Direção de Fotografia: Arthur Freitas
Passei boa parte de maio e junho enxugando e refinando cada linha do orçamento de Tio Bruno, porque queria garantir tanto a transparência como um mínimo de dignidade na remuneração ligada ao chão de fábrica do filme para diferentes áreas. Só agora, porém, no dia 10 da campanha, percebi que simplesmente engoli todo o bloco do orçamento na hora de publicar na plataforma!
(Sim, parte da família – inclusive o biografado – é famosa por ser esquecida.)
Para quem tinha ficado na curiosidade (ou achou que eu estava fazendo mistério), os Três Degraus do filme já estão devidamente publicados na página principal – e aqui também, ao final do resumo abaixo.
Tio Bruno custaria facilmente, na intersecção do mundo real com o mundo maravilhoso, com todas as funções importantes preenchidas e bem remuneradas, um milhão de reais. Para realizá-lo com uma estrutura técnica, uma segurança jurídica e uma capacidade de distribuição necessárias para sua circulação pública, sem o melhor orçamento possível mas com um orçamento minimamente justo, seriam necessários algo em torno de R$ 500.000. O valor solicitado nesta campanha – pouco mais de R$ 320.000 – cobre principalmente as etapas restantes de produção, pós-produção, finalização técnica, regularização de direitos de som e imagem, e circulação inicial do filme.
Dentro desse montante total, minha remuneração é pelas funções de diretor, produtor, roteirista, pesquisador e montador. O valor que conseguiremos destinar a essas frentes vai depender do degrau que a campanha alcançar, mas será sempre focado em garantir o mínimo de fôlego para que eu possa mergulhar no material. É esse suporte que viabiliza manter uma rotina de imersão no projeto pelos próximos dois anos, em paralelo a outros trabalhos e, principalmente, à criação da sobrinha-bisneta de tio Bruno – a quem quero muito apresentar o filme e o legado dessa figura quando tudo estiver pronto (quando ela estiver mais velha, evidentemente).
Acredito, por fim, com esse formato, em uma construção coletiva capaz de transformar mais de uma década de trabalho em uma obra singular como Bruno Nunes.
PS: E SE NÃO ARRECADARMOS O VALOR TOTAL DO FILME?
Como fazer um documentário biográfico-musical significa equacionar escolhas estéticas e jurídicas, organizamos nossa caminhada em três degraus realistas:
R$ 135 MIL | O filme "em sua primeira versão"
O mínimo para o projeto respirar. Com esse valor, rodamos as últimas entrevistas e estruturamos uma base do filme na ilha de montagem. Como esse período de largada exige meses de dedicação concentrada (em entrevistas, pesquisa, organização de novo acervo, coordenação de produção e – principalmente – montagem), esta meta inicial assegura a infraestrutura desse chão de fábrica técnico. É com essa primeira versão que mapeamos o real tamanho de nossas questões jurídicas, é com ela que damos o passo obrigatório para descobrir o quê, quanto e a quem precisaremos pagar para o filme existir de verdade.
R$ 240 MIL | O filme "jurídica e tecnicamente pronto"
Esse degrau cobre, inicialmente, os custos com assessoria jurídica, licenciamento de imagens, composições, versões e demais arquivos ligados a terceiros. Os valores desse universo são estimativas baseadas em quem acompanha de perto negociações de mercado –através de relatos de colegas sobre custos de licenciamento de artistas do primeiro escalão – e em quem já enfrentou na prática o desenho de orçamentos com obras musicais para Argentina, Me Desculpe (2015) e Ontem Lembrei de Minha Mãe (2025). Com essas autorizações em mãos, a verba garante também a finalização técnica de imagem e som, além da tradução e da legendagem que preparam a obra para o mundo.
R$ 320 MIL | O filme "pronto para o cinema e para o mundo"
O plano completo e sem cortes. Com o filme pronto e o direitos pacificados, este teto financia o passo final: a distribuição. É o valor que cobre a acessibilidade obrigatória (Libras, audiodescrição e LSE), as cópias de exibição em cinemas (DCP), assessoria de imprensa, circuito de festivais e a logística para que Tio Bruno ocupe o seu lugar de direito: a telona.
Vamo nessa?