Mas é bem possível que você não saiba quem eu sou.
Lá no ano de 2013 eu criei o Collant Sem Decote, um dos primeiros blogs nacionais a falar sobre feminismo e cultura pop. Em 2018, eu e a Clarice França criamos o Nebulla que também falava sobre feminismo, cultura pop/nerd e as suas intersecções e interseccionalidades. Em 2019, publiquei um livro infantil ilustrado pela Rebeca Prado na Jambô Editora e participei de uma coletânea de quadrinhos de terror (e putaria hehe) organizada pela Germana Viana (que inclusive ilustrou a história que eu escrevi!) Mais recentemente publiquei uma zine com a Kaol Porfírio!
Eu comprei muita briga na internet e não me arrependo de nenhuma delas. Eu presenciei a primeira e a segunda grande treta do quadrinho brasileiro— na época em que o Twiter ainda era uma plataforma viável pra assistir homem branco cis brigando com homem branco cis (sem que isso significasse que você divide espaço com techno-nazistas aceleracionistas.)
Eu também escrevi para outros veículos de comunicação maiores (fique a vontade pra fuçar o meu Linkedin), organizei mesas sobre representação e diversidade na CCXP por cinco anos, fiz amigues maravilhosos e ri bastante.
Aí veio 2018 e o cinema nacional (eu ainda não contei, mas a minha profissão mesmo era Roteirista) começou a sentir o peso das merdas que o governo Temer fez. Quando o Bolsonaro assumiu ele terminou de jogar a última pá de cal na minha carreira (que até então estava indo bem para uma pessoa que nunca foi nepo baby e nem tinha conexões com os grandes nomes do setor). Foi nesse ponto que a minha depressão desenrolou de vez, logo em seguida veio a pandemia e todo o horror que aqueles anos foram. Em 2021 eu me mudei pro Canadá com meu parceiro e eu e a Clarice fechamos o Nebulla de vez.
Aí eu meio que sumi.
Passei os últimos três anos ensaiando retornos, sem nunca realmente conseguir firmar nenhum deles. Em parte porque eu simplesmente não queria mais ter uma presença online, em parte porque eu parei de ver sentido em qualquer uma das coisas que eu fiz. Esse sentimento horrível é algo que permeou a minha visão sobre o meu trabalho por bastante tempo. Outra parte de mim, e uma que se mantém até hoje, vem dessa raiva que eu sinto contra empresas de tecnologia (e o capitalismo de maneira geral), que usam o nosso trabalho e as nossas paixões, pra ficarem ainda mais ricas e controlar o discurso que afeta e vitimiza diretamente qualquer grupo que não sejam bilionários brancos fascistas.
Depois de tudo que a gente passou, lutou e construiu, como é possível que esse caos político tenha piorado de tantas maneiras? Eu olho pra tudo relacionado à I.A. e um sentimento de desolação me corrói por dentro. Mas é dessa desolação que nasce a raiva, e para momentos sombrios como os que vivemos hoje, a raiva é um sentimento aliado.
Estamos em 2026. Eu continuo não me arrependendo de nenhuma das tretas que eu comprei nos anos 2010 e, algo que não mudou em mim, é a certeza que a luta por uma sociedade mais justa, em qualquer esfera, é um trabalho constante. Mesmo que seja um trabalho de formiguinha, nós nos mantemos firmes.
Eu não vou falar de cultura pop do jeito que eu falava antes. Em parte porque eu não consumo mais como antes e me desencantei depois de tantos anos de frustração, em parte por que hoje eu tenho um trabalho fixo tradicional e o tempo extra que me sobra eu gosto de passar fazendo só o que eu realmente curto— com meu parceiro e bichos, meus amigos, meus hobbies e trabalhando nos meus projetos pessoais.
Assim como eu já faço no substack em inglês, grande parte deste espaço vai ser voltado pra essa minha parte mais criativa. Mas isso não quer dizer que eu não vá dar a minha opinião sobre aquilo que ando vendo, lendo ou jogando. Mas, aqui, você pode esperar muita coisa sobre escrita, sobre o que ando lendo, vendo, desenhando e sobre como essas coisas interseccionam com as questões políticas no nosso dia-a-dia— incluindo feminismo.
Tenho alguns planos sobre como dividir minha escrita criativa com vocês, mas por enquanto isso fica mais pra frente nesta jornada.
Meu primeiro post sai na próxima semana e eles vão se seguir sempre no mesmo dia, de duas em duas semanas. Se eu achar algo que eu quero muito falar sobre, talvez eu poste mais. Veremos. Não se esqueça de me seguir aqui no Catarse ou nas redes sociais que em que eu ainda mantenho (pouca) presença.
Até lá, cuidem-se.




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