Março de 2011: em três anos o país receberia um dos eventos mais importantes do futebol mundial, mas o tema da preparação e construção de estádios já rondava os meios de comunicação desde três anos antes. Téo e Elisa, no entanto, parecem à margem de toda a comoção: ela não gosta de futebol, e ele não parece se interessar por muito mais do que acompanhar o primo argentino ao estádio quando visita a família em Buenos Aires.
Juntos eles mantêm uma agência de investigação particular e uma amizade de vinte anos; acostumados que estão em se meter na vida alheia, acabaram por esquecer o peso de seus próprios segredos. O futebol? Da parte de Téo, uma paixão abandonada pelo time argentino, por um estado de espírito, pelo melhor amigo dos tempos de colégio. Elisa e a origem de seu desconforto com o esporte: o pai fanático, um filho ausente.
Mas por que insistir em investigação sobre o superfaturamento na construção de estádio da copa do mundo — eles que se acostumaram a seguir amantes e cônjuges adúlteros — se sequer foram contratados para isso? Como lidar com um filho incapaz de se expressar para além de um amor despropositado por um time de futebol? Que fazer com a busca impossível que parece ter se tornado encontrar a filha do fotógrafo Alexandre, desaparecida, levada pela mãe seis anos antes?
Com uma improvável mescla de ação, romance, oportunidades perdidas e reencontros inesperados — embora talvez seja o caso de duvidar um pouco das intenções do narrador —, Trégua é uma história quase policial sobre paixões, futebol, desencontros e essa eterna dificuldade por se fazer compreender.
* * *
Ufa. Seis anos depois de escrever a primeira versão desse livro, saiu a sinopse. Eis meu novo e muito aguardado (por mim, pelo menos) romance: TRÉGUA.
Sim: o livro já está pronto e revisado.
E por que esperar tanto tempo, sua louca? Havia um editor interessado em publicar o livro, e por isso esperei. Mas o mercado passou a perna nele. Por isso, resolvi passar a perna no mercado, e conto então com a ajuda de vocês, leitores: é pra vocês mesmo que eu escrevo literatura, afinal.
TRECHO:
um pedacinho do meio do livro
Téo passou a mão nos cabelos para penteá-los para frente, como sempre fazia por hábito ou vício ou o terror de saber as entradas cada vez mais aparentes. Quis voltar a atenção ao jogo de futebol e deixou um pouco o silêncio com a voz do narrador e o murmúrio da torcida, ainda que jogo de time menor e as arquibancadas quase vazias. Manobrava a comida até a boca desajeitado, segurando os palitinhos e equilibrando o prato bem próximo do rosto, um tanto ausente enquanto permitia que lhe escapasse a concentração. Na cabeça era outra vez o estádio no segundo jogo depois da primeira vitória por quatro a zero na final da segunda divisão do campeonato argentino; era o primeiro gol e Gabriel que não se continha de tanta alegria, ou depois o primo Pablo que por vezes lhe agarrava o braço desesperado e desembestava a xingar o juiz com todos os palavrões que conhecia. O gol do Atlanta no segundo tempo terrível momento de tensão: juntar as mãos na frente do rosto esquecer-se de si esquecer que havia mundo que havia vida fora do estádio que tudo seguiria seu rumo passados mais alguns minutos mas o tempo suspenso os minutos intermináveis. Sentiu um frio na espinha. Olhou os pelos do braço se eriçarem e riu consigo porque parecesse exagero, mas.
— É um aniquilamento — disse, inclinando-se para pôr o prato na mesa de centro, os olhos ainda muito fixos no jogo na televisão. Ouviu de Elisa um murmúrio. — É certeza de pertencer: você e milhares todos um só grito, uma só vontade, uma só camisa. Ninguém se importa com quem você é ou quem você não é e estar ali é um pouco também não ser coisa alguma, não ser nada nem ninguém e se deixar dissolver em algo maior, sentir escapar escorregar das costas o peso do mundo. Saber que ali é seu lugar, saber que aquilo é o verdadeiro pertencimento, que você é aquilo, que você.
Virou-se e Elisa o encarava e lhe sorria, a cabeça apoiada no encosto do sofá. O silêncio era o ruído suave da chuva incansável e a brisa fria que entrava por fresta muito estreita da janela. Téo devolveu o sorriso, um pouco cansado. As palavras escapavam, insuficientes e ofendidas.
— Gritar o gol é o seu grito desaparecido no grito de todos os outros, desaparecer no grito dos outros e se diluir no grito dos outros e ser também esse grito disforme que dura um ou dois minutos antes de se transformar em cantoria renovada. Desaparecer. Nunca senti alegria mais plena, mais verdadeira, mais pura. É aniquilamento, entrega completa, aceitar a si mesmo e a tudo que existe em volta porque você é tudo aquilo, você é a arquibancada que treme e você está com os olhos muito abertos acompanhando a bola e a troca de passes e é tudo que importa. Há nisso uma espécie de plenitude, e você faz parte dessa certeza. Essa certeza de fazer parte, Elisa. Você entende isso?
