Sejam bem-vindas e bem-vindos ao novo projeto da Editora Ex Machina: a maior reunião de sagas islandesas já publicada no Brasil, traduzidas diretamente do nórdico antigo e ricamente anotadas por Théo de Borba Moosburger, com edição de Bruno Costa e Rodrigo Kmiecik, e arte de Filipe Florence.
As sagas islandesas são um grupo de textos escritos em prosa na Islândia durante a Idade Média, mais precisamente durante os séculos XII, XIII e XIV. A Islândia foi colonizada por povos escandinavos, vindos principalmente da atual Noruega, a partir da segunda metade do século IX. Por volta do ano 1000, a Islândia aderiu oficialmente ao cristianismo e, em alguns séculos, uma cultura letrada se desenvolveu na ilha. O uso do alfabeto latino na escrita islandesa medieval possibilitou o desenvolvimento de uma vasta literatura em vernáculo, na qual floresceram, entre outros textos, as sagas.
As sagas islandesas constituem um gênero literário à parte e são bastante diversas entre si: há sagas sobre famílias que colonizaram a Islândia, sobre foras-da-lei famosos, sobre reis, bispos e santos, sobre heróis de um passado mítico, entre outros temas. Todas elas foram escritas em prosa, mas muitas trazem também poemas incorporados às narrativas.
Dentre os diversos tipos de sagas estão as sagas lendárias, ou “histórias dos tempos antigos das terras do norte” (fornaldarsögur norðurlanda). Essas sagas são fruto de compilações e reelaborações de antigas lendas nórdicas, ou, em alguns casos, criações ficcionais propriamente ditas (como romances) numa ambientação lendária. Muitos desses textos possuem um tênue fundo histórico, e neles deparamo-nos com a memória longínqua de reis e rainhas anteriores à Era Viking. Mas essas narrativas também são repletas de deuses e seres mitológicos, magos e feiticeiras, gigantes, anões e elfos, serpentes gigantes, espadas mágicas e guerreiros e guerreiras de força e coragem sobre-humanas.
Sagas Lendárias Islandesas apresenta ao leitor brasileiro quatro das mais importantes sagas lendárias escritas na Islândia medieval. Escritas nos séculos XIII e XIV, essas narrativas evocam os reinos da Antiguidade Tardia e da Era Viking, em tom épico ou aventuresco, rememorando e imaginando lendas e personagens de séculos anteriores.
Saga dos Volsungos
Redigida no século XIII, narra a história da linhagem dos Völsungar (os descendentes de Völsungr), mesclando elementos mitológicos e históricos. Inicialmente, apresenta um universo mágico com deuses e seres sobrenaturais, enquanto na segunda parte aproxima-se de um contexto mais humano e histórico, refletindo eventos das migrações germânicas e do período de Átila. Baseada em poemas heroicos e relatos orais, a saga organiza e conecta essas narrativas, resultando em uma obra literária que não deixa de ser também autoral, e que preserva memórias mitificadas ao longo dos séculos. Nova tradução de Théo de Borba Moosburger, totalmente revista e ampliada em sua anotação.
Saga de Ragnarr Loðbrók e seus filhos
Provavelmente escrita no século XIII, narra a trajetória lendária do rei e pirata Ragnarr Loðbrók, cujo nome é mencionado em fontes históricas, mas cuja saga é majoritariamente ficcional. Relata suas façanhas, como a morte de uma serpente gigante, seus casamentos com Þóra e Kráka (Áslaug, filha de Sigurðr e Brynhildr), e as expedições de seus filhos pela Europa, liderados por Ívarr. O clímax ocorre com a morte de Ragnarr na Nortúmbria e a vingança brutal de seus filhos contra o rei Ella. Inédita em português.
Saga de Hrólfr Kraki e seus campeões
Provavelmente composta no século XIII, reimagina antigas tradições heroicas escandinavas e compartilha raízes com o épico anglo-saxão Beowulf. Estruturalmente, a saga é um mosaico de þættir (contos independentes) organizados em torno do rei Hrólfr. Destacam-se as caracterizações de povos germânicos da Antiguidade Tardia, além de elementos de aventura e sobrenaturais. O texto remonta a fontes orais e ao poema perdido Bjarkamál, evocando reminiscências de aspectos culturais pré-cristãos. Inédita em português.
