O texto de Trotsky que socializamos aos leitores como um e-book é uma publicação que trata da importância dos conselhos de trabalhadores e seu papel na organização da classe. Não é fruto de uma imaginação ou inventividade, mas a constatação do que existia no mundo objetivo, concreto e real. Após o massacre de 1905, o Domingo Sangrento, na cidade de São Petersburgo, a classe trabalhadora russa desenvolve uma arma poderosa de organização e luta contra o czarismo. Esta arma tornou-se uma ferramenta fundamental como método de organização do futuro Partido Bolchevique e ainda hoje é reivindicada como forma de organização dos trabalhadores na luta contra a burguesia: os soviets. Em português: conselhos. Uma forma de organização de vanguarda que foi responsável por criar um ensaio de organização de duplo poder na Rússia czarista e que marca o início, na longa duração, da maior Revolução Socialista até hoje: a Revolução Russa de 1917.
Nosso trabalho foi motivado pela importância da contribuição de Trotsky para a nossa formação política permanente no sentido de entendermos a Revolução de 1905, com seus avanço e limites diante daquele contexto.
A maioria esmagadora da classe trabalhadora que ingressa nas fileiras das organizações políticas revolucionárias não são educadas em outros idiomas e desta forma, o acesso ao texto já traduzido em outras línguas como alemão, francês, russo, italiano, inglês e espanhol torna-se inacessível. Mesmo o espanhol, idioma que equivocadamente, muitas vezes é tratado “naturalmente” como uma suposta segunda língua para os alfabetizados em português. Um erro brutal, que mais expressa o caráter de classe média de parte de militância revolucionária, quando não, a mentalidade pequeno burguesa e a mais repleta ignorância das determinações da realidade da maioria de nossos camaradas. A tradução para o português e a possibilidade de acesso à leitura/debate, a partir do texto de Trotsky, sobre um fato histórico tão importante para a classe trabalhadora mundial não pode ser um privilégio de um grupo minoritário. Ignorar essa problematização é assumir um caráter limitado da nossa atuação enquanto revolucionários e a mais direta demonstração de arrogância intelectual que assola, inclusive, o movimento trotskista desde meados do século passado.
Desejamos uma ótima leitura!
Jean.







