A Editora Ex Machina traz pela primeira vez o romance Vigílias Noturnas
(1804), de August Klingemann, para os leitores brasileiros. Além da tradução inédita, nossa edição conta com notas e um prefácio do tradutor contextualizando o livro e seu autor.
Vigílias Noturnas foi publicado em 1804 sob o pseudônimo de Bonaventura, com o título Die Nachtwachen des Bonaventura (As Vigílias Noturnas de Bonaventura). O livro é dividido em dezesseis capítulos, sendo cada um deles uma vigília narrada por Kreuzgang, um poeta fracassado e guarda-noturno que patrulha as ruas de uma sombria cidade alemã do século XVIII. Nessas rondas, Kreuzgang observa os mistérios da noite e testemunha, através de janelas e portas entreabertas, angústias, crimes, sofrimentos e mortes dos citadinos. Kreuzgang narra suas visões com doses de humor cínico, enquanto medita sobre temas caros à literatura romântica como a existência, o ser humano, a morte e o Nada. O resultado é um dos textos mais irreverentes de sua época.
Ernst August Friedrich Klingemann (1777-1831)
foi um escritor, editor e diretor
de teatro. Estudou em Jena, onde foi aluno de Fichte, Schelling e
Schlegel, três dos principais autores do romantismo alemão. Desde
muito jovem aproximou-se da literatura e da filosofia românticas,
bem como do teatro. Sob sua direção, o teatro de Braunschweig –
sua cidade natal –
apresentou, em
1829, a primeira
encenação do
Fausto
de Goethe.
Vigílias Noturnas permaneceu como um mistério por quase dois séculos: a quem atribuir a autoria dessa obra singular? Alguns contemporâneos acreditavam que o livro teria sido escrito por Schelling, Schlegel e ainda outros. Schelling, em especial, usou o mesmo pseudônimo que assina as Vigílias (Bonaventura) em alguns poemas de 1802, dois anos antes da publicação de Vigílias, fato que levou o público a especulá-lo como provável autor.
Foi apenas em 1987, há pouco mais de trinta anos, que a autoria foi finalmente descoberta. Uma pesquisa nos papéis do editor das Vigílias revelou que os honorários do livro de fato foram pagos a August Klingemann. Nesse contexto, a recepção crítica de Vigílias Noturnas foi muito diversa. Por um lado, dezenas de escritores e filósofos admitiram a influência do romance anônimo em seu pensamento, ou exprimiram algum tipo de admiração pelo livro; por outro, a falta de um nome de peso que carimbasse a capa e chancelasse a excelência do livro colocou um grande ponto de interrogação sobre o lugar de Vigílias Noturnas na história da literatura alemã. Mesmo assim, o livro influenciou pensadores como Nietzsche, Heidegger e Sartre, além de movimentos artísticos como o expressionismo.
"The Bathos" (1764), gravura de William Hogarth mencionada no livro. A colorização foi realizada pelo ilustrador Tulio Caetano especialmente para a nossa edição.

Brochura em formato 14 x 21 cm, cerca de 160 páginas
em papel off-white e marcador de página 18 x 5 cm.

110% - O livro terá o opúsculo “A brochura do Diabo” (Des Teufels Taschenbuch), texto inédito de August Klingemann publicado em 1805 como material de divulgação de Vigílias Noturnas. Rara, essa obra não costuma ser publicada mesmo em edições mais recentes do romance. O texto, assinado pelo próprio Diabo (e direcionado aos demônios) é um exercício de ironia e sátira sobre o homem e a modernidade.
120% - O livro terá duas cartas da época sobre Vigílias Noturnas. A primeira é uma carta do filho de Schelling ao filósofo J.H. Fichte, discutindo a questão da autoria do livro (por ser publicado sob um pseudônimo, acreditava-se que Schelling poderia ter sido o autor). A outra carta é do filósofo Rudolf Seydel ao professor Christian Hermann Weiße, mencionando sua leitura das Vigílias.
130% - Revelação em breve...
Felipe Vale da Silva é editor, tradutor e educador paulistano radicado no interior do Paraná. Doutorou-se em Germanística pela USP e pela MLU Halle-Wittenberg (2016) e, em 2019, desenvolveu uma pesquisa pós-doutoral de resgate da literatura antiescravista estadunidense. Atualmente, divide suas horas entre docência, tradução e divulgação científica. Algumas de suas produções podem ser encontradas no SASTRA (Grupo de Estudos do Sudeste Asiático), na Aetia Editorial e no podcast Doenças Tropicais. Em 2019, foi agraciado com o prêmio Jacó
Guinsburg de melhor tradução do alemão com
Prosa de ficção completa de
Friedrich Hebbel. Entre os 32 títulos que já traduziu, trouxe para o
português autores como Barth, Schiller, Marx/Engels, Heine, Novalis,
Goethe. Em nossa edição das
Vigílias Noturnas, assina também a introdução e as notas.

A Coleção De Profundis cura e apresenta ao leitor brasileiro obras pouco conhecidas do grande público em traduções cuidadosas, sempre acompanhadas de paratextos. Tem como foco textos singulares e visionários que fogem ao cânone, mas que possuem grande valor artístico e cultural. Além disso, a De Profundis conta com um conselho editorial de pesquisadores da literatura, autores, tradutores e historiadores que enriquecem nossa curadoria: Alcebiades Diniz Miguel, Gustavo de Carvalho, Júlia Lobão, Karine Simoni, Oscar Nestarez e Úrsula Antunes.
Vigílias Noturnas é a publicação inaugural da coleção.
A Editora Ex Machina
é baseada em software livre (GNU/Linux, LaTeX, Overleaf). Publicou
crônica, poesia, contos, filosofia, HQ e a mais minuciosa e extensa
antologia de contos lovecraftiana em língua portuguesa,
Contos reunidos do mestre do horror cósmico. Lançou em 2020, em coedição com a editora Sebo Clepsidra, a coletânea Contos clássicos de fantasma. Em 2021, publicou também em coedição com a Clepsidra Repique macabro e outras histórias estranhas, de Robert Aickman, o celebrado autor moderno de horror e das strange tales,
até então inédito em língua portuguesa. Concentra-se na publicação de
literatura fantástica, com enfoque no horror, sempre buscando resgatar
autores esquecidos e apresentá-los em edições inéditas e cuidadosas ao
público brasileiro.

Vem conhecer projetos incríveis, acesse este link e descubra!
O livro já se encontra traduzido, anotado e editado. As artes de
capa e marcadores também já estão finalizadas. Graças a isso, a entrega
poderá ser mais rápida do que o previsto abaixo:
- Fevereiro e março: Divulgação da campanha;
- Abril: Tradução e edição do conteúdo das metas estendidas;
- Maio: Diagramação das metas estendidas e revisão final;
- Junho: Produção gráfica e envios.







