Seis anos atrás, Pompom e seu pai partiram do Jardim de Ouro para que a pequena gnoma, caçula da família, pudesse prestar o exame de admissão da Universidade da Magia Livre. Nossa heroína havia perdido uma irmã, e tinha um sonho: ser a primeira pessoa a ser convidada para as sete Irmandades da UMaL.

Seis anos atrás, eu e o Fai partimos da mesa de casa em uma jornada por um mundo imaginário para que a gente pudesse esquecer um pouco do mundo do lado de fora. Impossibilitados de sair de casa por causa da pandemia, nós nos dispusemos a conhecer a fundo uma universidade, uma cidade, um mundo que era nosso parquinho, e que se tornou a nossa casa.
A jornada da Pompom começou pequena. Situações cotidianas, uma prova de universidade, comprar material didático, frequentar festas, fazer amigos. Divulgar o café da família, assistir um jogo de magobol, passear na universidade à noite… e dar de cara com uma tentativa de roubo de um artefato muito poderoso. O slice-of-life cresceu, os conhecidos se tornaram amigos, as festas foram ficando mais cheias de personagem, as provas das irmandades foram se tornando aventuras completas. O que era para ser uma aventura de um quadrimestre se tornou um ano. Vieram os Escudos Arcanos, a resistência estudantil, os protestos. Nossa heroína invadiu prisões, salvou amigos, matou e morreu pelo que era importante para ela. Pompom encontrou uma casa do coração, e tornou-se a Farpa na vida da Coroa de Kraken.
Seis anos passaram voando do lado de fora. Nós crescemos, mudamos, saímos de casa, contamos outras histórias, ganhamos prêmios, e muito mais. E mesmo assim, sempre que possível, continuamos voltando. Belavista ganhou contornos, mapa, ruas. Uma dúzia de NPCs (alguns criados com ajuda do público!) se tornaram mais de quinhentos personagens — quinhentas pessoas vivas no mundo, agindo, dizendo, lutando. Oito episódios se tornaram 38, depois 100… Hoje serão 119. Espectadores vieram e se foram, novos chegaram, alguns estão aqui desde o início. Pompom se tornou uma comunidade. Pequena, sim, mas doida. Como a nossa gnoma.
Nessa noite, entre o Grão-Magíster Aigul Karin e um Tarrasque, Belavista se debate sob a estrela-verde no céu. O fim do mundo prometido chegou. Todas as cartas estão na mesa. E nossa heroína, como boa Farpa, se infiltrou em sua forma (verdadeira) de gato no centro do ritual que vai trazer o novo mundo à vida. Em posse do Pulso Nulo, 4 pontos de vida e toda a coragem do mundo. Seus amigos estão esperando, estão presos, estão mortos, estão na lua. Seus amigos estão por toda parte.

Nessa noite, apesar de tudo o que está acontecendo lá fora, nós dois vamos nos sentar na mesa de casa, em frente a uma fogueira metafórica, e contar histórias. Por algumas horas, para nós e alguns outros sonhadores mundo afora, não vai haver nada além da nossa gnoma, a Alcova do Kraken, os Codex Arcanium, e centenas de magos lutando desesperadamente para salvar a cidade que amam. Uma cidade que todos nós aprendemos a amar.
Nesses seis anos, nós rimos juntos, choramos juntos, protestamos juntos. Nós amamos e perdemos juntos. Nós tomamos sorvetes imaginários.
Eu não sei o que vai ser de Belavista daqui para frente, se é possível salvá-la, ou se tudo está perdido. Não sei o que vai ser de cada uma dessas personagens. Mas sei que, independente do resultado, se você perguntasse para nossa heroína se ela faria tudo de novo, a resposta seria sim.
A nossa também.
Feliz aniversário para a menor das nossas heroínas. Sua história é a nossa obra-prima, e a gente não trocaria por nada. E, como todo pequeno milagre, não é para os olhos de todo mundo.
Agora com licença, que a gente tem um compromisso com uma cidade inteira.
Que Schlag esteja com a gente.
A todos os pompom-feirers que estão ou estiveram com a gente em algum momento: obrigado por estarem aqui, a gente ama vocês.
Luc






2 Comentários