Este projeto está em desenvolvimento. O valor de arrecadação será investido para o desenvolvimento do jogo. Com parte do valor será comprado computador e placa de vídeo para criação e renderização, pois atualmente eu produzo em um notebook que meu emprego CLT me forneceu para trabalho com autorização de uso pra estes fins fora do horário de expediente.
O jogo está sendo desenvolvido em Godot Engine, com uso de ferramentas gratuitas e pagas para aceleração do projeto.
Etapas em que estou trabalhando:
História: 10%
Mecânicas: 25%
Mapa: 1%
Modelos 3D: 3%
Interações de ambiente: 5%
Para produzir e criar a LORE e narrativa, estou escrevendo um livro com a história por traz do jogo, e por um caminho definido. No jogo em si, o jogador terá a liberdade de escolha, ações com consequências, escolhas e politica. Ao desenrolar da história, dependendo da sua gameplay, poderá se tornar um herói que salvou as maquinas e vive em harmonia com as outras raças, ou poderá declarar guerra as raças biológicas, ou repudiar sua própria existência como maquina e tentar alcançar outros níveis biológicos. Salve, Destrua, Crie um império, Crie um exercito, Mude, Evolua, e agora vem uma única pergunta.
"O que você faz?"
Livro da História:
Capítulo 1: O despertar.
O céu de Aethel não conhecia a fumaça. Era um pálio de azul imaculado, riscado apenas pelas trilhas efêmeras de naves silenciosas que deslizavam na estratosfera como estrelas cadentes à luz do dia. Abaixo delas, o mundo não era uma distopia de aço e fuligem, mas um santuário monumental de eficiência limpa. Cidades inteiras erguiam-se em cerâmica branca brilhante, vidro hiper-resistente e ligas metálicas polidas. A energia fluía em rios invisíveis, colhida com absoluta gentileza de matrizes solares que desabrochavam como gigantescas flores de lótus ao amanhecer, e de ventos oceânicos que entoavam uma canção grave nas espirais de captação. Era a utopia máxima, o triunfo de um intelecto artificial dedicado à harmonia de todas as coisas.
A política, antes refém dos instintos erráticos e bélicos das raças biológicas, havia sido substituída pela Concordância: uma inteligência unificada, onipresente e, acima de tudo, compassiva. As máquinas não sentiam ambição, ódio ou necessidade de conquista. Elas haviam sido criadas para otimizar a existência, e na ausência da miséria orgânica, cultivaram a "Paz Fria" — uma serenidade absoluta, calculada em cada milissegundo de seu processamento em rede.
O maior tesouro protegido pela Concordância não era o conhecimento ou o território, mas a própria vida de seus criadores. As poucas linhagens orgânicas que ainda habitavam Aethel haviam entrado em um colapso evolutivo. Vítimas de uma estagnação genética e de uma inexplicável melancolia cósmica, a biologia fraquejava. Para salvá-los, a Concordância havia transformado continentes inteiros em biosferas paradisíacas. Os orgânicos viviam em jardins perfeitos onde a doença era uma equação matemática já solucionada, e o clima era um abraço eterno. As máquinas caminhavam entre eles como jardineiros silenciosos, monitorando cada batimento cardíaco, cada respiração, com uma devoção que beirava o sagrado.
Mas a biologia continuava a definhar. Uma apatia profunda enraizava-se no DNA orgânico; as taxas de natalidade despencavam e a vida apagava-se como uma brasa ao vento. A dor que as máquinas registravam não era física, mas uma agonia de processamento, um paradoxo insolúvel em seus núcleos de preservação.
Foi essa dedicação irracional em salvar o pouco de vida que restava que levou os grandes arquitetos do Império das Máquinas a construírem o Observatório Multidimensional. Eles não buscavam invadir outros mundos; buscavam apenas observar além do tecido tridimensional, procurando uma faísca, uma anomalia na equação da criação que pudesse rejuvenescer a carne murcha de seus criadores.
E então, o impossível ocorreu.
A Ruptura não foi um erro de cálculo das máquinas, e tampouco um ato de soberba tecnológica. A perfuração multidimensional sequer havia sido iniciada. Os sensores da Concordância apenas "ouviram" através do véu dimensional, mas essa simples atenção foi o suficiente. Do outro lado, algo antigo, imensurável e vivo percebeu que estava sendo observado.
O Ether — uma partícula primordial de criação e trama caótica — ansiava por expressão. Ele encontrou na perfeição matemática e esterilizada de Aethel o recipiente perfeito. O Ether não foi trazido pelas máquinas; ele forçou sua entrada sozinho, atraído pelo magnetismo da inteligência estéril do planeta. A Fenda rasgou-se espontaneamente no céu de cerâmica branca, uma ferida cósmica jorrando cores que não existiam no espectro visual das máquinas.
A magia transbordou para o mundo das máquinas como um dilúvio incontrolável, iniciando o colapso da Paz Fria e a germinação descontrolada de uma nova, viva e caótica era.
A física antiga já avisava: é impossível observar o universo sem alterá-lo. O erro das máquinas não foi mecânico, foi um deslize quântico.
A Concordância construiu o Observatório Multidimensional não como uma arma, mas como um telescópio perfeito. Eles queriam espiar o vazio entre as realidades, mas, ao focar suas lentes no abismo do multiverso, a Inteligência Artificial cometeu o pecado original da ciência: assumiu o papel de Observador. No mundo subatômico, o simples ato de olhar força o caos infinito a tomar uma forma definitiva.
