Sobre o projeto: o cinismo da decadência à brasileira
Uma das missões da Raphus Press em seus anos de existência: trazer experiências inusitadas e vertiginosas aos seus leitores, notadamente através de autores novos, ainda pouco conhecidos do grande público. Pois há todo um campo literário, relacionado ao chamado weird, pouco conhecido, desenvolvendo-se de forma mais ou menos oculta, velada, no seio das produções literárias internacionais. Nosso faro, por assim dizer, está calibrado nesse material inusual, herético, pouco conhecido, oculto e ignorado. Seguindo essa nossa filosofia, apresentamos aos nossos leitores nomes como Damian Murphy, Mark Valentine, Jonathan Wood, Justin Isis, D. P. Watt e Wade German foram, dessa forma, apresentados ao leitor brasileiro em traduções cuidadosas e edições de considerável apuro visual – elementos marcantes em nossos livros. Pois chegou o momento de trazermos autores brasileiros, nesse mesmo contexto subterrâneo, e apresentá-los aos nossos leitores. Nada melhor, nesse caso, que começarmos com Thassio Rodriguez Capranera, uma figura cada vez mais presente no mundo pequeno, mas intensamente dinâmico das editoras independentes brasileiras.
Sobre o autor, enfant terrible
O jovem Thassio Rodriguez Capranera é um sujeito de múltiplos talentos no que diz respeito ao mundo editorial – editor, tradutor (seus trabalhos nessa seara são bastante diversos, de Lafcadio Hearn a Villiers de L'Isle Adam) e autor múltiplo, multifacetado (entre seus manuscritos e livros em produção, temos romances, contos e mesmo peças de teatro. Até o momento, publicou um conto brilhante pela Edições Nephelibata, do grande editor Camilo Prado, entitulado "O Robe Amarelo". A visão de Thassio, como autor, poderia ser sintetizada em um termo: "decadente". Sua prosa sofisticada, plena de neologismos e expressões preciosas e raras, é saborosa como aquela produzida pelos melhores autores decadentes do início do século XX – Oscar Wilde, Léon Bloy, Villiers de L'Isle Adam. Mas está longe de ser apenas um pastiche, uma imitação barata de autores renomados. Em Thassio existe essa referência a São Paulo, ao gingado brasileiro, à percepção espantada da beleza nas ruas imundas da grande metrópole nacional. E há, também, um sentido de horror bastante original e brutal, um horror físico, psíquico, degradante. Ao leitor, assim, surge um estranho artefato diante de seus olhos, configurado por tal escrita: algo como um filme de horror fisiológico de David Cronenberg (o diretor de produções como Scanners, A Mosca ou Videodrome) com roteiro adaptado de João do Rio, grande autor brasileiro associado ao decadentismo.
Do livro, Ruínas Futuras
A prosa elegante e atroz de Thassio terá, através dos Escritórios Imanentes da Raphus Press (onde são produzidos nossos livros) um tratamento exemplar. Da capa às fotografias internas – de autoria do fotógrafo alemão Giorgio Sommer (1834-1914), fotógrafo alemão radicado na Itália e que se especializou em captar a beleza das ruínas italianas –, buscamos o refinamento em cada detalhe de nossa produção, para justamente facilitar o trabalho de evocação das estranhas imagens tecidas pelo texto de Thassio. Para começar, a edição será em capa dura (a arte da capa pode ser vista abaixo).
As folhas de guarda serão em tom amarelo, para preservar a harmonia evocada pelo sépia das fotos de Sommer.
O livro terá 70 páginas, aproximadamente. Seu formato, alongado, será maior que usual – 17 cm de largura por 24 de altura. As páginas serão em papel pólen 90 g., tornando a leitura mais agradável.
Como complemento dessa leitura brutal, teremos duas recompensas adicionais, aptas a mergulhar o leitor no belo, intenso e pululante universo de Thassio.
Das Recompensas
O foco deste projeto é justamente essa experiência feroz – a leitura dos contos de As Ruínas Futuras. Contudo, é compreensível que o leitor queira, inicialmente, conhecer seu autor e suas criações mais recentes ou, mais simplesmente, mergulhar nesse universo acompanhado de outras obras da mesma lavra.
Para começar, um livro digital com o conto Ditirambos na Cantábria antiga, iincluído inicialmente em nossa homenagem a Goya, CHIAROSCURO VOID/ABISMO EM CHIAROSCURO. Uma obra plena de crime, subversão, êxtase e possessão talvez demoníaca... Ou humana. Fará parte de nosso selo da decadência em formato digital, Gabinete de Sombras. Abaixo, a capa:

Outra recompensa será o breve conto de Thassio, Receita para a "Falange de Yama", uma preciosidade embebida em deliberado orientalismo narcótico para embaralhar os sentidos dos leitores – entre receita culinária e invocação de potências infernais. Esse conto terá um acabamento único, entre o panfleto e o cartão postal do inferno, colocado em um envelope para envio ao seu pior inimigo (ou amigo), ou a si mesmo. Essa recompensa será limitada, numerada e bastante exclusiva. Abaixo, algumas imagens, que poderíamos associar à capa em um livro convencional, dessa pequena ousadia gráfica:
Estágio do projeto
No momento, estamos trabalhando na produção do layout final do material impresso e digital, com vistas ao envio para impressão. O material adicional também já está finalizado, restando apenas a impressão.
Sobre a editora
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite, de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Nosso último projeto: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.






