COLETÂNEA DEFINITIVA DAS HQS ERÓTICAS DE WALLY WOOD, UM DOS MAIORES AUTORES DA HISTÓRIA DOS QUADRINHOS

200 PÁGINAS DE AVENTURA, SÁTIRA E MUITO EROTISMO.


A HQ reúne quadrinhos produzidos para revistas masculinas dos anos 60 a 80 e quadrinhos para maiores, publicados na Playboy, Mad e revistas da EC COMICS. São HQs e capas que flertam não só com o pornô e o erotismo, mas também, com a sátira. Suas versões irreverentes de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz; e seus contos de fadas maliciosamente sensuais, como O Príncipe Sapo, Cinderela, A Bela Adormecida e João e Maria — além de sua versão picante de Branca de Neve, Tarzan, Flash Gordon, Superman, além de hilárias e bela mente desenhadas, são inéditas no Brasil.
prepare-se para ler histórias do "Príncipe Violate", "Stuporman Encontra Blunder Woman", "Flasher Gordon", "Starzan" e até mesmo sua própria personagem, Sally Forth. Inclui também seus comentários em quadrinhos sobre sexo e sociedade, como "A Revolução Sexual" e "O Mundo Nu e Corajoso". Outras raridades incluem "O Livro de Colorir do Marquês de Sade", "Dragonella" e a coleção completa de todas as suas capas para a infame revista Screw. Uma obra imperdível aos fãs do autor, de quadrinhos e de resgates históricos.









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ATENÇÃO:
As imagens de divulgação acima são meramente ilustrativas, estando sujeitas a alteração



