Desde o ano de 2023, a Revista publica resultados de estudos e pesquisas sobre mundo do trabalho, formação humana e relações históricas entre trabalho e educação. Criado pelo Núcleo de Estudos, Documentação e Dados sobre Trabalho e Educação (Neddate/UFF) e vinculado à Faculdade de Educação e ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, é um periódico eletrônico dirigido a professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação, especialmente das áreas de ciências sociais e humanas.
Criamos um Coletivo de Pesquisadores/as da Revista Trabalho Necessário porque não queremos participar dos processos de mercantilização da produção acadêmica mediados pelos homens-de-negócio e suas bigtechs. Por acreditar que, como bem comum, o conhecimento social e historicamente construído pela humanidade não deve ser concebido como uma mercadoria a ser vendida e comprada no mercado, somos contrários a políticas neoliberais e às práticas público-privadas que transferem para autores e leitores os custos de um periódico eletrônico.
Nós, da Revista Trabalho Necessário, persistimos na luta pelo direito da classe trabalhadora à educação pública, gratuita, laica e de qualidade e referenciada socialmente. Persistimos na luta conta a mercantização das relações sociais e da própria vida.
Compreendendo que os saberes do trabalho de produzir a vida se constituem como um bem coletivo e, portanto, devem ser livremente veiculados, distribuídos e apropriados, o Coletivo de Pesquisadores/as da Revista Trabalho Necessário caminha na perspectiva da “Ciência Aberta”, ou melhor, de uma ciência realmente aberta, o que requer, entre outros, que autores e leitores não arquem com o ônus do acesso ao conhecimento científico.
Conhecimento científico é um bem coletivo! O acesso a ele, não deve depender do poder econômico de quem lê ou de quem escreve e publica artigos, ensaios, resenhas. Assim, para não sucumbir, todo e qualquer apoio à Revista Trabalho Necessário deve ser entendido como apoio livre, espontâneo, e ao mesmo tempo orgânico, no sentido de contribuir para materializar um periódico que se fundamenta no materialismo histórico e dialético como método de compreensão e, ao mesmo tempo, de transformação da realidade opressora que nos impõe a sociedade produtora de mercadorias, a sociedade capitalista.
Mas, editar uma revista exige trabalho, um “trabalho necessário”, no sentido amplo do termo: solicitar e receber pareceres, revisar, diagramar, organizar, preservar, publicar, divulgar... O processo de produção editorial envolve tempo, pessoas e recursos. Por isso, queremos construir ampliar a rede de apoio voluntário que possibilite que produção acadêmica continue chegando a todos/as.
Política editorial
De acordo com sua política editorial, a Revista Trabalho Necessário procura recuperar em seu título um dos conceitos centrais do pensamento marxiano, ou seja, o trabalho como atividade vital da espécie humana, compreendendo que o embate político - teórico e prático – pela superação da sociedade produtora de mercadorias não pode ser deixado de lado. Enfim, o trabalho será sempre necessário.
Os temas abrigados pela Trabalho Necessário serão preferencialmente relacionados à formação humana e às práticas educativas que se efetivam no âmbito institucional, nos movimentos e lutas que se dão em diferentes espaços/temos sociais. Pauta-se pelo esforço de compreensão e reconstrução, no plano teórico-prático, das diferentes mediações sociais constitutivas da relação entre o mundo do trabalho e a educação, elegendo como referencial teórico-metodológico o materialismo histórico, norteador da crítica da economia política, que conduz a uma visão histórica da sociedade.
A Revista Trabalho Necessário considera que, nas sociedades cindidas em classes sociais antagônicas, a produção do conhecimento está sempre vinculada a uma determinada concepção da realidade. Ao buscar nos fenômenos as múltiplas determinações ou mediações que os constituem, relacionando parte-todo, sujeito-objeto ou subjetividade-objetividade, passado-presente, dentro de uma totalidade histórica, o materialismo histórico se contrapõe aos referenciais idealista, empirista, estrutural-funcionalista, pós-estruturalista e pós-moderno que também analisa de diferentes formas, o capitalismo. Depreende-se disso que, na permanente disputa de leitura de significação da realidade, torna-se impossível a mera soma de teorias, como pretende o ecletismo. Obviamente, podem ocorrer, como sugere Gramsci, incorporações de aspectos teorias críticas, que contribuam para a compreensão da realidade da forma mais ampla possível.