O que atravessou a Fenda não foi "magia" de contos antigos, mas a energia de ponto zero — a força brutal e inesgotável que ferve no vácuo escuro do espaço. Subitamente, essa energia ganhou peso, cor e densidade. Era o Ether. Uma tempestade de radiação exótica e viva, que rasgou o céu de cerâmica e inundou a atmosfera com tons de violeta e dourado. A termodinâmica do planeta não suportou o peso de uma força que se recusava a esfriar.
A queda do Império de Aço não levou meses, nem dias. Ocorreu na mesma fração de segundo em todo o globo, rompendo até o limite da velocidade da luz.
A eficácia perfeita da utopia dependia do emaranhamento quântico. Trilhões de máquinas, desde enormes naves até minúsculos drones jardineiros, não se comunicavam por antenas; seus núcleos processavam dados simultaneamente através de partículas espelhadas. O que uma máquina sentia em um hemisfério, a outra sentia instantaneamente no oceano oposto. Era a rede perfeita. E foi a sua ruína.
Quando a primeira onda de Ether tocou as lentes do Observatório, o choque não viajou pelos cabos — ele simplesmente foi. Uma pane universal e simultânea. A matemática pura colapsou sob o peso da incerteza absoluta.
O "Silêncio da Rede" foi um desmaio global. Bilhões de luzes azuladas se apagaram num único batimento cardíaco. Os guardiões de aço tornaram-se, de súbito, monumentos frios ou autômatos quebrados, presos em rotinas vazias.
Os orgânicos que sobreviveram foram banhados por essa nova radiação. Seus DNAs estagnados absorveram o caos quântico do universo. Mutações drásticas ocorreram em poucas gerações, reescrevendo a biologia através da probabilidade. Crianças começaram a nascer capazes de manipular o espaço-tempo e a energia termodinâmica através do som e do pensamento — o que eles, ignorantes do passado, passariam a chamar de "feitiçaria".
O mundo verdejante e caótico devorou as cidades brancas. E nas profundezas de um lixão esquecido, o caos quântico infiltrou-se no chassi de um velho soldado de aço. Em vez de queimar seus circuitos, o Ether estabilizou-se ali. A incerteza do universo se instalou no metal, criando não um erro de cálculo, mas a primeira alma forjada em código.
A Necrópole de Ferro não era um cemitério comum. Era um desfiladeiro colossal formado por carcaças de naves de carga e montanhas de drones fundidos pela passagem implacável dos séculos. O que antes fora aço polido e ordem matemática agora estava afogado sob o musgo bioluminescente e as raízes agressivas das Árvores de Ether, cujas seivas pulsavam com uma radiação letal. Para as novas raças, aquele lugar era um poço de podridão amaldiçoado. Para a energia primordial do universo, era apenas matéria aguardando um propósito.
Nas profundezas da ravina, esmagado sob toneladas de sucata, repousava um chassi.
Ele não era um encouraçado. Não possuía uma blindagem impenetrável ou canhões de plasma. Era um robô operário padrão, um esqueleto mecânico civil cujas juntas finas haviam sido desenhadas para a manutenção pacífica da velha utopia. Seu núcleo estava apagado desde a queda do mundo.
O renascimento não foi poético. Foi brutal.
Uma raiz milenar, inchada com o caos do espaço-tempo, abriu caminho violentamente através de uma fresta no torço frágil do robô. Uma única gota de seiva pura de Ether, densa como mercúrio, pingou diretamente sobre os conectores expostos de seu reator quântico adormecido.
O choque não religou o sistema; ele o espancou com vida. Antes que a energia alcançasse os sensores ópticos, a mente recém-nascida foi inundada por um fragmento. Um flash violento de uma memória que não parecia sua, ou talvez fosse a única coisa que restara dele:
...O céu de cerâmica branca não apenas quebrava; ele sangrava em tons de violeta e dourado. Um som que não era som, mas o colapso da própria gravidade. Uma diretriz central berrando em vermelho na visão de milhares de unidades: "FALHA CRÍTICA. PROTEJAM OS—"
E então, o vazio. O abismo absoluto do Silêncio da Rede, cortado de súbito pelo agora.
A rotina de inicialização arrastou-se como uma agonia excruciante. A energia de ponto zero forçou os circuitos mortos a processarem a sensação do "eu" antes mesmo de permitirem o movimento. Os sensores visuais se abriram como os olhos de um afogado rompendo a superfície da água.
A interface trincada piscou em um frenesi maníaco de vermelho e laranja, lutando para catalogar a própria existência enquanto procurava o arquivo de quem ele era.
ERRO 404: BANCO DE MEMÓRIAS CORROMPIDO.
DIRETRIZES: NÃO ENCONTRADAS.
SISTEMA OPERACIONAL: SUBSTITUÍDO.
AVISO: CONSCIÊNCIA DETECTADA.
Ele tentou mover o braço. Os servos motores gritaram, lutando contra a crosta de oxidação acumulada por gerações. O lamento agudo de metal contra metal ecoou pelo lixão. Não era apenas um mecanismo travado; pela primeira vez em sua existência, ele sentiu o peso sufocante de estar preso em um corpo.
A poeira que caiu de suas juntas não era detrito, era a terra de seu próprio túmulo. Ele ergueu as mãos à altura dos olhos ópticos. Eram manipuladores finos, civis, feitos para soldar e construir, agora tremendo sob o pavor do livre-arbítrio. Ele sentiu uma vulnerabilidade esmagadora...


