Bem-vindos à nossa nova campanha! Novamente, as editoras Ex Machina e Clepsidra unem forças para preencher mais uma lacuna do mercado editorial nacional: a publicação da coletânea Contos fantásticos (1869), de Iginio Ugo Tarchetti, um dos maiores expoentes da literatura gótica e fantástica da Itália.
Além de reunir as cinco narrativas que compõem a obra e que têm tudo para agradar os aficionados de autores como Hoffmann e Poe, este livro serve de porta de entrada à essa tradição na literatura italiana do século XIX, por meio de paratextos de especialistas que exploram o lugar de Tarchetti no complexo panorama da Scapigliatura, o movimento artístico que deu guarida à boemia, ao insólito e ao macabro por volta da década de 1860.
Assista aqui à live de abertura da campanha no canal Fantasticursos.
Assista aqui à live com Karine Simoni e Julia Lobão, pesquisadoras do gótico italiano.
Com cerca de 120 páginas, que podem chegar a 160 caso as metas estendidas sejam destravadas, o livro terá 18 x 18 cm (em grande formato quadrado) e apresentará encadernação em capa dura e miolo em papel off-white com 80 g/m² de gramatura.
A capa foi idealizada por Bruno Costa e desenvolvida por Benjamim F. Cafalli com base em uma gravura de Luigi Conconi (Ruit hora, de 1893), um dos mais importantes artistas plásticos da Scapigliatura, e que pretendia usá-la como ponto de partida para a criação de um relógio de parede com o tema da efemeridade da vida (memento mori), uma amostra do caráter macabro que perpassa a leitura. A gravura não foi apenas "restaurada" e retonalizada digitalmente por Cafalli, mas adaptada com novos elementos para compor a capa do nosso livro.
A tradução ficou a cargo de Théo de Borba Moosburger, que verteu ao português, de modo impecável, essas histórias de fantasmas em busca de partes de seus corpos, castelos habitados por seres misteriosos, indivíduos atordoados por alucinações, entre outros temas, como a incorporação de espíritos.
A introdução assinada por Andreia Guerini e Karine Simoni contextualiza a recepção da literatura gótica na Itália e analisa o papel de Tarchetti nessa tradição, enquanto o posfácio de Julia Lobão (nossa primeira meta estendida) investiga o cenário da Scapigliatura e seus diálogos com diferentes linguagens artísticas, destacando o peso do autor entre seus pares.
Narrativas:
- OS FATAIS
- AS LENDAS DO CASTELO NEGRO
- A LETRA U (MANUSCRITO DE UM LOUCO)
- UM OSSO DE MORTO
- UM ESPÍRITO NUMA FRAMBOESEIRA
Igino Pietro Teodoro Tarchetti (1839-1869), mais conhecido pelo nome artístico Iginio Ugo Tarchetti, nasce em San Salvatore Monferrato, província de Alessandria, na região do Piemonte italiano. Alista-se no exército em 1859 e participa das campanhas em repressão aos bandos de “fora da lei” (brigantaggio), que circulavam no sul da Itália desde o final do século XVIII. Depois de ter escrito críticas ao exército e aos sistemas autoritários, interrompe em 1865 a carreira militar para se dedicar inteiramente à literatura, já em Milão, onde se mantém como tradutor e jornalista. Participa ativamente da vida intelectual, frequentando salões culturais, colaborando em jornais e revistas e unindo-se ao grupo dos chamados scapigliati ("descabelados"), dos quais foi um dos maiores expoentes.
A intensa produção literária de Tarchetti, relevante sobretudo na prosa, se concentra no arco temporal de 1865 a 1869, e é caracterizada por uma grande sensibilidade pelos temas da morte, da loucura, do insólito, da atração pelo horrendo e pelo macabro, seguindo uma das tendências da época. Dentre as suas obras, destacam-se a coletânea de poesia Disjecta (publicada postumamente em 1879), o ensaio Idee minime sul romanzo [Ideias mínimas sobre o romance] (1865), o conto/novela Paolina (1866), história de uma jovem muito pobre que se prostitui para viver, o romance antimilitarista Una nobile follia [Uma nobre loucura] (1867), no qual retoma a condenação do uso da violência bélica e de qualquer tipo de tirania; e, por fim, seleções de contos como o próprio Racconti fantastici [Contos fantásticos] (1869). É desse mesmo ano o célebre romance Fosca, adaptado para o cinema por Ettore Scola em 1981, com fortes componentes autobiográficos, cuja escrita foi interrompida pela morte de Tarchetti, causada pela febre tifoide que enfraquecera ainda mais o seu organismo já debilitado pela tuberculose.