* * *

Final da segunda divisão do campeonato argentino de 1985. Racing club x Atlanta. Quase vinte anos depois, que importância ainda pode ter uma campanha sofrida como aquela? Que relação pode existir entre esse passado e um estádio que será construído para a copa do mundo de 2014? [Foto: CEDOC]
O livro impresso vai ter cerca de 200 páginas, em formato 140x210mm, e miolo em papel pólen soft 80g, com capa colorida em papel cartão supremo 250g. A impressão será feita em gráfica digital, em São Paulo.
O livro também será produzido e disponibilizado em formato digital, em PDF, epub e mobi. Os apoiadores receberão o arquivo sem DRM.

Claro que a campanha de financiamento também vai ter brindes super exclusivos! Todas as recompensas adicionais serão 100% caseiras: produzidas e, quando for o caso, impressas por mim, em impressora jato de tinta, aqui em meu esconderijo nas montanhas. A exceção é o marcador, que será impresso pela mesma gráfica que vai imprimir o livro físico, em papel cartão 250g, o mesmo da capa do livro.
As ilustrações impressas em A5 serão todas feitas
por mim, digitalizadas e impressas em papel offset 240g. As ilustrações
originais serão feitas em papel para desenho tamanho A4, e a
gramatura vai depender da técnica usada.
Todas as ilustrações vão assinadas!
O zine será uma edição exclusiva, numerada e limitada à campanha aqui no catarse. Terá entre 16 e 20 páginas impressas em papel offset 90g, com capa em offset 240g, em formato A6, de bolso.
Como funciona?
Eu tenho um livro pronto e vocês, leitores, me ajudam a publicar! Funciona, na verdade, como uma espécie de pré-venda, mas com brindes.
A campanha de financiamento dura mais ou menos dois meses: de 31 de março a 04 de junho. Se você quiser apoiar, basta escolher como quer o livro e ver quais brindes interessam: aí é só selecionar uma das faixas de apoio na lista de recompensas.
Se ainda não tiver cadastro aqui no Catarse, dá pra fazer na hora mesmo, rapidinho. Você pode pagar com cartão de crédito ou boleto. Quando a campanha encerrar, eu recebo o valor alcançado, descontadas as taxas do Catarse, e começo o processo de impressão do livro e finalização das recompensas!
Por que financiamento flex?
O principal motivo: porque vou produzir esse livro de qualquer forma, seja para 5 ou 200 leitores. Com a impressão digital, é possível produzir tiragens pequenas sem que isso aumente o valor unitário do livro. O financiamento flex permite que eu entregue os livros e as recompensas para todos que apoiaram, mesmo que a gente não alcance a meta estabelecida.
A tiragem inicial será de 100 exemplares, e o custo indicado como meta cobre essa tiragem (além de cobrir um gasto, menor, para a produção das recompensas). Caso haja mais demanda, ela será ampliada para atender a todos os apoiadores. Se for menor, vou fazer os 100 exemplares de qualquer forma e vender depois em minha loja online.
Por que comprar agora em vez de esperar o livro pronto?
Garantindo desde já o seu exemplar você apoia meu trabalho, apoia a literatura nacional e recebe o livro antes de todo mundo, autografado, e com brindes exclusivos da campanha de financiamento, que não estarão disponíveis para aquisição depois.
Quando vou receber o livro e meus brindes?
Durante os meses de duração da campanha, estarei trabalhando nos ajustes finais do livro, definição de diagramação e capa (feitas por uma profissional gênia) e produção das recompensas.
Encerrada a campanha, vou saber quantos exemplares mandar imprimir, para enfim fechar negócio com a gráfica. A impressão em si fica pronta em menos de uma semana, mas depois os livros precisam chegar de São Paulo até mim, no interior da Bahia, para que eu possa preparar os envios.
Dito isso: os envios serão feitos em até 60 dias depois de encerrada a campanha. Provavelmente menos. Mas, por via das dúvidas, melhor dar margem aos imprevistos e não deixar ninguém muito ansioso (eu, por exemplo).
A probabilidade desse prazo ser menor vai depender principalmente de vocês não deixarem para apoiar no último momento! Aí já posso começar a preparar as recompensas o quanto antes.
(E também não morro de ansiedade.)
Cof cof.
Meu nome é Olivia Maia. Sou paulistana mas saí de São Paulo em 2013, e fui parar no interior da Bahia, na cidade de Lençóis.
Comecei a publicar literatura em 2006. Publiquei quatro romances; dois deles receberam apoio de programas culturais: Segunda mão teve a edição patrocinada pelo Programa Ação Cultural de São Paulo de 2009; e A última expedição foi um dos projetos selecionados pelo Programa Petrobras Cultural de 2010. Também publiquei de forma independente dois livros de contos policiais e participei da coletânea São Paulo noir, organizada por Tony Bellotto e editada pela Casa da Palavra, em 2016.
Sou também ilustradora e desde o final de 2017 produzo o zine independente Rabiscologia, uma revistinha mensal de arte, ilustração e literatura, que você pode assinar para receber em casa.
No meu site você conhece todos os livros que já publiquei. Mantenho um blog esporádico e um diário fotográfico, que você encontra também no instagram. Além disso, você pode assinar minha newsletter, para receber e-mail meu com novidades, ideias, nerdices, reflexões e desenhos uma vez a cada três semanas (mais ou menos).














