Bem-vindos à nossa oitava campanha aqui no Catarse! Nesta empreitada, gostaríamos de apresentar a edição comemorativa de 200 anos do primeiro conto vampírico inglês: "O Vampiro" ("The Vampire", 1819), de John William Polidori, que chega acompanhado de cerca de 310 páginas de extras (a maioria inéditos, incluindo cartas, ensaios, resenhas, diários e obras derivadas do conto). O livro é o terceiro volume da coleção Imaginário Gótico (editoras Sebo Clepsidra e Aetia).
A encadernação é em capa dura, o livro tem 16 por 22 cm e totalizará cerca de 260 páginas impressas em papel off-white (pólen ou semelhante). A cor escolhida para este volume foi o vermelho, inspirado pelo sangue que alimenta o corpo incorruptível dos mortos-vivos. A pintura escolhida para compor a capa foi a belíssima O Beijo (1918), do italiano Ambrogio Antonio Alciati.
Nesta campanha, convidamos vocês a participar do financiamento coletivo de uma edição que comemora os 200 anos da publicação do conto "O Vampiro" (1819), de John William Polidori.
Além de suas qualidades literárias, a obra também é importante e permanece relevante por tratar-se do primeiro conto vampírico inglês e pelo fato de seu vilão, Lord Ruthven, ser o primeiro vampiro masculino da literatura inglesa. Foi Ruthven o protótipo da longa tradição de vampiros aristocráticos e fatais, que inclui Sir Francis Varney, Conde Azzo von Klatka e Conde Drácula.
As histórias da gênese e da trajetória do conto são fascinantes, e serão devidamente destrinchadas em nosso livro, que conta com organização de Marina Sena.
"O Vampiro" foi baseado no esboço de narrativa que Byron escreveu para o célebre concurso de histórias de fantasmas proposto em Villa Diodati. O conto de Byron, entretanto, conhecido como “O Fragmento”, ficou inacabado. Foi neste concurso que também nasceram os primeiros rascunhos do romance Frankenstein (1818), de Mary Shelley.
Trabalhando na época como médico particular do poeta, Polidori teve uma tumultuada relação com seu patrão e, ao retomar o manuscrito incompleto, decidiu construir seu vampiro como uma caricatura de Byron.
O conto foi publicado em 1819 por um editor que, de maneira oportunista, o atribuiu ao lorde. Impulsionado pela falsa autoria, "O Vampiro" foi calorosamente acolhido na França, onde foi traduzido por Henry Faber, inspirou uma continuação por Cyprien Bérard em formato de romance, além de ter sido adaptado para o teatro com estrondoso sucesso por Charles Nodier e colaboradores.
Na Alemanha não foi diferente. Em 1828, Heinrich Marschner compôs uma ópera baseada no drama de Nodier, e, entre 1828 e 1835, nada menos do que quatro narrativas com o título "O Vampiro" foram publicadas. Entre elas, a novela de Isidor, sobre quem existem pouquíssimas informações, destacou-se por incluir reflexões um tanto metalinguísticas sobre a nascente temática vampírica nas artes.
Para celebrar seu bicentenário e disponibilizar aos leitores e pesquisadores brasileiros as obras, as cartas, os trechos de diários e as resenhas que registram a gênese do vampiro fatal na ficção, ofereceremos uma nova tradução do conto de Polidori acompanhado de cerca de 260 páginas de extras, para o deleite dos aficionados pelas sanguessugas mais charmosas da literatura gótica.
Baixe aqui uma entrevista sobre o bicentenário do lançamento do conto "O Vampiro" (e outros assuntos afins) com o editor Cid Vale Ferreira na revista Abusões.