Saga de Hervör e Heiðrekr
Provavelmente composta no século XIII, gira em torno da espada Tyrfingr, amaldiçoada e passada entre gerações de reis guerreiros. Após ser enterrada com o berserkr Angantýr, sua filha Hervör, uma donzela guerreira, desafia seu destino e a recupera do túmulo do pai. A espada segue para Heiðrekr, que se torna rei dos godos, e assim por diante, numa sucessão de tragédias a quem os empunhadores da espada estão fadados. A saga, por sua estrutura fragmentária e provável pouca intervenção autoral, preserva antigos poemas heroicos dos tempos pré-cristãos, como o Despertar de Angantýr e as charadas de Gestumblindi (o deus Óðinn disfarçado). Inédita em português.

Esta edição foi agraciada com o apoio do Miðstöð íslenskra bókmennta (Icelandic Literature Center), sendo uma de apenas duas editoras a qual o subsídio foi concedido em 2023.
As metas estendidas visam expandir o conteúdo do livro e incluir extras que enriquecerão a experiência de leitura dos apoiadores, além de enobrecer o acabamento da edição.
110% | Guia de Pronúncia do Nórdico Antigo
Com esse guia, você aprenderá de forma prática e simples a pronunciar corretamente as palavras islandesas constantes das sagas. Além disso, criaremos um arquivo de áudio com exemplos de pronúncia gravados pelo tradutor e professor de nórdico antigo Théo de Borba Moosburger. E com uma surpresa extra!
130% | inclusão do Conto dos filhos de Ragnarr
Além da saga de Ragnarr, possuímos também um texto breve, o Conto dos filhos de Ragnarr, que igualmente narra a história do rei Ragnarr e seus filhos: trata-se de um þáttr, “conto”, que parece derivar da narrativa de uma versão perdida da Saga de Ragnarr, e diverge em vários pontos do que lemos na saga de Ragnarr já inclusa em nossa edição; no conto, por exemplo, é notável o forte antagonismo entre Ragnarr e seus filhos. Inédita em português.
150% | inclusão da Saga de Þorsteinn Víkingsson
Provavelmente escrita no século XIV, a história acompanha as aventuras de Víkingr e seu filho Þorsteinn, com um enredo bem elaborado e técnicas narrativas inovadoras: mais do que uma crônica do passado lendário e registro de tradições e genealogias, trata-se de uma grande história de aventura. O texto possui um ritmo diferente da maioria das sagas, dedicando maior espaço a algumas descrições, e com uma peculiar interrupção da linearidade temporal dos fatos, que gera um suspense incomum no desenrolar da trama. Embora não seja uma das sagas lendárias mais famosas, seu caráter literário é excepcional e merece mais reconhecimento. Inédita em português.
170% | inclusão da Saga de Egill maneta e Ásmundr, o matador de berserkir
Provavelmente obra do século XIV, apresenta-nos uma aventura fantástica ambientada em terras e períodos pouco identificáveis. Trata-se aqui, mais do que com qualquer outra saga da coletânea, de uma obra ficcional. O texto é repleto de episódios maravilhosos, grotescos e cômicos, e destinava-se, assim como as riddarasögur (sagas de cavaleiros), ao entretenimento. Esta e a saga anterior fornecem um retrato dos tröll (no imaginário islandês pós-medieval, gigantes habitantes de cavernas e montanhas, normalmente hostis, mas por vezes amistosos) muito similar ao que temos nas fábulas e nos contos populares islandeses modernos. Inédita em português.
200% | Fitilho de cetim
Fita decorativa produzida em cetim com cor especial que decora e serve como marcador de página do livro.
250% | Acabamento dourado na capa em hot stamping
Hot stamping é uma técnica gráfica de enobrecimento que utiliza calor, pressão e uma folha metalizada para aplicar uma camada metálica em superfícies, conferindo um efeito visual único à capa do livro.
