Nos movimentos de câmera adequados conferem um brilho todo especial ao seu estilo. Este cineasta, Vincente Minnelli, na história, faz a dinâmica perfeita de enquadramentos, -sim, porque ele faz uma verdadeira viagem e, por este sonho ele inventa movimentos de câmera, gruas e escalas de alturas e larguras de espaço que dão profundidade aos cenários, colocando aos números musicais o fulgor da beleza, o esteticismo, e exaltação da poesia aí contemplando a exuberância do capitalismo. O sonho incorporado como valor de consciência e como fator social e como tal, os cenários feitos em estudio tinham caráter de realidade.
A materialidade tem preponderância na obra de Minnelli. E a sua ideia de cinema se infiltra no seio da produção criando um engate entre as plantas da realidade e o próximo passo que alça nas alturas. No meio das gentes, nesta ciranda buliçosa dançando nas ruas e becos da vida uma desamarra de sentidos produzidos em estudios vão todos engatados no sonho. É a própria ideia do musical e toda a materialidade do espirito, ou sentimento, é transferida para a construção material do cenário, figurino, música, dança, cor e luz. Tudo corre perfeitamente sem qualquer trava que impeça este fulgor, cria uma outra dimensão dançando na terra. Ou seja, a perfeita junção de todos os elementos que compõem um filme, a própria ideia da arte que junta todas estas peças em um só produto – a descrição do cinema como o sonho da sétima arte.
No entanto o contraste se estabelece em Vincente Minnelli. A imensa capacidade de lidar com atmosferas diferentes, daí o núcleo de seus filmes simbolizar tanta veia dramática: a cor cede ao escuro nos filmes preto e branco. A realidade se desengata e vem pegar nos dramas claustrofóbicos onde as paredes se curvam, os cenários se distorcem e a câmera, antes aberta ao frescor da luz, agora se enclausura no drama mais pesado cheio de tensão e roteiros complexos filtrados no peso que a sociedade desempenha e constrói seus próprios cadeados...
Seus filmes de um fulgor dos musicais: Gigi, Sinfonia de Paris, Roda da Fortuna, entre outros e Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, Sede de Viver, Adeus as Ilusões, alinham o tom grave das emoções no rastro do chão medido na distância que se permite. Vincente Minnelli, o mago das cores e do movimento dançando entre as nuvens da realidade e no sonho do tempo que o cinema faz desde sempre. Um dos grandes cineastas desta história.
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