Olá, pessoal! Antes de tudo, um pedido: se alguém ainda não recebeu o exemplar de "Confissões" ou se o recebeu avariado, entre em contato para solucionarmos a questão. Escreva para alexey.dodsworth@gmail.com e envie foto do livro avariado. Se não recebeu o material, envie o CEP.
Algumas pessoas têm perguntado sobre como comprar "Confissões", agora que a campanha do Catarse encerrou. Estamos fazendo a distribuição em livrarias e em breve faremos lançamentos em Salvador e no Rio de Janeiro. De todo modo, para adquirir um exemplar é bastante simples: basta pedir que o interessado envie uma mensagem de whatsapp para o número 11 914810700.
Escrevo também para contar algumas boas novidades sobre nosso trabalho. Semana passada, por ocasião do dia do quadrinho nacional, dei uma entrevista ao jornalista Renato Cordeiro do Programa Multicultura, na Rádio Educadora FM, em Salvador. Foi uma ótima conversa sobre as ações da Inquisição na Bahia e sobre a cena de quadrinhos nacionais, em especial os produzidos por agentes baianos. Você pode ouvir toda a entrevista no seguinte link: https://educadorafm.ba.gov.br/program/36/edicao/3234
Além disso, no dia 27 de janeiro, o antropólogo Luiz Mott, uma das maiores autoridades brasileiras sobre a história da Inquisição, escreveu uma resenha que saiu no jornal "A Tarde". Leia a seguir o texto de Mott:
A Inquisição
na Bahia em quadrinhos
Luiz Mott
A Tarde,
27-1-2024
Salvador, 50
anos depois de fundada, contava por volta de 800 vizinhos brancos e três vezes
mais de negros e índios, quando no ano do Senhor de 1591 desembarca em seu
porto temível visitante: Heitor Furtado de Mendonça, Deputado do Santo Ofício,
iniciando a primeira visitação da Inquisição da Bahia. A notícia de tão ameaçadora
inquirição deve ter-se alastrado a trote de cavalo pelos mais de 40 engenhos e
povoados espalhados pelo Recôncavo, deixando a população em polvorosa, já que a
Inquisição tinha poderes de queimar seus réus na fogueira.
O Tribunal do
Santo Ofício, fundado em Portugal em 1536, tinha como principal atribuição
perseguir as heresias: judaísmo, islamismo, protestantismo e feitiçaria, mas
também desvios sexuais como a bigamia, sodomia e o assédio sexual dos
sacerdotes no confessionário. A 1ª Visitação da Bahia foi meticulosamente
registrada nos livros de confissões e denunciações, perfazendo 120 confessantes
e mais de três centenas as pessoas denunciadas, predominando entre os “crimes”,
as blasfêmias, a sodomia, o judaísmo e as “gentilidades”, isto é, a conversão
às crenças e rituais dos brasilíndios. O primeiro colono a se autodenunciar foi
o Padre Frutuoso Álvares, 65 anos, vigário de Matoim, que confessou que “de
quinze anos a esta parte que está nesta Capitania cometeu a torpeza dos
tocamentos desonestos com alguns quarenta mancebos, pouco mais ou menos,
abraçando, beijando e tendo ajuntamentos por diante e dormindo com alguns pelo
vaso traseiro, sendo mais paciente que agente...”
O recente livro,
“As Confissões das Bahia” (de Alexey Dodsworth e Cristina Lasaitis, Ilha de
Itaparica: dos autores, 2023, 112 páginas) é inovador, em primeiro lugar por
reconstruir em quadrinhos esse capítulo dramático da história baiana. Segundo,
é obra abusada, pois selecionou sete episódios inquisitoriais assaz picantes, cujas
performances sexuais, sobretudo homoeróticas, são realisticamente ilustradas sem
qualquer censura: “quadrinhos eróticos para leitores maiores de 18 anos”.
Exatamente o oposto da primeira edição dessas mesmas confissões, quando em 1935 o circunspecto historiador
cearense Capistrano d Abreu advertia o leitor sobre as páginas com os pecados
cabeludos dos sodomitas, “assunto melindroso que exige habilidade singular em
quem o aborda. E que cada leitor pode evitar ou procurar a seu talante...”
Ilustrações
lindas, atrativa concatenação do enredo das confissões, comentários
politicamente corretos, boa ambientação histórica, edição bem cuidada, fazem
desse livro em quadrinhos um deleite para os olhos e estímulo para a leitura
integral das Confissões da Bahia, disponíveis on line
Confissões da Bahia-1.pdf