Neste episódio Antonio Sergio Elysée inaugura a série Filmes Surpresa, onde irá explorar obras fora dos circuitos que merecem destaque.
O PSICOLOGO
A fumaça pairando sobre uma cidade. Pairando sobre uma mente doentia como este fantasma que ronda pela noite e pelos vãos da consciência. E o que dizer desta consciência que já nem sabe mais quem é – quando na verdade ninguém sabe bem o que é – mas neste filme, O Psicólogo, se destaca da própria pele como um véu se se abrindo aos poucos com uma série de personagens à beira da morte esvaindo-se em conjecturas, pensamentos e cismas que doem na alma. A América bailando em cortes dela mesma se desintegrando dentro de um grande cinema. Difícil de ser contada numa grande tela de sequências desencontradas, a não ser através desta sucessão neurótica de quadros e cenas expondo estes personagens, habitantes com seus grilos e demandas por uma felicidade sofregadas em caos. E a droga sendo a única possibilidade de escape emparedando nesta cortina de fumaça pelo céu aberto, dia e noite, sob o amplo sol e pela noite cheia de brilhos da cidade dos sonhos irrealizados. E como o fio condutor, o personagem esfumaçado em culpa, a cidade descentrada, os encontros das pessoas nesta cortina de neuroses, se realizam em momentos absolutamente deslocados como pedaços de vida soltos sem conexão, e que se moldam abundantes neste filme, aliás como todo bom encontro só acontece quando absolutamente fora de controle que o amor surge, a própria ideia de sobrevivência, neste filme o mais chapado de contradições e desencontros, que molda este roteiro surpreendente em sua tessitura beirando a alienação e onde absolutamente tudo se faz dentro de uma miríade de situações sem qualquer lógica aparente, mas que vai se costurando pelas entranha-as do vício e da decadência, a absoluta força do destino se faz mesmo sem qualquer ordem a procura da felicidade. Talvez aí o resto de equilíbrio do personagem que dá nome a este filme.
O PSICOLOGO, como a força desesperada pelo equilíbrio e causa da vida sugerida desde o início em uma frase de Norman Mailer.
O PSICOLOGO – SHRINK, filme de 2009 com Kevin Spacey no papel central. Direção de Jonas Pate. Veja mais em: https://nanu.blog.br/tag/cinemaelysee/





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