Bom domingo pessoal! Estão bem?
O Domingou de hoje é para todos e espero que gostem. Aos não apoiadores, considere ser um apoiador doando qualquer valor ou escolhendo um pacote de recompensas.
Esse é um domingo especial. Batemos 30% e estamos chegando no meio da campanha. Agora falta menos de 32 dias restantes pra bater a meta total da campanha e financiar nosso livro. Antes do texto da Ana, eu (Jean) quero conversar um pouco sobre como anda a nossa campanha.
A urgência bate a porta e agora, mais do que nunca, precisamos do apoio de todos. Tanto em divulgação, como em financiamento. É importante que mais pessoas descubram sobre a campanha e sobre do que se trata o nosso projeto. Muita gente chega aqui por meio de indicação mesmo a gente divulgando nas redes todo dia. Vocês ajudam demais e agradecemos o esforço nessa nossa luta.
No próximo final de semana iremos contar a vocês sobre as metas estendidas, mostrar novas páginas exclusivas das histórias e novas curiosidades.
Agora, fiquem com o texto de Ana!
(Foto: Jeferson Delgado https://rollingstone.uol.com.br/noticia/emicida-fa...)
Antes mesmo do termo "griô" começar a se difundir no Brasil, os griôs eram conhecidos como guardiões dos saberes populares.
Porém durante muito tempo diversas práticas destes mestres, como espiritualidade e medicina popular, mesmo apresentando um papel fundamental no funcionamento da estrutura de nossa sociedade, desde os tempos da invasão colonial, foram excluídas socialmente, mal vistas e marginalizadas.
A invasão e colonização do Brasil criou um trauma social muito grande em seu povo. Durante o processo colonial, quando violências foram cometidas contra os indígenas e posteriormente contra africanos, com a imposição de costumes religiosos e práticas culturais, muita informação, conhecimento e sabedoria foram perdidos ou calados. Tentaram enterrar a sabedoria ancestral dos povos que formaram o Brasil. Impondo uma cultura de escrita como única fonte e forma de saber a medida que invalidou o poder de conhecimento de toda cultura oral.
A nossa verdadeira história não foi contada nos livros nas escolas. A verdadeira história foi passada de boca a boca, de geração para geração entre senzalas, praças, plantações de cana, minas de ouro, entre cais e portos. A verdadeira história foi contada através de metáforas e floreios de linguagem em canções de trabalho ou cantigas de ninar. Nas noites em que a fogueira ardia nas celebrações do jongo, as palavras secretas eram pronunciadas, entre mandingas e danças, entre o cheiro de plantas e raízes de cura.
É necessário também frisar e ressaltar aqui a importância da influência dos indígenas na criação da figura do griô brasileiro. Eram os indígenas quem mais tinham conhecimento dos segredos de nossa geografia e ambiente nos tempos da invasão colonial. Foi deles que herdamos instrumentos musicais, comida, lendas e mitos. Foi dessa mistura que nasceu nosso jeito lindo de falar as palavras.
(Foto: Cacica Maiá, griô indígena baiana)
Os griots e os aspirantes estão criando e restaurando a humanidade do povo negro a partir dos mitos, contos, fábulas, das histórias. Vários aspectos são tratados de forma com que adultos e crianças se enxerguem, se sintam representados e encontrem alívio ou força. Eles são mediadores da sociedade e utilizam a palavra como principal instrumento. Os griot resolvem conflitos e levam a calma, são músicos, poetas, atores.
Nos tempos atuais, é possível estabelecermos uma aproximação entre o griot do passado e griot da atualidade, à exemplo de artistas negros que utilizam de várias formas de expressões contemporânea (canto, dança, performances, instrumentos musicais) e atuam como agentes responsáveis pela transmissão e preservação da história. Sejam essas histórias resgate da história africana no Brasil ou reafirmação e resistência do cotidiano da comunidade negra em nosso país. Através de suas letras, melodias e performances, possibilitam uma reflexão sobre questões importantes de identidade étnico-racial, sobre a negação do direito de reivindicar a própria identidade negra e o silenciamento vivenciado que exclui e coloca à margem a população negra.
No Brasil, o entendimento do conceito de "griô" vem se reinventando e faz-se necessário conhecer, reconhecer esses mestres que levam a tradição da oralidade e cultura popular nos mais variados locais. São Rezadeiras, parteiras, raizeiros, bonequeiros, contadores de histórias, repentistas, curandeiros, erveiros, sambadeiras, benzedeiras, músicos, dançarinas, mestres e mestras da capoeira, marisqueiras. Que promovem a lembrança dos aspectos apagados do passado e abrem espaços de resistência.
(Chadwick Boseman 1976 - 2020)
Referências
BAUMAN, Zigmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad.: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
Por dentro da África blogger: http://www.pordentrodaafrica.
VAZ, Carlos. Para um conhecimento do teatro africano. Lisboa: Ulmiero, 1978.





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