Polidori, Byron e Nodier
CONHEÇA O SUMÁRIO
• Prefácio, por Bruno Anselmi Matangrano
• O Vampiro (1819), conto por John William Polidori (traduzido do inglês - nova tradução)
• Fragmento (1819), conto por Lord Byron (traduzido do inglês - nova tradução)
• O Vampiro Negro (1819), conto de Uriah Derick D'Arcy (traduzido do inglês - inédito em português)
• O Vampiro (1820), drama em três atos de Charles Nodier, Pierre Carmouche e Achille Jouffroy d’Abbans (traduzido do francês - inédito em português)
• O Vampiro (1820), drama em dois atos de James Robinson Planché (traduzido do inglês - inédito em português)
• A Noiva das Ilhas (c. 1825), bluebook gótico anônimo (traduzido do inglês - inédito em português)
• O Vampiro (1833), novela por Isidor (traduzido do alemão - inédito em português)
• Duas resenhas sobre O Vampiro (ambas de 1819, traduzidas do inglês - inéditas em português)
• Trechos do diário de John William Polidori e Percy Shelley (traduzidos do inglês - inéditos em português)
• Cartas escritas por John William Polidori, cartas endereçadas a John William Polidori, cartas sobre a autoria do conto O Vampiro, cartas sobre John William Polidori (traduzidas do inglês - inéditas em português)
• Trecho de uma Carta de Genebra (1819), ensaio anônimo sobre lendas vampíricas e sobre o conto O Vampiro (traduzido do inglês - inédito em português)
• Fragmento de uma História de Fantasmas, poema de Percy Shelley (traduzido do inglês - inédito em português)
• Seios diabólicos e outros delírios: reimaginações cinematográficas de Villa Diodati, artigo inédito do pesquisador Carlos Primati sobre como o cinema representou o convívio de Polidori, Byron, Clairmont e os Shelley na Suíça
• Posfácio, pela organizadora Marina Sena
As páginas iniciais e finais dos volumes da coleção Imaginário Gótico são marcadas pelos ornamentos arquitetônicos de estilo gótico e neogótico, como se o percurso de leitura representasse a travessia do leitor por um "templo literário" no qual a lógica do cotidiano cede espaço ao grotesco, ao frenético e ao sobrenatural.
Todas as traduções já foram finalizadas, e o livro se encontra hoje editado e diagramado. Confira abaixo o cronograma planejado (que pode vir a sofrer leves alterações).
Fevereiro e março: Divulgação da campanha.
Março: Revisão.
Abril: Segunda revisão.
Maio: Produção das recompensas. Aprovação da prova física.
Junho: Impressão e início dos envios.
Julho: Término dos envios até o fim do mês.
Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades. Isso pode ser feito tanto durante a campanha quanto após ela.
Nossas edições trazem abundantes informações em prefácios, posfácios e notas de rodapé.
A ecobag do projeto virá na cor vermelha com estampa e alças pretas.
O cartão postal do projeto é exclusivo e não será reimpresso após o fim dela.
O marcador de página da obra vem em todos os pacotes e inclui um fitilho de cetim adicionado de forma artesanal. Esse fitilho pode ser substituído por um fitilho no próprio livro caso a meta estendida correspondente seja atingida.
EDIT: A meta foi atingida.
A cada campanha, conseguimos atingir novos leitores que ainda não conheciam nossas editoras, motivo pelo qual incluímos um combo da coleção Imaginário Gótico que também inclui os dois primeiros volumes.
O primeiro deles é o primeiro romance gótico alemão, O Aparicionista (1787-1789), do dramaturgo e filósofo Friedrich Schiller. Trata-se de um romance inacabado (apenas duas partes de quatro originalmente planejadas foram publicadas), mas isso não impediu que a obra se tornasse extremamente influente na trajetória da literatura gótica.
O segundo é O Necromante (1792), de Lorenz Flammenberg. Além de ser uma das clássicas horrid novels listadas por Jane Austen no romance Northanger Abbey, numa cena cômica na qual uma leitora compulsiva de romances góticos recebe dicas das obras mais horrendas disponíveis na época, esse romance é um exemplo perfeito do Schauerroman ("romance de calafrios"), a contrapartida germânica ao romance gótico de origem britânica.
