Como contar histórias reais em quadrinhos?
Há mais de dez anos, venho tentando responder a essa pergunta desenhando reportagens. Nesse tempo, entrevistei mulheres em situação de rua na Cracolândia, entrei em prisões, acompanhei uma Parada LGBT+, ouvi mulheres imaginarem uma cidade feita para elas e transformei em quadrinhos histórias sobre drogas, redução de danos, racismo, política, gênero e direitos humanos.
Agora, nove dessas reportagens serão reunidas pela primeira vez em HQ-Repórter: Reportagens em quadrinhos de Carol Ito, um livro de 128 páginas, totalmente colorido, que será publicado de forma independente com a ajuda de quem apoiar esta campanha.
A ideia é reunir trabalhos importantes da minha trajetória e, ao mesmo tempo, registrar parte da história recente do jornalismo em quadrinhos na imprensa brasileira.
Jornalismo para ler, ver e sentir
O jornalismo em quadrinhos combina as ferramentas da reportagem com os recursos das narrativas gráficas.
Entrevista, pesquisa, observação, checagem e apuração continuam sendo fundamentais. Mas entram em cena também desenho, cor, enquadramento, sequência e composição.
Essa combinação permite contar histórias complexas de uma maneira ao mesmo tempo rigorosa e afetiva.
Ao longo da última década, usei essa linguagem principalmente para me aproximar de histórias e pessoas que muitas vezes aparecem na imprensa apenas como números, estatísticas ou personagens de passagem.
Desenhar uma reportagem exige tempo. É preciso estar presente, conversar, observar, anotar, fotografar, gravar, apurar e depois transformar tudo isso em roteiro e desenho.
HQ-Repórter nasce do desejo de preservar e reunir esse trabalho em papel, além de contar os bastidores por trás das reportagens.
Nove reportagens, muitas histórias
O livro reúne nove trabalhos realizados em diferentes momentos da minha trajetória:
Mulheres da Craco
Prisões de dentro
Três mulheres da Craco
Nada será como antes
Kit Drogas: Redução de danos na mira da extrema direita
Perigo amarelo
Quebrando aquários
Parada LGBT+ 2016
A cidade ideal das mulheres
São reportagens sobre pessoas e contextos muito diferentes, mas atravessadas por questões que acompanham meu trabalho: direitos humanos, gênero, desigualdade, violência, política, liberdade e formas de existir à margem das narrativas mais convencionais da imprensa.
Entre elas está “Três mulheres da Craco”, publicada originalmente pela revista Piauí e vencedora do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria Arte, em 2022.
Por que reunir essas histórias agora?
Parte dessas reportagens nasceu para revistas, sites e outras publicações jornalísticas. Algumas circularam muito quando foram publicadas; outras hoje são difíceis de encontrar.
Reuni-las em livro é uma forma de dar permanência a trabalhos que nasceram ligados ao tempo imediato do jornalismo.
Mas há outra razão.
Quando comecei a trabalhar com reportagem em quadrinhos, em 2014, a linguagem ainda ocupava um espaço bastante restrito na imprensa brasileira. De lá para cá, foram muitos experimentos, erros, descobertas e reportagens publicadas em diferentes formatos.
HQ-Repórter também é um registro desse percurso.
O que me interessa é investigar o que acontece quando as ferramentas do jornalismo encontram as possibilidades narrativas dos quadrinhos.
Como representar uma entrevista? O que o desenho consegue mostrar que uma fotografia não mostra? Como reconstruir uma memória? Como colocar a repórter dentro da história sem fazer dela a protagonista? E como falar de pessoas não podem ser identificadas?
Este livro reúne algumas das respostas que encontrei ao longo desses anos e também muitas perguntas que continuam abertas.
Como será o livro?
HQ-Repórter será uma edição independente, produzida especialmente para esta campanha.
128 páginas
16 × 23 cm
Totalmente colorido
Capa brochura
Papel pólen
O projeto gráfico está sendo desenvolvido pelo Estúdio Inko Criativo.
O livro também contará com prefácio da jornalista Juliana Sayuri (UOL) e posfácio de Augusto Paim, HQ-repórter e autor do livro Pequeno manual da reportagem em quadrinhos.
Quem é Carol Ito?
Sou jornalista, quadrinista e ilustradora e trabalho com histórias em quadrinhos desde 2014.
Ao longo desse período, publiquei reportagens e quadrinhos em veículos como Piauí, Folha de S. Paulo, Agência Pública, Trip, Tpm, Revista O Grito e outros veículos da imprensa brasileira.
Em 2022, recebi o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria Arte, pela reportagem em quadrinhos “Três mulheres da Craco”. No mesmo ano, fui incluída na lista Forbes Under 30 Brasil.
Também sou autora dos livros “Inteiro pesa mais do que metade”, “Siriricas Tristes e outras (in)felicidades” e “Boy Dodóy” (coeditora e artista).
Depois de mais de dez anos fazendo jornalismo em quadrinhos, quero transformar parte dessa trajetória em um livro que possa continuar circulando por muito mais tempo.
Para onde vai o dinheiro?
HQ-Repórter é uma publicação independente, e a campanha vai financiar as etapas necessárias para transformar as reportagens em livro e fazer as recompensas chegarem até os apoiadores.
A meta é arrecadar R$ 17 mil, distribuídos da seguinte forma:
Ao apoiar a campanha, você não está apenas comprando um livro antecipadamente. Está ajudando a financiar toda a cadeia necessária para que uma edição independente seja produzida e chegue às mãos de quem tornou sua publicação possível.
O que você pode receber
Além do HQ-Repórter, preparei recompensas relacionadas ao meu trabalho e ao universo do livro.
Dependendo da faixa de apoio, será possível receber:
Livro físico autografado
Versão digital em PDF
Frete grátis
Cartela de adesivo exclusiva
Bandanas empoderadas
Oficina on-line de jornalismo em quadrinhos
Confira as recompensas da campanha e escolha a que fizer mais sentido para você.
Quando o livro fica pronto?
A campanha começa em 4 de setembro e fica no ar durante dois meses.
Com a campanha financiada, em novembro o livro segue para impressão.
E existe uma data especial no horizonte: quero lançar HQ-Repórter na CCXP 2026, em dezembro.
Depois disso, começa o processo de preparação e envio das recompensas aos apoiadores.
Se a gente ultrapassar a meta?
Se a campanha passar da meta inicial de R$ 17 mil, o apoio extra será usado para ampliar o projeto e oferecer ainda mais conteúdo sobre o processo de fazer jornalismo em quadrinhos.
Meta 2: R$ 25 mil — Oficina Minha vida daria um quadrinho
Batendo R$ 25 mil, todos os apoiadores serão convidados para uma oficina de quadrinhos autobiográficos, com referências, técnicas de roteiro e desenho.Meta 3: R$ 30 mil — Oficina de tirinhas para internet
Se chegarmos a R$ 30 mil, todos os apoiadores serão convidados para uma oficina de tirinhas para internet, em que vou compartilhar experiências de mais de 10 anos publicando online e propor atividades práticas.



















