As orquídeas aqui de casa estão tristes.
Parecem se apertar nelas mesmas, como quem diz: Não nessas condições. Não tem jeito. Eu é que não vou sair daqui. Esse tempo não se decide. Estou esperando a primavera.
Que bela vida essa, em que as orquídeas podem ficar tristes. Elas ficam. Eu escuto.
Toda noite, eu olho para elas, ou passo ao largo. Uma vez por semana, seguindo instruções que vieram sabe-se lá de quem, mas que sigo à risca, eu as rego. Todo domingo à noite, um pouco d’água. Nelas, nos cactos, nos dois vasos de Bulbassauro embaixo do aquecedor de água, no vasinho de Oddish. Um pouco d’água, um pouco de atenção, um olhar.
*
Eu jardino à minha própria maneira. Como eu acredito em ensinar. Olho para as plantas, distribuo um pouco d’água. Todo dia para algumas, a cada dois para outras, uma vez por semana para as mais sensíveis. Fora isso, observo.
O jardim muda à sua maneira, dia após dia. Tudo o que eu plantei não mora mais aqui. Hortelãs e manjericões e salsinhas viveram nesses vasos, por um tempo. Então se foram. Nos lugares delas, surgiram samambaias, plantas de folhas largas cujo nome eu não sei. Dentes-de-leão. Ervas daninhas.
Dou as boas-vindas a elas com gentileza. Não me importo que não sejam as que plantei. São as que querem estar aqui. As que gostam das condições desse pequeno jardim espalhado por uma bancada e uma mesa, onde o sol só bate quando está de bom-humor. Meu jardim não é utilitário. Também não é decorativo. Ele é só um jardim, eu suponho. Plantas que habitam essa casa, assim como eu e o Fai. Assim como as aranhas, e a joaninha ocasional. São todos bem-vindos para ir e vir. Sem pressão.
Cada um tem seu tempo, e é sempre um milagre quando os mínimos múltiplos comuns da vida nos permitem estar no mesmo lugar, por um tempo.
Elas estão aqui, eu estou aqui. Como isso aconteceu? Boa pergunta.
*
Eu não estou aqui para dizer que tudo vai ficar bem.
Tudo, estatisticamente, nunca vai ficar bem. Não ao mesmo tempo, provavelmente. Dá pra imaginar? Seria um segundo fantástico. A respiração perfeita, o alívio, as risadas, o amor… O sorvete gelado o suficiente, o chocolate quente quente o suficiente. O cheiro de café. A festa toda.
Meu objetivo não é ser sarcástico. Trabalho com imagens e sensações, esperanças e razões. Sofro de um excesso de imaginação. Uma incapacidade de ver o óbvio, ou algo assim.
Sou um contador de histórias dos piores. Daqueles que teimam em ver além. Do tipo que não desiste de ninguém, que acenderia um milhão de fogueiras para iluminar o caminho, mas que jamais ataria ninguém a nenhuma delas. Do tipo que escreve como um convite, que aponta para as coisas, que ri. Um contador de histórias do pior dos tipos. Do tipo que acha que a verdade não tem nada a ver com o que é real, o que nos traz para dentro, o que realmente importa. Do tipo que cultiva perguntas como um jardim. Do tipo que não termina com justifique sua resposta, ou é assim que as coisas são, mas com e o que você acha a respeito disso? Do tipo que segura uma contradição como um recém-nascido que chora alto demais, e diz: eu sei, eu sei.
Tudo isso para voltar ao que eu (não) disse antes: não estou aqui para dizer que tudo vai ficar bem.
A vida às vezes pode ser insensível, cruel, implacável. Gente foi queimada nas fogueiras, gente é morta de forma cruel todos os dias, gente grita e quebra coisas e machuca os outros, gente chora. Gente toma decisões impensáveis, por medo, ou raiva, ou ódio. É difícil olhar para toda a injustiça do mundo e pensar que está tudo bem, que sequer vá ficar. Eu já tentei isso, e o resultado foi como uma dor de dente no coração. As pessoas podem mudar? Gostaria de acreditar que sim. Mas eu sei o que gostaria significa.
Todas as ilusões que eu nutro são como plantas. Eu as deixo vir, rego o quanto acho que elas precisam, e também as deixo ir. Fazemos companhia uns aos outros enquanto estamos aqui… Mas eu não espero que elas me dêem nada em troca.
Às vezes elas dão.
Mas é mais sorte do que qualquer outra coisa.
*
O que eu posso dizer, então?
Essa é uma pergunta que eu gosto mais.
*
O que eu posso dizer é: venha cá.
