Sabe aquele tipo de história que tem um quê de incrível, é bizarra e estranha, mas você sabe que pode ter acontecido? Uma daquelas contadas na hora do pavê que arremata o almoço de domingo ou nas calçadas devidamente observadas por seus vizinhos fofoqueiros atenciosos? São essas histórias que atestam que o absurdo não apenas está presente, como dá vida aos subúrbios do Rio de Janeiro.
Subúrbio Absurdo é um projeto que propõe a publicação de contos suburbanos que mesclam realidade e fantasia, tragédia e humor ácido. Pense num papo de bar entre Cortázar e Zeca Pagodinho publicado em zines temperadas com humor, lirismo e toques insólitos. Tudo isso sem perder o ziriguidum, o jabaculê e o esquindô. Sacou?
A Zine Subúrbio Absurdo #1
A meta básica da campanha garante a publicação de uma zine A5 com aproximadamente 50 páginas recheada de contos e textos diversos sobre a vida absurdamente fantástica nos subúrbios cariocas. Você pode me ajudar com este projeto escolhendo um dos apoios e garantindo recompensas com valores promocionais.
Que tal conhecer o clima dos textos deste projeto?
Subúrbio
Eu enxergo o mundo pelo canto do olho, já que a água do café tá quase fervendo, através da janela de uma casa nos fundos de um terreno no pé do morro. Vejo parte de uma parede só no embolso, um céu bonito e uma mangueira vistosa, que vez por outra esconde morcegos que juro que viram gente aos sábados.
Daqui dá pra ouvir a gritaria quando correm atrás de pipa avuada nas tardes de verão ou de balões caindo nas manhãs de domingo. Dá pra ouvir os ensaios da escola de samba, a procissão de São Sebastião, a sonzeira do flashback de sexta e os louvores dos cultos de quarta e sábado. Mas o que não gosto mesmo é de ouvir os pipocos quando rola operação da PM.
Em dias de operação, a vida entorta e geral fica com o destino rachado, torcendo pra bala não achar ninguém que se ama. Nestes dias, só a morte sorri. O resto da cidade finge que se importa porque os jornais insistem em fazer daqui enredo de videogame, mas basta passar uma semana pra amnésia social ser bebida igual à água com tempero de alga e bactérias que a gente se acostumou a tomar. Só digo uma coisa: a vida aqui é muito maior do que a dor.
O subúrbio pede um paladar refinado, complexo. O sabor do dia a dia é caipirinha: desce doce e azedo, refresca e queima a garganta. E esse gosto repleto de notas contraditórias foi moldado enquanto perdia tampos dos dedões a cada trupicão que dei olhando pro nada, ou melhor, olhando pra tudo que desimporta. Observar e deixar-se sentir é uma atitude corajosa. Ô se é.
Aprendi também que a vida é dura só pra quem dá mole quando comecei a jogar bola no time de baixo da ladeira. E foi assim que saquei que drible pro lado pode parecer não servir pra nada. Mas serve. É como um glacê bonito, com trabalho de bico caprichado: sempre deixa todo bolo mais gostoso, pois já comemos com os olhos, desejando a sobra, a abundância, o regalo, o chorinho no copo de caldo de cana. Por isso que sempre defendo a curva, a firula, a síncope, o remelexo e a fantasia. Desnecessariamente necessários pra vida ser mais do que sobrevivência.
Nos subúrbios é que a vida se reinventa, e é daqui e pra cá que meus contos chovem iguais a chuva de verão. Contos esculpidos na memória inventada pelo que me atravessa ao errar pelos contornos cariocas do lado de cá do túnel, de onde a baixada se faz vizinha, onde quase todo domingo cheira a comida boa e bagunça, e que copo de requeijão servia tudo quanto é bebida antes de ser modinha hipster.
Absurdo
O realismo mágico poderia dar o tom dessa prosa. Ser o fio condutor dos contos desta coletânea. Até pode ser, mas nada resume tão bem o recheio desse prensadão de histórias do que o termo absurdo.
Absurdo na boca suburbana é como maravilhoso no início da modernidade. Espanto, fascínio, assombro, desejo. Tudo junto e misturado. Um golaço na quadra da praça: absurdo! A vizinha acerta a milhar no bicho: absurdo! Rola um novo reajuste na passagem de ônibus: absurdo!
Absurda é a vida onde o absurdo é quase rotina. É no absurdo que o real e o imaginário se fundem e a polissemia conjura uma nova percepção do tempo e do espaço. É no engarrafamento absurdo que a imaginação te faz enxergar alienígenas conversando. É na falta de água absurda que o camelo caramelo toma o lugar do síndico de quatro patas da rua. É na condução absurda do motoboy que você percebe que há uma competição subterrânea de manobras ousadas com pontuação dada pelas redes sociais.
O absurdo do dia a dia é o fio condutor destas histórias de fantasia suburbana.
Recompensas
Zine (R$ 43) é a recompensa básica que garante a zine Subúrbio Absurdo #1 com frete grátis para todo o país, além da versão digital da mesma.
Combo Zine (R$ 61) é a recompensa que garante 2 zines com frete grátis para todo o Brasil, sendo uma delas Subúrbio Absurdo #1, que também será disponibilizada em formato digital. Você pode escolher os seguintes títulos que já publiquei para compor o combo: SMD, Agentes do Acaso, Terrores Insólitos, Saqueadores do Destino, Mácula Amarela, Duelo RPG ou Garotas Mágicas RPG. Saiba mais sobre estes títulos acessando este link.
Combo Livro (R$ 83) é a recompensa que garante a zine Subúrbio Absurdo #1 em formato físico e digital e um livro que já publiquei com frete grátis para todo o Brasil. Você pode escolher os seguintes títulos que já publiquei para compor o combo: Rubro & Roxo, Lições RPG, Magos Lacunares da Torre Púrpura, Pesadelos Terríveis ou O Assalto Extraordinário ao Tesouro do Dragão. Saiba mais sobre estes títulos acessando este link.
Quem sou eu?
Me chamam de Jorge Valpaços, mas sempre fui e me sinto cada vez mais "dos Santos". O meio do meu nome talvez seja o meio que meu meio tem para me (re)fazer inteiro.
Aprendi a gostar da vida quando aprendi a ler e as palavras me permitem ser quem sou. Escrevo para existir em risco, em abertura e plenitude. Inventar histórias (mentir com autoridade) é uma das criações que mais gosto de cultivar.
Sou brincante, gosto de música, aipim e milho de tudo quanto é jeito. Sou educador da rede pública e a escola é onde eu costumo plantar sonhos. Já publiquei vários contos de fantasia por vários caminhos, além do romance Rubro & Roxo pela Avec Editora. Talvez você possa me conhecer pelos brinquedos de jogar histórias que já escrevi. Inclusive dá pra consultar aqui mesmo no catarse vários deles (basta buscar o meu nome).
Subúrbio Absurdo é um projeto que me dedico a caraminholar faz um bom tempo. Textos em cadernos, blocos de notas, ali e aqui. Acho que chegou a hora de geral os conhecer. E eu conto contigo e com Gusmão pra isso.










