
Bem-vindos à nossa nova campanha aqui no Catarse! Desta vez, convidamos a comunidade de apoiadores a fazer parte do financiamento da segunda edição revista e ampliada de um dos nossos livros de maior sucesso: o romance O Aparicionista, escrito no final do século XVIII pelo poeta, dramaturgo e filósofo Friedrich Schiller.
Além de ser a primeira tentativa do autor de compor um romance – foram publicadas apenas duas das suas quatro partes originalmente planejadas –, essa obra foi responsável por inaugurar a literatura gótica alemã e acabou trazendo novos procedimentos e novas engrenagens que nunca mais abandonaram a maquinaria gótica, como os mergulhos na degradação da sanidade, a investigação racional (quase detetivesca) de fenômenos aparentemente sobrenaturais e a vilanização dos necromantes que infestavam a Alemanha na época, além de modernizar e sugerir novos caminhos para o gótico britânico, que se encontrava desaquecido, e, depois do chacoalhão de Schiller e da Revolução Francesa, viveu um de seus períodos mais efervecentes por toda a década de 1790.
Quer ver o livro por dentro? Neste unboxing, Samara Pimenta folheia e comenta o acabamento do livro (início: 9:47; fim: 11:09).
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A primeira edição d'O Aparicionista teve ao todo cinco impressões e está esgotada há alguns meses. Em vez de rodar uma sexta impressão com o mesmo conteúdo de antes, imaginamos que seria do interesse do nosso público que ampliássemos seu conteúdo, incluindo nossas novas descobertas acerca do romance. Ao mesmo tempo, gostaríamos de convidar quadros acadêmicos para trazer seus análises, desta vez como forma de agradecer a acolhida calorosa e entusiasmada que a obra vem tendo pelos estudiosos.
Para realizarmos essa ampliação, o pesquisador, tradutor e editor Felipe Vale da Silva apresenta um ensaio inédito sobre o imbróglio causado pela publicação de uma resenha de Schiller sobre os poemas de Gottfried August Bürger, episódio que muito provavelmente influenciou o autor a interromper O Aparicionista na metade (recebemos dezenas de perguntas sobre o que poderia ter motivado isso); enquanto as professoras doutoras Patricia Cesar da Cruz (UFPA) e Thaís Fernandes de Amorim (UFRA) assinam outro ensaio inédito que destrincha temas e influências do romance, como o legado do Sturm und Drang e o motivo do duplo.
Estimamos que essas inclusões acrescentem cerca de 30 novas páginas ao livro. Também estamos empenhados em fazer uma nova revisão do início ao fim da obra, incorporando nela toda a experiência que fomos capazes de acumular desde sua publicação original em 2019.

Friedrich Schiller (1759-1805) foi uma das almas inquietas da literatura alemã, e isso em mais de um sentido. Apesar de sua formação como médico militar, logo perde gosto pela profissão e passa a dedicar-se à escrita de Os Bandoleiros (1781-1782), uma peça tão ofensiva ao bom tom da época que lhe rendeu 14 dias na cadeia, além da proibição oficial de publicar qualquer texto fora da área médica. Para nossa sorte, Schiller decide desertar certa noite, trocando o regramento da caserna pela vida incerta de dramaturgo itinerante.
A partir daí, dois elementos se tornam constantes em sua trajetória: a pobreza, que o persegue a ponto de debilitar sua saúde e precipitar sua morte prematura, e a arte teatral, para a qual contribui com obras cada vez mais significativas. Sua trajetória de dramaturgo é interrompida brevemente durante o contato de Schiller com o romance gótico britânico, que, junto às histórias em circulação sobre os bruxos que infestavam as cortes da época, o inspiraram a compor O Aparicionista (Der Geisterseher, 1787-1789), texto inaugurador tanto do Schauerroman (romance de calafrios) alemão, o equivalente germânico ao romance gótico britânico, quanto do Geisterseherroman (romance necromântico), que dá início a uma série de obras focadas na ação de pretensos invocadores de espíritos.
Quase sem querer, Schiller foi responsável por dar novo impulso à literatura gótica britânica especialmente depois de ser traduzido como The Ghost-Seer. Seu enredo trouxe novas maneiras de lidar com as apreensões góticas sem recorrer aos seus principais clichês, contribuindo ṕara inspirar um boom de novos Schauerromane e gothic novels na década de 1790, a ponto de críticos como Patrick Bridgwater o considerarem a narrativa mais influente de toda a tradição gótica (sim, para esse especialista, trata-se de uma narrativa mais influente para o romance gótico do que o seminal O Castelo de Otranto).
Devido à sua importância histórica e à sua posição como uma das mais influentes obras da literatura gótica europeia, O Aparicionista foi o romance escolhido para inaugurar a coleção Imaginário Gótico, composta por edições de referência e também por importantes títulos da tradição gótica que permaneciam inéditos no Brasil.
Nesta campanha, outros dois volumes dela (O Necromante e Frankenstein) estão disponíveis entre as opções de recompensa. Para mais informações sobre os títulos da coleção, acesse: O Aparicionista, O Necromante, O Vampiro, Fantasmagoriana, Frankenstein (em breve).
Os livros devem ser enviados até no máximo o fim de junho de 2023.
O pacote será enviado ao endereço fornecido pelo apoiador no momento de realização do apoio. Esse endereço poderá ser atualizado exclusivamente por meio de um questionário do Catarse que será aberto algumas semanas antes das postagens.
Os rastreios dos envios serão enviados por e-mail e ficarão disponíveis na aba Novidades deste projeto. Esse código poderá ser consultado pelo apoiador no site dos Correios.
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A editora Clepsidra, ligada aos sebos de mesmo nome em São Paulo, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista.
Aetia é uma editora paulistana e paranaense dedicada a traduções inéditas de obras esquecidas da literatura universal e do pensamento político decolonial.
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