Aos meus irmãos em Cristo, que seguem cegos até o presente momento,
Talvez a coisa mais chocante e, ao mesmo tempo, mais óbvia que eu possa escrever neste momento seja a seguinte: conservadorismo não é um princípio cristão. Exatamente! Chocou aí? Pois é...
Jesus respondeu: — “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.” Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: “Ame os outros como você ama a você mesmo.” Toda a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas se baseiam nesses dois mandamentos. (Mateus 22:37-40)
Quando um fariseu pergunta a Jesus qual é o maior mandamento, Ele responde que é amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Em seguida, acrescenta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus resume toda a Lei nesses dois mandamentos, afirmando que deles dependem toda a Lei e os Profetas. E onde entra o conservadorismo nisso? Exatamente... Em lugar nenhum!
O conservadorismo é um movimento político que ganhou força na Europa após a Revolução Francesa. Em 1818, François-René de Chateaubriand utilizou a palavra francesa conservateur para batizar seu jornal político, Le Conservateur, criado durante a Restauração Bourbon com o objetivo de defender as instituições tradicionais, como a monarquia e a Igreja Católica, e combater os ideais revolucionários. Portanto, relacionar diretamente o conservadorismo moderno à Bíblia e aos princípios cristãos é incorrer em anacronismo, assim como acontece quando afirmam que Jesus era comunista (prática abominada por cristãos ditos conservadores), embora seus ensinamentos enfatizem o cuidado com os pobres, a justiça e a responsabilidade para com o próximo.
O fato é que, quando um cristão, especialmente protestante ou evangélico, estufa o peito e enche a boca para se declarar conservador, não está necessariamente defendendo a própria fé, mas assumindo uma identidade política que, em suas expressões contemporâneas, frequentemente se articula com o capitalismo e com a manutenção de estruturas patriarcais. E isso não significa que um cristão não possa ser conservador (embora não possa, com fundamento bíblico), mas que é preciso parar de confundir uma posição política com um princípio bíblico, como se fossem uma coisa só, pois não são (o óbvio precisa ser dito?!).
E a "melhor" parte disso tudo é a hipocrisia encarnada. Porque “crente” não pode ser de esquerda nem feminista, já que isso seria “levantar bandeira política”, e cristão, segundo essa lógica, não deveria tomar partido. Mas o que muitos parecem não perceber é que também estão levantando uma bandeira política. E tão alta, mas tão alta, que já é possível enxergar daqui o reluzente brilho do bezerro de ouro.
E digo mais: ser conservador NADA tem a ver com não beber, não fumar, não transar antes ou fora do casamento, ir à igreja todos os domingos, ser participativo no corpo eclesiástico etc. Essas são condutas que, para quem professa a fé cristã, devem ser orientadas pela própria convicção religiosa, pela devoção a Cristo e pela compreensão dos ensinamentos bíblicos, e não pela necessidade de sustentar um rótulo político. Se conduz sua vida assim, o faz por ser cristão, não por ser "conservador".
Se você, cristão, faz tudo isso para sustentar o título de conservador, saiba que você está em pecado. Afinal, a fé cristã não deve ser um instrumento de afirmação ideológica, muito menos uma identidade política a ser ostentada. Em tudo o que fazemos, a motivação deve ser a devoção a Cristo Jesus, e não a submissão a uma doutrinação política que entra em contradição com os próprios princípios que Ele ensinou.
O conservadorismo nada tem a ver com Jesus Cristo. Não há como presumir que uma ideologia que legitima a discriminação, restringe direitos e contribui para a opressão de pessoas esteja em harmonia com os princípios daquele que ensinou o amor ao próximo, a misericórdia e o cuidado com os marginalizados. Jesus não nos chamou para defender rótulos políticos, mas para amar a Deus e ao próximo. E amar o próximo não é uma ideia abstrata, conveniente apenas quando o outro vive, pensa, ama ou acredita como nós. É reconhecer sua dignidade mesmo quando sua existência confronta as nossas convicções.
Porque, no fim das contas, de que adianta sustentar uma aparência de santidade se o coração está mais comprometido com uma ideologia do que com os ensinamentos de Cristo? De que adianta condenar o pecado alheio enquanto se ignora a injustiça, a arrogância, a falta de misericórdia e a opressão praticadas em nome de Deus?
A pergunta que fica é: estamos, de fato, seguindo Jesus ou apenas usando o nome dele para santificar as nossas próprias convicções políticas?