O combo da Aetia Editorial traz uma comédia de J. W. Goethe, O Grande Cophta, na qual contracenam bruxos, charlatões e a alta nobreza de Versalhes às vésperas da Revolução Francesa. O livro conta com alguns extras: a versão preliminar do texto como ópera (O Cophta), dois poemas lançados por Goethe sobre a figura do bruxo Cagliostro e um extenso posfácio de Felipe Vale da Silva explicando contexto e problemáticas suscitadas na obra.
O pacote com o combo da editora Sebo Clepsidra traz o livro Poemas de Vampiros (2019), de R. F. Lucchetti, ilustrado pela premiada artista Anasor (64 páginas em papel off-white e capa dura), prefaciado por Cid Vale Ferreira e com biografia do autor por Carlos Primati.
John William Polidori nasceu em 7 de setembro de 1795, em Londres. Era o filho mais velho de Gaetano Fedele Polidori (1763- 1853) e Anna Maria Pierce (1774-?), uma governanta inglesa.
John teve uma educação essencialmente católica, visto que o Catolicismo era a religião de seu pai. Em outubro de 1811, Polidori faz sua entrada na University of Edinburgh. Ele gostaria de ser padre, mas, por desejo de seu pai, estuda medicina.
No ano de 1816, John retorna a Londres, com poucas perspectivas de carreira. À mesma época, entretanto, o poeta inglês Lord Byron (1788- 1824) procura por um médico que pudesse acompanhá-lo em sua partida da Inglaterra. Depois de algumas negociações, o acordo entre o médico e o poeta estaria feito.
Polidori deixa a Inglaterra com Lord Byron em abril daquele ano. Eles viajam pelos Países Baixos, Alemanha e Suíça. Em 25 de maio, Byron e Polidori chegam a Genebra, onde se juntam a Mary Godwin – ainda solteira –, Percy Shelley e Claire Clairmont. O grupo permanece, durante o verão, em Villa Diodati, a convite de Lord Byron. Diodati é o lugar onde acontece a famosa competição de histórias de fantasmas, que dará origem aos clássicos Frankenstein (1818), de Mary Shelley, e “O Vampiro” (1819).
Depois de alguns desentendimentos, Lord Byron dispensa os serviços de Polidori em setembro de 1816. Antes de deixar Genebra, tenta cometer suicídio, mas é impedido por Byron. Sobrevivendo, atravessa os Alpes e vai para a Itália.
Em abril de 1817, sem ter encontrado novas esperanças na Itália, Polidori retorna à Inglaterra. Entretanto, pouco depois de chegar a Londres, segue para a Noruega com a intenção de se estabelecer como médico e escritor. Lá, ele abre um pequeno ambulatório, onde trata majoritariamente de pessoas pobres.
Sem conseguir arcar com as despesas que tem na Noruega, Polidori retorna mais uma vez a Londres em janeiro de 1819. Ele abandona sua carreira de médico e escreve algumas resenhas de livros literários e não literários para jornais da época. Em abril do mesmo ano, seu conto “O Vampiro” é publicado sem sua autorização pela New Monthly Magazine, com a autoria atribuída a Lord Byron.
Em agosto de 1820, Polidori desiste da carreira literária e decide estudar Direito. Um ano depois, em 24 de agosto de 1821, sem ter obtido sucesso em nenhuma de suas carreiras, e tendo adquirido dívidas de jogo, John comete suicídio na casa de seu pai, em Londres, por envenenamento. John Polidori morreu sem filhos e sem esposa.
Sua obra ficcional compreende duas peças de 1816, Cajetan e Boadicea; dois livros de poesia, Ximenes, The Wreath and Other Poems (1819) e The Fall of the Angels: A Sacred Poem (1821); um conto, “O Vampiro” (1819); e um romance gótico, Ernestus Berchtold; or, The Modern Œdipus (1819). Entre seus trabalhos não ficcionais podem ser enumerados: Oneirodynia (1815); On the Punishment of Death (1816); An Essay Upon the Source of Positive Pleasure (1818); e Sketches Illustrative of the Manners and Costumes of France, Switzerland and Italy (1821).
