ESFIR CHUB a ANDREI TARKÓVSKI são, ambos, cineastas russos e soviéticos com trajetórias pouco comuns, viveram em períodos extremos e seus estilos são notadamente marcados por uma assinatura inequívoca. Chub se notabilizou pela maestria na montagem de compilação de documentários. Tarkóvski se imortalizou como o escultor do tempo em filmes de ficção. Chub era jovem quando começou a trabalhar com cinema quando a União Soviética estava nascendo. Tarkóvski fez seu último filme e morreu quando a URSS cambaleava rumo ao final.
Há, porém, um laço inelutável entre esses dois mestres do cinema, além do humanismo inerente às suas obras e do país de origem, a Rússia. Ambos deitaram seus olhares sobre a Espanha franquista em períodos distintos. Chub, no calor dos acontecimentos, por meio da compilação, realizou um dos mais pungentes registros históricos da Guerra Civil Espanhola, no calor dos acontecimentos, no final dos anos 1930. Já Tarkóvski, na década de 1970, tinha estreitos laços com artistas espanhóis que haviam sido enviados por suas famílias à URSS, quando crianças, para fugirem dos horrores do conflito.
Chub voltou sua atenção ao fascismo espanhol ascendente e dessa aguda observação realizou o emblemático filme ESPANHA (1939), que ANDREI TARKÓVSKI assistiria e usaria sequências memoráveis em seu filme autobiográfico ESPELHO (1975), na sequência que ele nomeou "Os Espanhóis".
Sensível ao destino das crianças evacuadas de sua terra natal, Tarkóvski compila sequências do filme de Chub, justamente para ilustrar o contexto das famílias e a despedida de seus pequenos no porto espanhol, sozinhos, a caminho de um país desconhecido.
Chub foi, acima de tudo, um ser humano atento à história e, ao mesmo tempo, aos acontecimentos que lhe foram contemporâneos. Sabia o valor dos registros históricos para um mundo por vir. Tarkóvski assinou, com seu filme, o valor do trabalho da cineasta que o antecedeu.
Se você apoiou a campanha do primeiro volume de Minha vida é o cinema: em plano fechado, reconhecerá a imagem do cartão postal com uma imagem presente nos dois filmes: Espanha e O Espelho: uma menina sozinha, carregando uma boneca, se volta para a câmera no momento em que se dirige ao navio que a levará à União Soviética. É essa imagem, de uma criança, tão cara a Chub e a Tarkóvski, que ilustra este post.






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