O QUE JÁ FIZEMOS?
Um happy hour qualquer
Em agosto de 2013, ele me chamou para encontrá-lo no bar – no que pensei ser um despretensioso happy hour depois de sair do hotel onde eu trabalhava como recepcionista – e me felicitou, mas eu não fiquei exatamente confortável com aquele “parabéns, Lelê”.
Ele dizia estar feliz porque eu estava buscando um caminho diferente daquele trilhado por um jovem Bruno que, nos anos 1980, viveu entre Salvador e Rio de Janeiro, entre a Som Livre e o Rio Vermelho. Eu discordei e, daquele encontro, daquele parabéns agridoce e autocrítico, daquele estranhamento veio a consolidação da ideia: “vou fazer um filme sobre você, tio Bruno”.
As gravações, a surpresa e as parcerias
Gravamos, já em 2014, ao longo de seis diárias, um material de valor incalculável, que inclui sua última apresentação no carnaval de Salvador. Poucos dias após a última gravação, Bruno Nunes teve um infarto fulminante e partiu em um – para quem conheceu sua juventude oitentista – incompreensível anonimato.
O material que fizemos 12 anos atrás segue intacto. O som de Pedro Garcia, a maquiagem de Luzmar Cunhantã e, principalmente, a parceria com o amigo Arthur Freitas na fotografia permitiram a construção de um arquivo que, além de obviamente musical, é divertidíssimo (abaixo vai um frame do material de 2014).

Filmamos quatro shows – entre eles um tributo com participações especiais – e uma longa entrevista com tio Bruno em um bar não muito diferente daquele onde, meses antes, decidimos fazer o filme.
Chegou a hora de concluir e compartilhar essa história. Ela faz parte de uma trajetória marcada por encontros com nomes como Milton Nascimento e Samuel Rosa; Rita Lee e Cazuza; Geo Benjamin, Tonho Matéria e Tatau; Gerônimo e Armandinho Macedo; Rogério Sganzerla e Octávio Bezerra; Xuxa e Angélica.
O QUE VAMOS FAZER?
- colher depoimentos e memórias de parceiros, colegas e familiares de Bruno;
- organizar, digitalizar e preservar os acervos fotográfico, videográfico e musical de uma vida inteira;
- lapidar a montagem e realizar a finalização técnica do filme para a tela grande;
- regularizar os direitos autorais e licenciamentos de som e imagem necessários para a circulação pública do filme;
- desenvolver legendas multilíngues e recursos de acessibilidade (LSE, audiodescrição e Libras) para que o filme viaje o mundo;
- preparar a estreia e a circulação da obra em mostras e festivais nacionais e internacionais;
QUANDO FICA PRONTO?
- Agosto e Setembro de 2026: 🎥 Filmagens Restantes & Memórias guardadas. Realização das entrevistas finais no eixo de estados onde Bruno Nunes deixou história e familiares (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo), com logística adaptada à arrecadação, em busca de arquivos e registros raros que ainda resistem ao tempo.
- Outubro de 2026 a Fevereiro de 2027: ✂️ Montagem Inicial. O momento de mergulhar na ilha de edição. Organização e seleção do baú de arquivos para a construção do primeiro corte do longa.
- Março a Setembro de 2027: 🎨 Maturação Artística & Corte Final. O período de refinar a narrativa, testar o filme com exibições fechadas de consultoria e consolidar a estrutura dramática definitiva.
- Outubro a Dezembro de 2027: 🔊 Sound Design & Finalização de Imagem. A etapa mais minuciosa de pós-produção. Mixagem, masterização, correção de cor e regularização final de todas as licenças que o filme exige.
- Verão de 2028: 🍿 O Lançamento. Estreia pública de Tio Bruno na tela grande, início da circulação em mostras e festivais pelo mundo e a entrega das recompensas exclusivas aos apoiadores.
QUEM SOU EU?
Meu nome é Leandro Afonso e – além de sobrinho-neto de tio Bruno – passei a última década tendo que responder incontáveis vezes à pergunta: “quando sai o filme de Bruno?”. Das gravações iniciais pra cá, circulei por diferentes estados brasileiros e países, em atividades ligadas ao ensino, à pesquisa e, logicamente, à realização audiovisual.
Sobrevivi a uma maratona de siglas: fui palestrante do MIS-SP, dei aulas na AIC, no InC, na UNILA e, atualmente, me preparo para lecionar no IFBA. Também passei pelos corredores da UFBA, onde fiz mestrado e doutorado na FACOM, com uma escala portenha na UBA, em Buenos Aires. Essa rota de pesquisa gerou artigos publicados e apresentações no Brasil, na Argentina, no México, no Uruguai e em Portugal.
Essa bagagem teórica sempre transbordou, de uma forma ou de outra, para o chão de fábrica do set. Enquanto seguia dando aulas e investigando, dirigi quatro curtas: Habeas Corpus (2014), Argentina, Me Desculpe (2015) e os premiados Toda Sombra Parece Viva (2019) – realizado após uma campanha aqui no Catarse* – e Ontem Lembrei de Minha Mãe (2025), no qual também compus a música-tema. Em 12 anos, esses curtas passaram por 19 países e 57 festivais.
