Neste episódio Antonio Sergio continua sua exploração do maior movimento dentro do cinema brasileiro até hoje.
Cinema brasileiro: o Novo. Abrindo o seu próprio organismo como fosse o seu estomago a engolir todas as necessidades de matar a fome, através de um remédio duro e áspero, ao mesmo tempo consagrador, uma forma de mostrar estas doenças de um aparelho doente. Era o Eu sem dó nem diversão o Cinema Novo, em sua vertente mais nacionalista, propunha; desmontar o suave aparato da distribuição estrangeira em nossas salas que curava estes males através de uma bula falsa, com remédios que eram apenas paliativos, uma simples adoção de receita, carimbada por mãos suaves, tida de alienadora, viesse apenas mascarar a verdadeira questão: daí surgir a teoria e pratica da ESTETICA DA FOME, proposta criada por Glauber Rocha e outros participantes importantes desta cinematografia, adotassem este compromisso na feitura de seus filmes entrando por dentro das verdadeiras causas do subdesenvolvimento, tela fiel dos anos sessenta. Já citados anteriormente – DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, VIDAS SECAS, PORTO DAS CAIXAS, RIO 40 GRAUS, OS CAFAGESTES, OS FUZIS, estes últimos de Ruy Guerra, atualmente em cartaz na Mostra Ruy Guerra em Curitiba. Seus autores, Nelson Pereira dos Santos, Paulo Cesar Saraceni, Gustavo Dahal, Cacá Diegues, alguns que demarcaram esta época entrando por dentro da estética do nosso cinema com valores construídos a partir de entrada nas cinematografias europeias de vanguarda, como o Neo-Realismo Ilaliano, mas puramente alavancadas em nossa maneira de ver a realidade social do país, desde a época até hoje registrada com tamanha profundidade e compromisso.
Afresco pavoroso. Um retrato verdadeiramente diabólico das condições atuais da política brasileira com seus personagens contemporâneos revelando uma estrutura corrupta a medula, não só daqui mas das entranhas próprias da política. Ruy Guerra. Desde muito um dos grandes do cinema brasileiro vem com este filme contundente - A Fúria – acrescentando uma obra sensacional. A Fúria. Filme de 2024 fluindo absolutamente perene na sua modernidade.
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