarse.
A Urso
A Editora Urso (que é a irmã mais velha da Editora BuruRu) é uma empresa incubada pela Laboralivros, que oferece seus recursos de serviços editoriais para que nossas publicações se tornem realidade! A Editora Urso tem como proposta a publicação e divulgação de trabalhos voltados às áreas artísticas e demais ramificações das ciências humanas. Dentro desse espectro, realizamos publicações de traduções, poesia, ensaios, teses e dissertações com propostas culturais e estéticas a fim de auxiliar na divulgação destes trabalhos.