Théo de Borba Moosburger é professor e tradutor formado em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Paraná e possui mestrado e doutorado em Estudos da Tradução pela UFSC. Dentre suas traduções publicadas, destacam-se: Três sagas islandesas (UFPR, 2024); Saga dos Volsungos (Hedra, 2009); A nostálgica e outros contos (Hedra, 2010); Saga de Gunnlaug Língua de Serpente (Fino Traço, 2014); Da alma (Vozes, 2020); Saga de Njáll (Clube de Literatura Clássica, 2024). É tradutor do grego (antigo e moderno), nórdico (islandês) antigo e italiano, línguas que também leciona. Até o momento publicou dois manuais de nórdico antigo, Lendo em Nórdico, vol. I (Kotter, 2023) e Lendo em Nórdico, vol. 2 (Kotter, 2024). Também é autor da novela O Cemitério dos Amores Mortos (Kotter, 2024).
Rodrigo Kmiecik é editor, contista, poeta e historiador, licenciado em História (UEL), especialista em Religiões e Religiosidades (UEL) e mestrando em História (UFPR). Publicou contos e poemas em revistas, antologias e jornais, e no meio editorial atua editando, traduzindo, escrevendo paratextos e produzindo material gráfico. Contribuiu com diversas editoras independentes, como Ex Machina, Clepsidra, Melusine Press, Corvus e Raphus Press. No âmbito acadêmico, suas pesquisas enfocam a cristianização da Escandinávia no século IX e os bestiários latinos produzidos na Inglaterra do século XIII.
Filipe Florence é designer, artista visual e poeta paulistano. Atua como diretor de arte em uma agência de comunicação e trabalha em parceria com editoras independentes. Desenvolveu projetos gráficos para coleções como a Imaginário Gótico (Aetia-Clepsidra); e de livros individuais como Nosferatu: Uma sinfonia do horror (2023, Clepsidra) e Florilégio Macabro (2024, Ex Machina). É autor dos livros Poemas Sonâmbulos (2016) e Meconopsis (2017). Como artista visual, divulga parte de seus trabalhos no Instagram.
Confira abaixo o cronograma:
- 28 de março a 13 de maio : abertura e divulgação da campanha
- Maio a julho : produção das recompensas e impressão
- Agosto : início dos envios
O livro já está em processo avançado de produção. Se as metas estendidas forem alcançadas antes do previsto, é possível que o livro fique pronto antes do prazo estimado.
Sua recompensa será enviada ao endereço fornecido por você, apoiador, no momento de realização do apoio na plataforma do Catarse e só poderá ser atualizado, se necessário, por
meio de um questionário do Catarse que será aberto após a conclusão da
campanha.
Os códigos de rastreio serão enviados por e-mail e ficarão disponíveis na aba Novidades do projeto. Esse código poderá ser consultado pelo apoiador no site dos Correios ou em apps desenvolvidos para esse fim. Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades e nos siga no Instagram!

A Editora Ex Machina, fundada em 2013, é baseada em software livre (GNU/Linux, LaTeX). Publicou a mais completa e anotada edição dos contos de H.P. Lovecraft em língua portuguesa, além de coletâneas e romances de autores como Algernon Blackwood, Arthur Machen e August Klingemann. Na poesia, publicou o clássico Antologia de Spoon River, de Edgar Lee Masters. Em coedição com a Clepsidra, publicou a coletânea Contos clássicos de fantasma, e Poderes das Trevas, a versão sueca de Drácula, além da primeira edição brasileira dos contos de Robert Aickman. Com a Raphus Press, editou o Testamento de Franz Kafka, e com a editora O Grifo resgatou os contos de Gonzaga Duque. Em 2025, publicou Florilégio Macabro, a maior antologia de contos e poemas de horror, góticos e terríficos produzidos em Portugal. A Ex Machina está no Catarse desde 2016 e todos os nossos projetos foram financiados com sucesso, graças a vocês!
Todos os que nos ajudaram a divulgar esta campanha serão mencionados aqui. Se você divulgou e quer ser listado aqui, envie o link da divulgação via Instagram. Agradecemos em particular à equipe do Catarse, que vem nos apoiando desde 2016!
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