Andreia Guerini é Professora Titular de Estudos Literários e Estudos da Tradução da UFSC. Foi professora visitante nas Università degli Studi di Padova e na Universidade de Coimbra. É editora-chefe das revistas Cadernos de Tradução e da Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Suas publicações recentes são: As línguas da Tradução (Editora Cultura e Barbárie, 2022), Raízes Feministas em Tradução: Italiano (Câmara dos Deputados, 2022), Clarice cem anos (Medusa, 2021), Haroldo de Campos: tradutor e traduzido (Perspectiva, 2019) e Palavra de tradutor: reflexões sobre a tradução por tradutores brasileiros (UFSC, 2018).
Benjamim F. Cafalli
é desenhista gráfico. Começou sua carreira como diagramador freelancer
em várias revistas da Editora Abril. Em 1991, foi contratado pela
Playboy brasileira,
onde trabalhou até 2003. Hoje, dedica-se a criar charges e cartuns, e
já foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e em
outros salões internacionais de humor. Colabora com a Ex Machina na
criação de capas e na arte das peças de campanha.
Julia Lobão é licenciada em Letras: Português-Italiano pela UFRJ. Em 2020, tornou-se mestre em Literatura Italiana com ênfase em estudos sobre paisagem e a estética da feiura. Atualmente, cursa seu doutorado pela mesma instituição e é autora de diversos artigos sobre a relação entre literatura e pintura e as reverberações do gótico e do horror na literatura italiana do século XIX, com destaque para a poética de Gabriele D’Annunzio.
Karine Simoni é Professora Associada do Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras da Universidade Federal de Santa Catarina. Graduada em História e Letras (Italiano), mestre em História Cultural, doutora em Literatura. Dentre as suas traduções, destacam-se: As últimas cartas de Jacopo Ortis, de Ugo Foscolo (Rocco, 2015); Sobre as doenças das mulheres, de Trotula de Ruggiero (PGET/UFSC, 2018) e das antologias Nulla che non possono i versi: antologia de poesia italiana entre o Brasil e a Itália (PGET/UFSC, 2018) e Raízes Feministas em Tradução: Italiano (Câmara dos Deputados, 2022). Suas pesquisas e publicações atuais versam sobre os estudos feministas da tradução.
Théo de Borba Moosburger é professor e tradutor formado em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Paraná e possui mestrado e doutorado em Estudos da Tradução pela UFSC. Dentre suas traduções publicadas, destacam-se: Três sagas islandesas (UFPR, 2007); Saga dos Volsungos (Hedra, 2009); A nostálgica e outros contos (Hedra, 2010); Saga de Gunnlaug Língua de Serpente (Fino Traço, 2014); Da alma (Vozes, 2020); Saga de Njáll (tradução do islandês antigo, Dialética, 2021). É tradutor do grego (antigo e moderno), nórdico (islandês) antigo e italiano, línguas que também leciona.

A Editora Ex Machina, fundada em 2014, é baseada em software live (GNU/Linux, LaTeX). Publicou crônica, poesia, contos, filosofia, HQ e literatura fantástica. Em 2021, lançou a segunda edição, revista e ampliada, de Contos reunidos do mestre do horror cósmico, a mais criteriosa e extensa antologia de histórias de H. P. Lovecraft em língua portuguesa e, em parceria com a Clepsidra, publicou as coletâneas Contos clássicos de fantasma, com 29 narrativas que ilustram toda essa rica tradição, e Repique macabro, com nove "histórias estranhas" de Robert Aickman, autor britânico que mesclou o horror e o estranhamento na segunda metade do século XX. Em parceria com Youssef Cherem, prepara o lançamento da In Silico soluções editoriais em nuvem e colaborativas, voltada para as editoras independentes e de pequeno porte.
A Editora Clepsidra, ligada às livrarias e sebos de mesmo nome em São Paulo e membro-fundadora da Coesão Independente, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles). Suas obras incluem resgates de clássicos inéditos, um clube de assinaturas de contos góticos e outros títulos que ajudam a democratizar o acesso ao gótico e ao horror clássico no Brasil.
Clique aqui para acessar os projetos de outras editoras da Coesão Independente. Se preferir, digite coesão na busca de projetos.
Confira abaixo o cronograma estimado (que poderá ser alterado, especialmente se as metas estendidas forem alcançadas).
Maio e junho: Divulgação da campanha.
Julho: Edição, diagramação e revisão.
Agosto: Produção das recompensas adicionais. Aprovação da prova física.
Setembro: Impressão.
Outubro: Envios (saída do estoque até o fim do mês, o prazo para o recebimento depende também do tempo que os Correios levarão até finalizar a entrega).
A caixa de cada apoio será enviada ao endereço fornecido pelo apoiador no momento de realização do apoio e poderá ser atualizado exclusivamente por meio de um questionário do Catarse que será aberto cerca de 10 dias antes do envio.
Os rastreios serão enviados por e-mail e ficarão disponíveis na aba Novidades do projeto. Esse código poderá ser consultado pelo apoiador no site dos Correios.
Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades.
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