Estamos vivendo um mês intenso e com muitas emoções, isso é fato. Mas se tem uma coisa que aprendi nesses últimos dias é que ainda há esperança na mente e no corpo de muita gente.
Quando saiu o resultado do primeiro turno, tudo que senti foi desesperança, medo e muita raiva. Raiva de todos que votaram no partido que quer o nosso fim, raiva desse sistema doloroso que nos oprime o tempo inteiro. Foi como se eu estivesse sentindo todo um luto de algo ainda vivo. Na terça feira, dois dias depois do luto do primeiro turno, já comecei a agir. E vi pessoas agindo também, com o coração apertado mas ainda de cabeça em pé, mesmo que na mente estivesse um mundaréu de sentimentos e cenários perigosos. Todos estavam lá fazendo o que podiam!
E sim, a gente viveu e ainda estamos vivendo esse luto do primeiro turno, mas tirei um aprendizado de tudo isso.
Eu vi pessoas dispostas a apresentar para outras que não conseguiram ir no primeiro turno, ou até mesmo para os indecisos, uma forma de saber e tentar fazer diferente agora nesse segundo turno. Vi pessoas desse Brasil inteiro se juntando pelo mesmo propósito: viver com esperança e dignidade. Um ato coletivo, uma união. Foram essas atitudes que me fizeram chegar na terapia e dizer “tô com esperança de novo, tô motivado”. Ainda temos o medo presente na mente, ainda não conseguimos prever o futuro, mas ainda estamos aqui lutando com medo. Estamos indo com tudo, mas não sozinhos. O brasileiro, ou melhor, muitos dos brasileiros, pararam de pensar no que poderia ser melhor para si, e começaram a pensar o que era melhor para todo mundo, o que poderia ser bom para todos.
Nego Bispo gosta de dizer que a vida não tem fim, e eu acredito nele. A vida é começo, meio, e começo. E a gente está fazendo justamente isso: veio da esperança antes do primeiro turno, ficamos um pouco no meio durante a primeira semana, e voltamos para começo. Voltamos a ter esperança e lutar por ela.
A luta não acaba no fim, ela só recomeça da onde parou.
Espero que não deixemos de pensar no coletivo, espero que a gente mantenha essa vontade acesa. Porque o coletivo muda o mundo, já o indivíduo só muda onde ele alcança. Então nessas 3 semanas que tivemos, nasceu em mim a esperança de uma luta potente, por algo maior que cada indivíduo desse Brasil. Sei que é difícil ter esperança quando sabemos com quem estamos duelando, mas de verdade, pra mim foi bonito ver essa união, essa junção de tantos para o único propósito. Mostrar para esses cidadãos que devemos pensar sempre no coletivo, sempre lutar para uma melhora para todos. Não vamos mudar todo mundo, isso é fato. Mas de indivíduo em indivíduo, a luta não é isolada e sim plural.
Esse texto não tem um propósito maior, na verdade é só um desabafo dessas últimas semanas, ainda sigo em luto, mas tentando iluminar a trajetória até quando der com um pouco de esperança!






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