Hiromi Takano é artista visual e escritora dedicada à prática, ao estudo e à difusão das artes tradicionais japonesas no Brasil. Sua produção concentra-se no sumi-e, buscando preservar os fundamentos da tradição japonesa e, ao mesmo tempo, investigar suas possibilidades de expressão no Brasil contemporâneo.
Neta de imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil no início do século XX, teve nos avós suas primeiras referências da cultura japonesa e seu primeiro contato com o sumi-e. Aprendeu por meio da convivência, da observação e da prática, em um processo relacionado ao denshō, forma tradicional de transmissão de conhecimentos entre gerações. Nascida em Brasília, reúne em sua trajetória a memória da imigração japonesa no Brasil e a experiência cultural construída no Distrito Federal, para onde seus pais migraram no contexto da formação da nova capital.
Ao longo dos anos, esse aprendizado familiar transformou-se em pesquisa artística. Hiromi aprofundou seus estudos sobre a história, a estética e os fundamentos filosóficos da pintura japonesa, incorporando à sua prática conceitos como ma, yohaku, wabi-sabi, kokoro e denshō. Sua obra preserva princípios do sumi-e clássico, mas procura mantê-los vivos por meio de novos temas e experiências.
Um dos principais eixos de sua pesquisa é o encontro entre a tradição japonesa e a natureza brasileira. Dessa investigação nasceu o Shikunshi do Cerrado, que aproxima os tradicionais shikunshi — orquídea, bambu, crisântemo e ameixeira — da biodiversidade, das paisagens e da memória cultural do Cerrado. O projeto Recortes do Cerrado amplia essa pesquisa, articulando arte, natureza, patrimônio, sustentabilidade e intercâmbio cultural.
Sua formação em Psicologia, com especializações em Avaliação Psicológica e Arteterapia, também influencia sua atuação. Hiromi pesquisa as possibilidades do sumi-e como prática de atenção, criatividade, expressão e autoconhecimento, desenvolvendo oficinas, aulas, palestras e projetos educativos em escolas, instituições culturais, órgãos públicos, unidades de saúde e espaços comunitários. Também participa de ações voluntárias voltadas ao desenvolvimento humano e ao bem-estar.
Essa trajetória deu origem a projetos como Exposição Interativa de Sumi-e, Denshō: o Caminho do Sumi-e no Brasil, Shikunshi do Cerrado, Recortes do Cerrado, Sumi-e em Movimento e Art Beyond Boundaries Brazil. É autora dos livros Exposição Interativa de Sumi-e: a Expressão e a Prática da Cultura Japonesa por Meio da Arte, Denshō: o Caminho do Sumi-e no Brasil e Recortes do Cerrado.
Em sua atuação institucional, é fundadora e presidente do Instituto Sumi-e Brasil e membro acadêmico da Academia Internacional de Cultura, ocupando a Cadeira nº 59, cujo patrono é o mestre Sesshū Tōyō. Em 2023, assumiu também a presidência da ICCPS Brasil, a convite do mestre Ransui Yakata.
Sua produção recebeu reconhecimento no Brasil e no exterior. Em 2022, participou, a convite de Ransui Yakata, de exposição da International Chinese Calligraphy and Ink Painting Society (ICCPS), no Japão, com a obra Impermanence, que recebeu o International Culture Exchange Award. Em 2025, recebeu do Embaixador do Japão no Brasil, Hayashi Teiji, o Diploma de Honra ao Mérito Embaixador do Japão, em reconhecimento ao trabalho de difusão da arte e da cultura japonesas. Também recebeu o Certificado de Honra e o International Art Award, da International Association of Sumi e do projeto Art Beyond Boundaries, além do Mérito Cultural Palmerinda Donato e do Certificado de Mérito Legislativo.
Entre as manifestações que marcam sua trajetória está a referência do Embaixador Hayashi Teiji a Hiromi como “herdeira do sumi-e”, expressão que sintetiza sua relação com a tradição recebida de seus ancestrais e seu compromisso com sua continuidade no Brasil.
Sua poética reúne memória, natureza, contemplação e diálogo intercultural. Para Hiromi, o sumi-e é mais do que uma técnica: é uma linguagem artística e uma prática de presença, capaz de conectar pessoas, culturas e gerações.
Sua trajetória pode ser resumida em um propósito: receber uma tradição, compreender seus fundamentos, dar-lhe nova vida no contexto brasileiro e transmiti-la às próximas gerações.