Sim, você mesmo, venha cá. Você não está só, e eu também não estou. Esse mundo é assustador, cheio de gente, de perigos, de caminhões e carros que levam quem a gente ama embora, de doenças que corroem o chão sob os nossos pés, e de quem a gente ama, de dores na alma e nós nunca desatados que se erguem como muros entre nós e quem está bem perto, mas não pode nos ver. Esse mundo está cheio daqueles que poderiam fazer algo e escolhem não fazê-lo, e daqueles que poderiam evitar fazer muita coisa e escolhem fazer mesmo assim, não importa o custo. Pra não falar do que a gente não pode sequer ver: pessoas são assustadoras, mas e a fúria do oceano?; o oceano me dá medo, mas e o que está além dele?; não seria seguro assumir que há coisas nesse universo que nos fariam nos agarrar a nossos medos atuais, tão terrenos, com a familiaridade de irmãos perdidos em uma ilha deserta? Não seria seguro assumir que há coisas tão piores que temos sorte de que jamais teremos tempo de descobri-las?
Minha imaginação carece de limites, querido leitor, perceba, mas nada do que eu digo é para relativizar nada. O mundo próximo é assustador, e terrível, e quem tem tempo de ter medo de um vazio inominável quando se tem tantas coisas fáceis de nomear preenchendo o vazio ao nosso redor? Sou um tolo dos piores tipos, mas levo tudo muito a sério.
E por isso mesmo digo: vem cá.
O mundo é terrível, mas você não está só, e eu também não estou. Esse mundo também tem maravilhas aos montes, de flores a poemas, do mar ao amor, da liberdade à rebeldia. De uma resposta bem dada até um soco na cara que, mesmo imaginado, pode fazer muito bem a quem deu. Esse mundo é cheio de gente que não pode fazer nada, mas continua tentando mesmo assim. Pra não falar da beleza azul do oceano. Da infinitude feroz e tranquila do universo. Dos lugares distantes onde tudo é melhor.
Então venha cá e chegue mais perto da fogueira, meu bem. Lá fora tudo é beleza e horror, mas aqui perto podemos aquecer nossas almas com uma história, com uma linha de raciocínio tórrida, com os delírios de uma mente que mente para dizer a verdade.
É um belo mundo esse em que as orquídeas podem ficar tristes, e você também pode. Que nobre e especial é poder ficar triste em tempos tristes, poder se revoltar quando tudo parece fugir à razão, quando as emoções que inundam o mundo são aquelas que inflamaram porque ninguém cuidou delas por muito tempo. Quão melhor é sofrer as dores da derrota amarga do que não se permitir sentir nada.
É melhor ter um coração que sofre do que um que não enxerga.
Eu, pelo menos, acho.
*
Então deixe-me dizer mais algumas coisas. Não para que você não fique triste, mas para que saiba que não está só. Eu também estou. Escrevo, faço malabarismos e estripulias, tento soprar gentileza por aí… Gostaria de pensar que estou fazendo algo por alguém. Mas sei o que gostaria significa.
Então deixe-me dizer mais algumas coisas para que eu saiba que não estou só. Para que eu me aqueça nessa fogueira que, juntos, tentamos cultivar aqui.
Primeiro de tudo: está tudo bem se sentir assim. O que quer que seja, não vou nem olhar, só fechar os olhos e dizer, está tudo bem sim! (Eu te absolvo! etc! Volte a abrir garrafas de poção antigas, se quiser — todas elas são a mesma? Todas elas são gotas douradas de meu coração… Minha imaginação espremida como uma laranjerina num daqueles negocinhos que apertam até não sobrar nada.) Nem todos os sentimentos são justos, talvez, mas todos eles têm uma voz. Recomendo escutá-las com atenção, mas não ouvir tanto o que elas dizem… E sim procurar o que elas estão tentando dizer.
E regá-las uma ou duas vezes por semana, a gosto do freguês.
Segundo de tudo [ele escreve, no 3º parágrafo da 3ª página]: está tudo bem perder.
Não porque haja alguma nobreza em particular em perder, ou sequer um prazer… Não, ganhar é muito melhor, recomendo, e em algumas coisas é muito melhor para mais gente, e perder pode ser desastroso…
Não, mas porque é isso que eles querem que você acredite. (E por eles eu quero dizer todos eles — alguns mais, alguns menos, todos e mais meia dúzia, como dizia minha tia-avó que eu acabei de inventar.)
Eles querem que você acredite que o único jeito de viver é ganhando, porque assim eles podem alimentar a fantasia de que estão nos eliminando. De que tirando a vitória (uma, qualquer uma, todas) de nossas mãos nós deixaremos de existir, e a ordem imperturbável do medo reinará em paz e sem ameaça… De que eles podem nos esmagar e nos fazer deixar de existir porque eles têm poder. De que, no que depender deles, não vai ter mais nada que não seja o que os deixa confortáveis… Que assim não haverá mais ameaça…
Bom deixem-me dizer que eu sou uma maldita ameaça, e vocês também.
