Em 1982, dois gênios dos quadrinhos: Watson Portela e Franco de Rosa, produziram o que seria uma das mais polêmicas e controversas obras já publicadas no Brasil e que foi CANCELADA na na primeira edição! Conheça e leia a história que envolve Jô Soares, Rede Globo e a sátira dos maiores super-heróis da Marvel e DC
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É importante esclarecer, que este material aos olhos de hoje, é bastante caricato e talvez ofensivo para algumas pessoas. Entretanto, possui grande importância histórica, por retratar um dos primeiros super-heróis LGBTQIPNA+ da história. É um olhar dos anos 80 e isto precisa ser considerado na leitura do quadrinho.
Super-Gay foi uma revista em quadrinhos satírica e erótica publicada em 1982 pela editora curitibana Grafipar, escrita e ilustrada pelo quadrinista pernambucano Watson Portela, que entre os quadrinhos autorais, publicava capas para a Marvel e outras grandes editoras. A obra surfou no enorme sucesso do personagem "Capitão Gay", interpretado pelo humorista Jô Soares na televisão. Impedida de usar o nome original da TV por direitos autorais, a Grafipar criou o seu próprio universo paródico. A revista teve apenas uma única edição lançada, mas se tornou um marco cult das publicações marginais brasileiras da década de 1980.
A HQ se passa na fictícia Taióba City. A trama central gira em torno de um plano maligno do vilão Dr. Camomila, que contrata a Sapatão Maravilha (uma vilã com o poder de mudar o sexo das pessoas) e seu exército de "Super Sapatões" para destruir todas as fábricas de silicone da cidade. O herói Super-Gay e seus aliados precisam intervir para salvar a economia e a estética local. A grande marca da revista foi a transformação de super-heróis clássicos da Marvel e da DC em versões homossexuais e caricatas. Liderados pelo Capitão Fafá (o líder da "Liga Gay da Justiça" é inspirado no Capitão Gordo do Jô Soares), o grupo incluía:
Flashomo (paródia do Flash)
Aquagay (paródia do Aquaman)
Arqueiro Rosa-Choque (paródia do Arqueiro Verde)
Batgay e Power Gay (paródias do Batman)
Húlia (versão feminina/gay do Hulk)
Thorvelinho (paródia do Thor)
Lanterna Cor-de-Rosa (paródia do Lanterna Verde)
História 1: Roteiro e arte de Watson Portela



História 2: Roteiro de Watson Portela e arte de Franco de Rosa


A obra utilizava o humor picante, a pornografia leve (característica da linha editorial da Grafipar) e muitos estereótipos gays vigentes nos anos 1980. Hoje, críticos analisam a obra de forma dividida. Por um lado, ela abusava de clichês e piadas datadas; por outro, foi pioneira e ousada ao colocar uma liga inteira de personagens LGBTQIA+ como protagonistas absolutos em plena vigência da ditadura militar.
Dois grandes pesquisadores do tema participam desta obra: Chris Gonzatti e Guilherme Smee, com paratextos imprescindíveis para compreender o momento e a importância deste projeto.
A restauração da capa e das páginas foram produzidas por dois grandes profissionais, do miolo pelo diagramador responsável pelo projeto: Victor Gerhardt e a capa, totalmente refeita por Joe Lottley, que manteve os belíssimos traços e cores de Watson Portela
A obra é no formato americano com 72 páginas PB em papel de alta qualidade e marcador de páginas colorido.
Watson Portela e um dos mais revolucionários e influentes autores da história do quadrinho brasileiro, consagrado como o mestre indiscutível da ficção científica e do erotismo nacional. Nascido em Recife, Pernambuco, em 1950, Portela transformou as bancas de jornal das décadas de 1970 e 1980 em portais para universos psicodélicos, distópicos e profundamente filosóficos. Seu traço inconfundível, marcado por hachuras densas e detalhismo cirúrgico, dialogava com a vanguarda europeia de Moebius, mas mantinha os pés firmemente fincados na identidade e na malandragem brasileiras.Sua era de ouro consolidou-se na mítica editora paranaense Grafipar, onde Portela desafiou a censura do final da ditadura militar. Lá, ele transitou com genialidade entre a sátira escrachada de Super-Gay e a sofisticação existencial de Paralelas, considerada por muitos sua obra-prima. Criador incansável, deu vida a sagas espaciais icônicas como Vôo Livre e Rex Alenda, provando que a ficção científica feita no Brasil possuía força estética para rivalizar com qualquer publicação estrangeira. Mais do que um desenhista virtuoso, Watson Portela foi um arquiteto da imaginação, cuja ousadia visual abriu caminhos para gerações de artistas e elevou a HQ nacional ao status de alta literatura gráfica. Este livro é um tributo ao seu legado eterno e à sua mente sem fronteiras.
Franco de Rosa é uma das personalidades mais influentes dos quadrinhos brasileiros, atuando há décadas como desenhista, roteirista, jornalista especializado e editor. Nascido em São Paulo em 1956, ele iniciou sua prolífica carreira nos anos 1970 com fanzines e tiras marcantes como Chucrutz e Capitão Caatinga. Ao longo de sua trajetória, De Rosa esteve presente em momentos-chave do mercado nacional, ajudando a fundar editoras de peso como a Press (Maciota) e a Editora Mythos. Sua versatilidade artística passeia pelo humor, faroeste, erotismo, terror e aventura, consolidando-o como uma referência viva para gerações de quadrinistas do país. Nome indissociável da editora Grafipar, publicou dezenas de obras nos mais diversos gêneros, sendo recentemente republicado o quadrinho Super-Gay ao lado de Watson Portela. Além deste, seu vasto e histórico trabalho ganhou novos resgates promovidos pela Tábula Editora. O principal destaque dessa parceria é a edição definitiva de Ultraboy, clássico herói nacional em estilo mangá criado por ele em 1982 e que teve todas as suas aventuras compiladas em um volume especial. Também, organizou e foi coautor do relançamento de John Lennon Tributo, uma célebre obra coletiva dos anos 1990 que conta com a participação de mestres como Flavio Colin. Editou o resgate histórico de Madame Satã, quadrinho erótico clássico de Sérgio Lima originalmente lançado na década de 1980 e produziu uma história inédita do Ultraboy para a coletânea Crepúsculo Sentai - alfa e omega, em um crossover com Fujiman. Por fim, expandindo suas criações lúdicas, ele lançou pela Tábula a divertida HQ Conancraft - Os Segredos Da Torre Eterna, uma paródia que mistura o universo de Robert E. Howard com a estética de jogos de blocos virtuais.
OUTUBRO DE 2026











