Desde que o mundo aprendeu a contar histórias, ela estava lá.
Não importava o nome que lhe dessem, nem a forma que escolhessem para representá-la.
Quando a injustiça tocava um inocente, era ela quem vinha cobrar o preço - e sempre da pior maneira possível.
Yantra, a deusa-coelha.
Yantra, o demônio dos doces.
Seu surgimento era sempre o prenúncio de assassinatos brutais, cruéis, reservados aos injustos e aos perversos.
Traição, preconceito, violência, ódio: qualquer um que ousasse ferir um inocente poderia ouvir seu nome sussurrado nos ventos, acompanhado do cântico infantil e assustador que anunciava sua presença.
"Pop, say, squish, Yantra está vindo te pegar.
Pop, say, squish, Yantra vai te salvar.
Pop, say, squish, Yantra vai te vingar.
Pop, say, squish, Yantra vai te fazer ficar doce..."
Diziam que bastava entoar esse cântico três vezes, no silêncio da madrugada, para que ela surgisse.
Primeiro vinha a queimadura - uma marca em forma de orelhas de coelho gravada na pele - sinal de que Yantra havia escolhido aquele corpo para realizar sua vingança.
E então, no instante seguinte, ela tomava o controle.
Desde os primórdios havia registros dela - pinturas, gravuras, símbolos perdidos nas mitologias de todas as eras e povos. Seu nome mudava, sua história era recontada de jeitos diferentes, mas o núcleo nunca mudava: a justiça brutal era sua assinatura.
A forma mais comum que assumia era a de uma mulher ruiva com orelhas de coelho... mas essa era apenas a fachada.
Seus escolhidos, aqueles que ela protegia, viam sua verdadeira aparência: uma coelha de corpo feminino, carregando um sorriso gentil e hipnotizante.
Já suas vítimas tinham outra visão - um sorriso psicótico, distorcido, que era a última coisa que viam antes da morte.
A lenda ainda conta que Yantra pica a carne de suas vítimas, mói seus ossos e transforma tudo em doces - belos, atraentes, impossíveis de ignorar.
Antes de matá-las, ela as seduzia com o aroma irresistível dessas criações.
E então revelava a receita: carne humana, farinha de ossos e doses cavalares de cicuta.
Ela era cruel.
Ela era justa.
Vingadora. Psicótica. Doentia.
Yantra está de volta.