WALLACE ALLAN WOOD nasceu em Menahga, Minnesota, em 17 de junho de 1927. Ele contou uma vez que na infância seu sonho era ter um lápis mágico que pudesse desenhar tudo. Sua carreira realizou esse sonho.
Em 1944, aos 17 anos, terminou o colégio e, mesmo menor de idade, já entrou na 11ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA, servindo nas Filipinas, Guam, América do Sul e Itália. Com o fim da guerra, foi para o Japão ocupado e ficou na ilha de Hokkaido.
De volta aos EUA, cursou a Escola de Arte de Minneapolis por um tempo e depois foi para Nova York e se matriculou na Cartoonists and Illustrators School (atualmente School of Visual Arts), de Burne Hogarth.
Nesse período ficou amigo dos futuros colegas, que logo seriam importante nomes da nona arte: John Severin, Charlie Stern, Harvey Kurtzman e Will Elder. Foi quando descolou seu primeiro trabalho, como arte-finalista de ninguém menos que Will Eisner.
Na sequência virou assistente de George Wunder que tinha substituído Milton Caniff em Terry and The Pirates. Aos poucos, foi fazendo letras, arte e arte-final para editoras como Fox, Avon e Star Publications, em gêneros como ficção científica, romance, western e terror.
Seu estilo realista era similar ao de um mestre como Hal Foster, mas com a personalidade própria que só os grandes artistas têm. É impressionante ver como ele conseguia mudar completamente o traço quando fazia humor, explorando o máximo da caricatura. Wood era um dos raros desenhistas que conseguia algo assim.
Por isso foi chamado pelos amigos que tinham entrado na EC Comics. Wood produziu para títulos como Modern Love, Saddle Romances, A Moon, A Girl, Romance, War Against Crime e Gunfighter. Quando a editora se tornou o fenômeno de vendas com a linha New Trend, Wood foi um dos mais atuantes roteiristas/desenhistas das revistas que viraram um cult dos quadrinhos, principalmente nas de guerra e ficção cientifica. Wood se tornou uma referência e influência para gerações e gerações.
Foi ele quem estabeleceu os fantásticos cenários de Sci-Fi cheios de detalhes e elementos tridimensionais. Por isso ganhou o apelido de "decano dos artistas de ficção científica". Nas de guerra, Wally Wood era um dos poucos que o editor/autor Harvey Kurtzman dava total liberdade para criar. Sua história sobre a bomba atômica de 1945 em Nagasaki, publicada em Two-Fisted Tales # 33 com capa de junho de 1953, é outro clássico (e o título original dessa coletânea).
Em 1952, ajudou a Jules Feiffer a substituir Eisner no The Spirit, auxiliando com letreiramento, background e até desenhos. Quando Harvey Kurtzman criou a Mad, botou Wood na brincadeira como um dos seus principais colaboradores. Foi a dupla que fez icônicas HQs como Superduperman, zoando o processo National X Fawcett, e 3-Dimensions!. E uma infinidade de paródias de quadrinhos e filmes. Todas no seleto grupo de Melhores da Mad de todos os tempos. Mesmo quando Kurtzman saiu, Wood seguiu na revista até 1964.
Apesar da crise no mercado, Wood graças à sua versatilidade seguiu produzindo nas décadas de 50 e 60. Inclusive para publicidade, para Warren (com HQs de terror e nas de guerra, inspiradas na EC e presentes aqui) e para National (hoje DC Comics).
Na casa do Batman esteve nas de guerra como All-American Men of War e Our Fighting Forces. E tocou a arte-final para Kirby em algumas edições da HQ Challengers of the Unknown. Quando Jack Kirby escreveu a tira de jornal Sky Masters of the Space Force, entre 1958 e 1961, Wood fez a arte-final em alguns episódios iniciais (numa polêmica bem confusa, envolvendo até processo judicial entre Kirby e o editor da National Jack Schiff).
Com o surgimento da Marvel, Stan Lee não ia deixar de fora um nome como Wally Wood. Ele foi definitivo para dar um upgrade em Daredevil (Demolidor), personagem que Lee e Bill Everett tinham criado na Daredevil #1, com capa de abril de 1964. Wood assumiu na #5, com direito a Lee anunciando na capa e tudo:
- Sob a perícia artística do famoso ilustrador Wally Wood, o Daredevil atinge novas glórias!
O artista mudou a roupa para o conhecido traje vermelho e definiu visualmente como o radar de Matt Murdock funcionava (algo depois seguido pelos sucessores Jack Kirby e John Romita). Mas deu ruim. Wood tocou as edições de #5 a #8. Só que ficou claro, para alguém com sua experiência e talento, que tinha algo errado no Método Marvel. Wally Wood, com razão, entendeu que estava desenhando e criando roteiros, sem receber dinheiro e créditos pelo seu trabalho como roteirista. Ele saiu brigado e foi talvez o fundador de um clube de artistas magoados com o jeito de agir do editor da Marvel que, com o tempo, teria mais e mais membros.
Fora da Marvel, Wood passou pela Tower Comics (onde virou editor, em 1965, e criou os super-heróis T.H.U.N.D.E.R. Agents, com Len Brown), foi pioneiro em criar a revista Witzend (com foco no leitor adulto, os direitos eram dos autores e, ao lado da Mad, foi uma das inspirações do underground comix) e a revista Heroes, Inc. Presents Cannon (uma das primeiras independentes, no gênero super-heróis e com autores como Steve Ditko).
Na virada da década de 60 para 70 voltou às duas grandes. Na Marvel, com Roy Thomas, Linda Fite e a artista Marie Severin, criou a super-heroína The Cat (Tigresa). Na National, foi arte-finalista para nomes como Steve Ditko, Jose Luis Garcia-Lopez e Walt Simonson. E foi desenhista de diferentes títulos da editora, como House of Mystery, House of Secrets e The Unexpected.
Mas sua mais conhecida contribuição foi desenhar para o grupo All Star Super Squad na All Star Comics. Foi Wood quem criou, com Gerry Conway, a Power Girl (Poderosa), a Supergirl da Terra 2. A heroína se tornou famosa por ter os maiores seios dos quadrinhos, uma típica sacanagem de Wood.
Falando em sacanagem, Wood também tem alguns clássicos nesse tema, como The Disneyland Memorial Orgy (1967), Sally Forth (1968-1979), Malice in Wonderland (1976-1977), Wizard of Ooz (1979) e Gang Bang (1980-1981).
Seus últimos trabalhos foram participar do clássico underground, Big Apple Comix, e as graphic novels The King of the World (1978) e Odkin, Son of Odkin (1981).
Infelizmente, Wally Wood era do tipo que carregava muita dor com sua arte, reforçando o romântico estereótipo do artista atormentado. Durante toda sua vida, lutou com vários demônios internos (um dos motivos de batizamos essa obra de As Guerras de Wallace Wood). Isso causou impactos na esfera pessoal (foi casado três vezes) e na profissional (com prazos perdidos e brigas).
Seu processo criativo o fazia virar noites em claro, a base de café, cigarro e bebida (acabou se revelando alcoólatra). A partir da década de 1960, passou a sofrer fortes enxaquecas e depressão. Para piorar, Wood entendeu muito bem a falta de respeito com que a indústria tratava os artistas.
Com sua saúde foi piorando, ficando cego de um olho, afastando-se do injusto meio das HQs e foi morar em Los Angeles. Apaixonado por música country e folk, gravou um álbum que lançou em 1978 chamado Wally Wood Sings. Chegou a dar uma palhinha em bares. Quando os excessos vieram cobrar o custo, com seu rim falhando a ponto de talvez precisar de transplante, Wally Wood atingiu seu limite.
Na noite de Halloween, em 31 de outubro de 1981, um dos maiores artistas da nona arte se suicidou. Ele tinha 54 anos. Wally Wood não foi apenas um dos maiores gigantes da nona arte. Ele foi umas das mais emblemáticas vítimas do mercado.
Wally Wood recebeu diversos prêmios. Em 1957, 1959 e 1965 o National Cartoonists Society Comic Book Division; em 1965 o Alley Award Best Pencil Artist; em 1966 o Alley Award Best Inking Work; em 1978 o Best Foreign Cartoonist Award no Angoulême International Comics Festival; em 1989 inaugurou o The Jack Kirby Hall of Fame (prêmio que depois se dividiria no Eisner e no Harvey); em 1992 entrou no Will Eisner Award Hall of Fame; e em 2011 no Inkwell Awards Joe Sinnott Hall of Fame Award.
Uma curiosidade final. O artista tinha anotações visuais que o ajudavam na hora de compor um layout eficaz da página. Uma amostra desses quadros foi publicada em The Wallace Wood Sketchbook por Bill Crouch em 1980. O editor da Marvel e amigo, Larry Hama, renomeou e editou o guia original. Batizado de 22 Panels That Always Work (22 quadros que sempre funcionam) se tornou o Cálice Sagrado das HQs, a referência definitiva para qualquer quadrinista que pensa desenhar uma página de quadrinhos.

Wallace Wood desenhando uma coelhinha da Playboy não identificada em um evento da National Cartoonists Society na cidade de Nova York, por volta de 1964.

Com tradução de Carlos Rutz publicado com o selo AURORA HQS da Tábula, voltado para obras que mudaram a nona arte, o quadrinho tem 200 páginas, capa cartão, miolo preto e branco e colorido com folhas de alta gramatura

EM AGOSTO PELOS CORREIOS














