Inspiradas no ensinamento de Bashō (“não siga as pegadas do mestre; busque o que ele buscava”), as artistas Hiromi Takano e Mikhaela Kawahara propõem uma releitura que preserva os fundamentos estéticos e espirituais do Shikunshi clássico enquanto o enraíza na flora do Cerrado. As analogias morfológicas e simbólicas são: Colestenia (Koellensteinia tricolor) → ran (orquídea delicada e resistente entre pedras, pureza); Taquari (Actinocladum verticillatum) → take (bambuzinho reto, oco e resiliente); Caliandra (Calliandra dysantha) → kiku (flor radiante de outono, impermanência); Cagaiteira (Eugenia dysenterica) → ume (floresce no inverno, renovação).
Retratadas com economia de traços, valorização do branco e fluidez do gesto, as espécies cerratenses transformam o olhar e promovem o diálogo cultural Brasil-Japão, mantendo a fidelidade à essência: o traço que expressa o ser e contempla a natureza. Haicais complementam a proposta, evocando esperança, fogo, emoção e perfume das flores nativas.




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