O material de Tio Bruno resistiu a todas essas viagens e amadureceu. Ele se tornou o ponto de encontro mais sólido entre cinema e pesquisa, escuta e paciência, música e memória em minha trajetória. Acredito que todo esse percurso, aliás, foi um ensaio necessário para que eu pudesse, hoje, finalmente, assumir a responsabilidade de entregar o filme com o rigor e o amor que ele exige. Agora, conto com o apoio de vocês para que esses arquivos deixem de ser um deleite pessoal e se transformem em sons, imagens e histórias compartilhadas na tela.

*[Nota do Editor: Se você clicar no link do Catarse de Toda Sombra Parece Viva (2019) vai ver que arrecadamos pouco mais de R$ 1.000 na época. O filme nasceu no sufoco, em outro momento e contexto. O mais recente Ontem Lembrei de Minha Mãe (2025) subiu um degrau importante e foi viabilizado por um edital de R$ 82.500 da Lei Paulo Gustavo. O cenário mudou. É preciso atenção e verba, sim, para trocar fraldas, mas também para coordenar a produção de uma obra que lida com custos de licenciamento e direitos autorais de grandes nomes da música e da cultura, inclusive de fora do Brasil. Por isso, Tio Bruno vai precisar de uma estrutura e de um fôlego inéditos para alcançar os R$ 320.000 necessários. A seguir detalho o Orçamento. :)]
ORÇAMENTO
Tio Bruno custaria facilmente, na intersecção do mundo real com o mundo maravilhoso, com todas as funções importantes preenchidas e bem remuneradas, um milhão de reais. Para realizá-lo com uma estrutura técnica, uma segurança jurídica e uma capacidade de distribuição necessárias para sua circulação pública, sem o melhor orçamento possível mas com um orçamento minimamente justo, seriam necessários algo em torno de R$ 500.000. O valor solicitado nesta campanha – pouco mais de R$ 320.000 – cobre principalmente as etapas restantes de produção, pós-produção, finalização técnica, regularização de direitos de som e imagem, e circulação inicial do filme.
Dentro desse montante total, minha remuneração é pelas funções de diretor, produtor, roteirista, pesquisador e montador. O valor que conseguiremos destinar a essas frentes vai depender do degrau que a campanha alcançar, mas será sempre focado em garantir o mínimo de fôlego para que eu possa mergulhar no material. É esse suporte que viabiliza manter uma rotina de imersão no projeto pelos próximos dois anos, em paralelo a outros trabalhos e, principalmente, à criação da sobrinha-bisneta de tio Bruno – a quem quero muito apresentar o filme e o legado dessa figura quando tudo estiver pronto (quando ela estiver mais velha, evidentemente).
Acredito, por fim, com esse formato, em uma construção coletiva capaz de transformar mais de uma década de trabalho em uma obra singular como Bruno Nunes.
PS: E SE NÃO ARRECADARMOS O VALOR TOTAL DO FILME?
Como fazer um documentário biográfico-musical significa equacionar escolhas estéticas e jurídicas, organizamos nossa caminhada em três degraus realistas:
R$ 135 MIL | O filme "em sua primeira versão"
O mínimo para o projeto respirar. Com esse valor, rodamos as últimas entrevistas e estruturamos uma base do filme na ilha de montagem. Como esse período de largada exige meses de dedicação concentrada (em entrevistas, pesquisa, organização de novo acervo, coordenação de produção e – principalmente – montagem), esta meta inicial assegura a infraestrutura desse chão de fábrica técnico. É com essa primeira versão que mapeamos o real tamanho de nossas questões jurídicas, é com ela que damos o passo obrigatório para descobrir o quê, quanto e a quem precisaremos pagar para o filme existir de verdade.
R$ 240 MIL | O filme "jurídica e tecnicamente pronto"
Esse degrau cobre, inicialmente, os custos com assessoria jurídica, licenciamento de imagens, composições, versões e demais arquivos ligados a terceiros. Os valores desse universo são estimativas baseadas em quem acompanha de perto negociações de mercado –através de relatos de colegas sobre custos de licenciamento de artistas do primeiro escalão – e em quem já enfrentou na prática o desenho de orçamentos com obras musicais para Argentina, Me Desculpe (2015) e Ontem Lembrei de Minha Mãe (2025). Com essas autorizações em mãos, a verba garante também a finalização técnica de imagem e som, além da tradução e da legendagem que preparam a obra para o mundo.
R$ 320 MIL | O filme "pronto para o cinema e para o mundo"
O plano completo e sem cortes. Com o filme pronto e o direitos pacificados, este teto financia o passo final: a distribuição. É o valor que cobre a acessibilidade obrigatória (Libras, audiodescrição e LSE), as cópias de exibição em cinemas (DCP), assessoria de imprensa, circuito de festivais e a logística para que Tio Bruno ocupe o seu lugar de direito: a telona.
Vamo nessa?
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