O mundo é organizado por regras, modelos e sistemas de poder. No universo das marcas, da estratégia e da criatividade, a lógica não é diferente. Mas será que esse excesso de ordem não tem nos impedido de enxergar além daquilo que já conhecemos?
“A baderna dos inadequados — Atos subversivos para repensar estratégia, criatividade e marcas”, novo livro de Daniel Padilha, nasce desse incômodo. A obra investiga como ideias, regras e significados são construídos, disputados e transformados — e convida leitores a questionar tudo aquilo que aprenderam a reconhecer como certo, único, normal ou obrigatório.
Um livro para desorganizar certezas
Ao longo de aproximadamente 260 páginas, Padilha aproxima acontecimentos históricos, movimentos sociais, filosofia, psicanálise, cultura popular, tecnologia e casos contemporâneos. O percurso vai de uma greve no Egito Antigo a uma crise no Roblox, passando por figuras como Antígona, Marietta Baderna, Thoreau, Foucault, Freud, Winnicott, Gandhi, Byung-Chul Han, Demna, Lil Nas X e Steve Bannon.
O livro se organiza ao redor de 12 atos subversivos, divididos em três grupos:
Atos de presença: desafiar, resistir, ocupar e imaginar;
Atos de significado: inverter, ressignificar, profanar e propagar;
Atos de ruptura: desestabilizar, corromper, desmoralizar e interromper.
Apesar da estrutura, a proposta não é transformar esses atos em uma nova metodologia ou em mais um manual de negócios. Eles funcionam como lentes para pensar, tensionar e agir — não como regras a serem seguidas.
A inadequação como ponto de partida
Antes abandonado e depois reescrito, “A baderna dos inadequados” também recupera a inadequação como ponto de observação. Em vez de tratá-la como pose, virtude ou diferencial profissional, o livro investiga o desconforto produzido pela distância entre aquilo que somos e aquilo que aprendemos que deveríamos ser.
É dessa rachadura que surge a possibilidade de rever certezas, imaginar outros caminhos e transformar relações de poder.
Um livro feito para receber interferências
A proposta subversiva também aparece no projeto gráfico. O livro terá uma capa deliberadamente branca e virá acompanhado de um pack de adesivos para que cada leitor possa interferir no próprio exemplar.
Vale colar, riscar, pintar, escrever, recortar, cobrir ou deixar tudo como está. A ideia é que nenhum livro precise terminar igual ao outro.
Quem cria
Daniel Padilha é comunicólogo, estrategista, professor, pesquisador e fundador do The Ugly Lab, laboratório de inovação e aprendizagem criado em 2017. Há mais de 20 anos, atua com estratégia, construção e gestão de marcas e, há 16 anos, também trabalha em sala de aula.
Seus estudos atravessam estratégia, subversão, dinâmicas de poder, criatividade e psicanálise aplicada. No The Ugly Lab, desenvolve aulas, pesquisas, ferramentas, publicações, projetos e experiências de aprendizagem a partir de uma abordagem prática, crítica e experimental.






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