E que sendo uma ameaça eu não tenho medo de perder nada, eu não tenho medo de cair no chão, e mesmo das coisas que eu tenho medo eu não tenho medo de ter medo… Porque eu sou um maldito vagalume que não vai se apagar tão fácil…
Porque eu tenho imaginação demais para aceitar o óbvio como resposta certa. Ou qualquer outra coisa.
Eles querem que você acredite que o único jeito é vencer… Porque é nisso que eles acreditam. Essa é a base de todo o pensamento hierárquico, fascista, devorador… A ideia de que você precisa vencer os outros. De que o inimigo precisa ser derrotado. De que esse é o caminho da felicidade.
Pois deixem-me dizer que hoje, andando pela rua, eu vi muita gente que claramente devia estar feliz por sua própria lógica… E que todos eles pareciam completamente miseráveis.
Porque, na minha opinião, qualquer vitória externa que não olha para dentro é como colocar um bandaid para uma dor de cabeça… Porque nada afeta um coração que não escuta a voz dos outros, quanto menos sua própria voz.
Eu, por outro lado, dançando pelo mercado, cantarolando Killing Me Softly por nenhuma razão, sorrindo para as pessoas porque eu posso, não deixando que o mundo sopre minha gentileza para longe…
Bom, eu não posso dizer que o mundo lá fora não pode me machucar. Ele pode, e faz isso insistentemente, às vezes.
Mas ele não pode me apagar por muito tempo.
E, se puder, ele também pode me acender de novo, eu suponho.
Gosto de pensar que sim.
*
Porque isso, em terceiro lugar, é algo que eu também posso dizer.
É assim que nós mudamos as coisas.
Eu sou anarquista com orgulho e insensatez, e portanto não um grande fã da democracia. Não da parte do demo (ha-ha), mas da parte do cracia. Acredito que nenhum sistema deveria poder decidir nada sobre quem ele não enxerga, e que a política deveria (e está) ao alcance dos braços, e que deveria ser jogada nessa escala.
Eu também acredito em lutar de volta em muitas formas diferentes, inclusive contraditórias, mas mais do que tudo eu acredito que a melhor forma de mudar o mundo é construindo um mundo melhor aqui e agora. Com o que nós temos em mãos, sem esperar a permissão de ninguém.
Eu acredito em um mundo em que a gente olha pras dores dos nossos corações pra se entender e poder entender os outros… Em que a gente se responsabiliza por si e pelo que faz ao outro. Em que a gente cai, mas levanta… E em que a gente ajuda o outro a levantar. Eu acredito em um mundo em que a gente encontra felicidade nas frestas, e levanta mesmo quando perde, e encontra tristeza também, e raiva, e medo, e dor, e desespero… Mas também alegria, companheirismo, saudade, e enche nosso coração com todas as impurezas que são parte dessa vida que é suja é incompleta e cheia de pontas e cacos de vidro, mas que é a que está aqui.
E eu acredito que quando a gente constrói um mundo assim, não importa do tamanho que ele seja, a gente dá um exemplo… E que esse exemplo é como uma semente, ou as coisinhas (dentinhos?) que o dente-de-leão sopra pra longe… E que pode acabar, com sorte, florescendo em um apartamento no meio da cidade, em um vaso, ou no meio dos asfalto, ou em qualquer lugar… Eu acredito que quando eu conto para vocês sobre o meu jardim livre, vocês podem pensar em cultivar um jardim próprio, que não seja como o meu, mas que venha com a pergunta: que jardim eu quero cultivar? Que é muito melhor do que qualquer jardim que eu possa dizer para alguém cultivar, e certamente é muito melhor do que cultivar um jardim pré-definido por gente que não conhece ninguém, muito menos a si mesmo.
Então quando eu digo que não vou me apagar porque eu me recuso a desistir, porque eu insisto em entregar meu coração, aceitar meu jardim e não limitar minha imaginação… Eu não penso que isso vai convencer ninguém a cantar no mercado ou cultivar um jardim literal ou contar histórias sobre o espaço…
O que eu gostaria é que, com sorte, isso inspirasse você (ou alguém) a se perguntar: como é que eu continuo em frente?
E achar a resposta para isso é a tarefa de todos os dias.
*
Então o que eu posso dizer é: nós continuamos.
Apesar de tudo, contra todas as chances, enquanto estivermos aqui, no mínimo múltiplo comum do tempo, juntos… Continuamos como podemos.
Continuamos aqui.
*
Recentemente, por um acaso qualquer, descobri que uma pessoa com quem trabalhei dez anos atrás, de passagem, morreu. Não o conhecia muito, cruzamos nossos caminhos no PPV, mal chegamos a conversar mais do que algumas palavras.
Descobri que ele tinha morrido em abril, porque quando fui postar algo na Maré Geek, que seguia ele, vi um post da conta dele, agora assumida pela mãe, dizendo que ela ia continuar postando as fotos que ele tirava, para homenageá-lo. Para dar seguimento à vida, ao legado dele.
