Olá, pessoas incríveis!
Faltam menos de 40 dias para o encerramento da campanha e já chegamos a quase 30% da meta, queria aproveitar esse momento para agradecer, porque, sinceramente, quando imaginei lançar algo no Catarse, nunca achei que teria coragem de fazer isso justamente com um livro, já tinha realizado outros projetos e mostrado trabalhos em diferentes contextos, mas existe algo muito diferente em colocar uma história própria diante das pessoas e perguntar se elas acreditam nela o suficiente para apoiá-la. Será que fui muito audaciosa com essa campanha tudo ou nada? haha!
Desde o começo, o objetivo desta campanha era descobrir se eu conseguiria alcançar cinquenta leitores interessados nessa história, mesmo parecendo um número pequeno quando comparado a projetos maiores, para mim ele sempre representou uma grande responsabilidade, porque significa encontrar cinquenta pessoas dispostas a confiar em algo ainda em processo de produção, ainda não sei se vou alcançar esse número por aqui, mas tem sido ótimo simplesmente tentar.
Mas continuo nervosa, a contagem regressiva existe, a meta existe, a Bienal existe e o medo de não dar certo também existe, tudo isso ocupa espaço na minha cabeça diariamente, ao mesmo tempo tenho tentado lembrar que já existem muitas coisas acontecendo que merecem ser celebradas, o livro já está registrado, já tem leitores aguardando seu lançamento e já deixou de ser apenas um projeto guardado entre arquivos e anotações, isso pode parecer um detalhe burocrático, mas para mim tem um peso enorme, porque significa que essa história passou a existir oficialmente.
Talvez o que mais me deixe feliz seja perceber que finalmente permiti que esse projeto saísse da gaveta, quem trabalha com criação provavelmente conhece aquela sensação de sempre achar que ainda falta alguma coisa antes de mostrar um trabalho ao mundo, sempre existe uma melhoria possível, uma ideia nova, um ajuste indispensável, e eu sei que se tivesse mais tempo provavelmente mudaria muitas coisas neste lançamento, mas eu sempre fui a pessoa que guardava projetos esperando o momento ideal, quando na verdade esse momento raramente aparece, em algum ponto é preciso simplesmente enviar o e-mail, soltar o arquivo e deixar que o que tiver que acontecer aconteça, não existe momento certo e, no meu caso, uma história só pode crescer quando encontra leitores, meu livro nunca amadureceria completamente permanecendo escondido.
O Último Romântico nasceu muito desse processo, ele é um personagem que existe desde 2019 nas minhas fantasias, um adulto em um ambiente burocrático que carrega dúvidas, inseguranças e contradições mesmo após a morte, e talvez seja justamente por isso que eu goste tanto dele, dentro da história ele trabalha como contador de histórias em um cemitério habitado por almas penosas que precisam resolver questões pendentes após a morte, mas existe uma diferença importante entre ele e os outros personagens daquele lugar, enquanto todos estão tentando encerrar algo, ele sequer sabe como sua própria história começou, ele não sabe quem foi antes de chegar ali, não entende exatamente qual é o seu propósito e passa boa parte do tempo tentando organizar informações incompletas sobre si mesmo.
Por isso, este conto nunca foi pensado como uma história de respostas definitivas, o que vocês vão encontrar nestas 56 páginas é o relato de alguém tentando reconstruir aquilo de que consegue se lembrar, uma narrativa cheia de lacunas, observações pessoais, conclusões equivocadas e momentos de sinceridade, o Último Romântico conta sua origem da única forma que consegue, sem ter todas as informações necessárias.
Essa característica acabou tornando o livro ainda mais interessante para mim, porque ele não acompanha um personagem que já entende sua própria trajetória, mas alguém que ainda está tentando compreendê-la, além disso isso cria margem para desenvolver os personagens e o ambiente mágico de forma que também faça sentido para quem lê, porque uma história que faz sentido na minha cabeça nem sempre se sustenta da mesma forma para os outros, então antes de um cotidiano em um cemitério mágico e todas as situações e aventuras que ele encontra ali, quis construir algo inicial mais intimista como uma apresentação.
Gosto de pensar que ler esta história será um pouco como sentar em um café e ouvir alguém desabafar, no caso um esqueleto excêntrico, não porque ele tenha chegado a conclusões extraordinárias, mas porque está tentando entender a si mesmo enquanto narra sua trajetória, e talvez seja justamente isso que torna os começos tão interessantes.
Obrigada por estarem acompanhando este início comigo, por cada mensagem, compartilhamento, apoio e palavra de incentivo, independentemente do que acontecer nas próximas semanas vocês já fazem parte de algo que durante muito tempo existiu apenas como uma ideia guardada e isso é algo que eu dificilmente vou esquecer.
Agora seguimos juntos para os próximos capítulos, torcendo para que mais pessoas encontrem o caminho até essa história e decidam descobrir quem é afinal o Último Romântico, e se você está acompanhando tudo de longe saiba que sua presença por aqui já faz diferença, ainda temos um caminho pela frente, mas chegar a quase 30% da meta já é algo que merece ser celebrado e eu queria dividir essa alegria com vocês.
Até a próxima atualização!