Marina Sena
[Inglês] - Marina Sena é tradutora e pesquisadora. Atualmente é doutoranda em Teoria da Literatura e Literatura Comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Desenvolve uma pesquisa que investiga a presença do Gótico na literatura brasileira do século XX, em especial nas obras dos escritores ligados ao romance de 30. É membro do Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico e traduziu E. A. Poe e H. P. Lovecraft para o livro “As Artes do Mal: textos seminais” (2018).
[Francês] - Bruno Anselmi Matangrano é bacharel, mestre e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), dedicando suas pesquisas às literaturas simbolista e decadentista, bem como às vertentes do insólito ficcional. É também tradutor e autor de Contos para uma noite fria (2014) e Fantástico Brasileiro: o insólito literário do romantismo ao fantasismo (2018), com Enéias Tavares.
[Alemão] - Felipe Vale da Silva é professor, editor e tradutor de dez livros para o português. Recentemente foi agraciado com o prêmio Jacó Guinsburg de melhor tradução do alemão pela Prosa de Ficção Completa, de Friedrich Hebbel. Doutorou-se em Literatura Alemã pela Universidade de São Paulo (2016) e, em 2019, adquiriu seu pós-doutorado junto à Universidade Federal de Goiás em uma pesquisa sobre literatura e ativismo antiescravista nos EUA.
Caso nossa arrecadação nesta campanha supere a meta principal, cada uma das metas estendidas abaixo passa a incrementar os pacotes de todos os apoiadores no momento em que forem alcançadas.
130% ATINGIDA - O livro terá um fitilho marcador de página de tecido (substituindo o fitilho do marcador de página).
150% ATINGIDA - Uma leitura dramática de um trecho da narrativa de Polidori será disponibilizada em áudio no canal do Sebo Clepsidra no YouTube.
160% ATINGIDA - Uma nova narrativa será incluída no livro. O Vampiro Negro: Uma Lenda de São Domingos (1819), de Uriah Derick D'Arcy, é a primeira narrativa estadunidense com vampiros, além de ser a primeira a apresentar um vampiro afrodescendente. Inédita em português! Cerca de 40 páginas.
170% ATINGIDA - Todos os pacotes incluirão os marcadores de página dos dois volumes anteriores da coleção.
190% ATINGIDA - Uma nova peça será incluída no livro. O Vampiro, ou a Noiva das Ilhas! (1820), de J. R. Planché, baseava-se no drama de Nodier e foi a primeira peça vampírica britânica. Inédita em português! Cerca de 30 páginas.
200% ATINGIDA - Uma nova narrativa será incluída no livro. A Noiva das Ilhas (c. 1825), um bluebook gótico anônimo que adaptou a peça de Planché para a prosa. Inédita em português! Cerca de 20 páginas.
220% - Uma leitura dramática de um trecho da narrativa de Isidor pelo projeto Contos de Pandora será disponibilizada em áudio no canal do Sebo Clepsidra no YouTube.
Malu Paixão e Giovanna Rubbo (Contos de Pandora)
240% - Inclusão de uma galeria de imagens com cerca de 14 páginas.
A editora paulistana Sebo Clepsidra, ligada às livrarias de mesmo nome e membro-fundador da Coesão Independente, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles).
Aetia é uma editora paulistana que surge da iniciativa de profissionais de Letras e Design de publicar obras da literatura universal inéditas ou pouco acessíveis em língua portuguesa. A editora é um membro da Coesão Independente desde o início do coletivo.
AGRADECENDO A DIVULGAÇÃO
Se você divulgou esta campanha e quer ser listado aqui, envie-nos o link da divulgação para cidvale@gmail.com. Agradecimentos especiais à equipe do próprio Catarse!
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