Para continuar em frente.
Ao longo da minha vida, eu conheci mais mães que perderam seus filhos do que eu gostaria, e todas elas partiram meu coração e me encheram de medo… Mas também com elas aprendi a continuar em frente. Nunca ignorando a dor, não, jamais… Mas continuando mesmo assim.
Um passo na frente do outro.
Deixando a vida entrar e sair pelas rachaduras do coração.
*
No jogo Clair Obscur, que nós aqui em casa amamos, ao final de cada luta, uma tela dá as estatísticas de tudo o que aconteceu na luta… E sua única opção é apertar A, cuja legenda diz: We Continue.
Nós continuamos.
Não importa o que aconteça, quem esteja lá e quem já não esteja mais — ou melhor, importa sim. Importa, mas ainda assim, com saudade ou medo, com cansaço ou alegria, quando o mundo está prestes a acabar e não parece haver mais esperança… We Continue. Nós continuamos.
De novo, e de novo, e de novo.
*
As orquídeas de casa estão tristes.
É verdade, eu escuto, mas não todas.
Uma delas resolveu florescer, teimosamente.
Algumas semanas atrás, apesar da primavera em confusão, apesar das condições difíceis, apesar da tristeza de suas colegas. Um monte de florzinhas lilases teimosas, delicadas, corajosas. Flores que vão durar um tempo, e depois se vão. Flores que não servem para nada, que não servem a ninguém… Flores que partem meu coração, e também o remendam.
Flores que existem.
As outras continuam se recusando a fazer qualquer coisa. Elas estão paradas, esperando, ou talvez só paradas. Não há nada de errado com isso. Elas estão tristes. Tudo bem. Eu as rego uma vez por semana, às vezes aparo um ramo seco, às vezes as raízes teimam em se contorcer para procurar alguma coisa que talvez sejam capazes de encontrar, talvez não.
Alguns dias eu dou boa noite para o jardim. Alguns dias, não. Às vezes eu canto, às vezes dou bom dia, às vezes eu abro a janela, às vezes decido que ninguém precisa de água hoje.
Para o mundo, todos os dias, desejo bom dia e boa noite pela janela. Em um pequeno ato de rebeldia, eu tento olhar para fora e encontrar o que é belo ali. Para dizer: que belo dia. Às vezes só consigo pensar: que dia horrível. Às vezes digo isso, às vezes digo que ele é belo mesmo assim. Às vezes eu danço pela sala, e às vezes eu choro por dias a fio… Às vezes eu amo a tudo e a todos, e às vezes odeio todo mundo, e até as plantas me dão raiva.
Mas dia após dia, caindo ou só deitando para descansar, eu levanto e continuo.
Porque eu sou o pior tipo de contador de histórias, provavelmente. Aquele que insiste em continuar. Mesmo que ninguém escute. O que talvez não seja verdade.
Hoje, o Seh fez um post com uma citação que o Fai mandou para ele oito anos atrás. É de um livro muito querido, de uma franco-brasileira chamada Pauline Alphen, Separados. O Fai também escreveu essa citação em um caderno para mim, doze ou treze anos atrás. É assim:
“— E vocês têm armas, belas armas.
— Que armas?
— A alegria é uma arma poderosa. Uma arma que diz: sou mais forte que o desespero, sou mais forte que tudo.”
Quando Fai leu para mim no carro hoje, eu disse: a gente gosta do que acontece agora, imediatamente, mas a literatura é mesmo uma arte freática.
Então eu continuo contando histórias nos dias bonitos e nos feios, nas vitórias e nas derrotas, como um dente-de-leão soprando dentinhos ao vento, ou como um jardineiro regando as plantas dia após dia sem esperar nada em troca.
Talvez as orquídeas tristes um dia voltem a florescer. Talvez não.
Eu continuarei fazendo o que eu posso, lá, cá, e em todo lugar que eu puder.
*
Eu não acho que a alegria seja mais forte que o desespero, não, nem sempre, e nem um antídoto para ele. Mas acho que os dois podem caminhar de mãos dadas e se sentirem menos sozinhos ao saber que ambos existem ao mesmo tempo.
*
Então vem cá, senta ao redor da fogueira, descansa um pouco. Está tudo bem sentir qualquer coisa.
Quando você estiver pronto para continuar, vá, e saiba que não está só.
Nós continuamos e, enquanto houver vagalumes e estrelas, nossa luz vai continuar também.
Depois disso, bom, quem sabe?
Minha imaginação não tem limites e, se você tiver tempo, posso te contar o que eu acho, e depois perguntar: e você, o que acha?
Com amor,
e muitas outras coisas,
Luc






Seja o primeiro a comentar
Faça o login para comentar.
Entrar