A Revista Trabalho Necessário esclarece, finalmente, que está aberta à apreciação de textos que se substanciem em referenciais teórico-metodológicos divergentes de sua política editorial, desde que explicitem uma coerência interna no âmbito ontológico e epistemológico, e que estimulem um debate fecundo na relação crítica com esta linha editorial.
A que viemos?
Dos processos de edição e publicação de forma contínua, sem interrupção e atraso, estiveram à frente os professores Gaudêncio Frigotto e Maria Ciavatta, contando com diversos editores/professores ao longo de seus 23 anos de experiência: Ronaldo Rosas, José Rodrigues, Francisco José da Silveira Lobo Neto, Luciana Requião, Sonia Rummert, Jaqueline Ventura, Maria Cristina Paulo Rodrigues, José Luiz Cordeiro Antunes, Regis Arguelles e Adriana Barbosa, que muito se empenharam pelo seu reconhecimento acadêmico. Na atualidade, estão à frente Lia Tiriba (editora-responsável), Jacqueline Botelho e Domingos Leite Lima Filho.
Desde 2018, passou a editar Números Temáticos, tendo com organizadores/as pesquisadores/as de grupos de pesquisa que apresentam afinidades teórico-metodológicas com a linha editorial da revista. O Número Temático é composto de textos de autores convidados e textos recebidos por demanda espontânea. Na perspectiva de jornalismo integral (Gramsci), é composto das seções Homenagem, Texto Clássico, Entrevista, Memória e Documentos, Resenha, Ensaio, Teses e Dissertações, preferencialmente articuladas com a temática em questão, constituindo-se como unidade editorial.
Tem sido fundamental a interlocução com os grupos de pesquisa presentes principalmente no GT 09 (Trabalho e Educação) da ANPEd. Foi a partir das discussões no INTERCRÍTICA - Intercâmbio Nacional de Grupos de Pesquisa em Trabalho-educação que surgiu a proposta a criação de números temáticos (2018). Sem desconsiderar a importância de outras revistas sobre Trabalho-educação, e seguindo a linha editorial estabelecida em 2003, nossa intenção tem sido a de sensibilizar outros grupos de pesquisa sobre a importância de nossa revista eletrônica como meio de veiculação e mediação do pensamento crítico em relação ao mundo do trabalho, à formação humana e as relações históricas entre trabalho e educação.
Indo ao encontro dos princípios da Ciência Aberta, a Revista tem como um de seus desafios ampliar a divulgação científica, de maneira a favorecer a democratização do conhecimento. Para isso, não apenas o Instagram, mas a própria plataforma Catarse são fundamentais para a divulgação científica, com intuito de alcançar um público maior, o que pode nos permitir ampliar as relações entre universidade, movimentos sociais populares e sociedade em geral.
Em relação à ética, é importante registrar que o processo de revisão por pares é duplo-cego na avaliação dos manuscritos, contando com a participação de um conjunto de pareceristas do comitê científico e ad hoc, respeitando a distribuição geográfica (nacional e internacional) das instituições nas diferentes regiões do Brasil. Buscamos também acompanhar as inovações e mudanças no debate editorial na gestão de periódicos acadêmicos, entre elas a possibilidade de avaliação por pares, de modo semiaberto. Outro aspecto importante relativo à inovação da Revista é ingressar em bases de indexação que auxiliem no processo de internacionalização e na discussão de ciências abertas, como Scopus, Scielo, Web of Science e Redalyc.
Em 2026, celebramos o 23º aniversário da Revista Trabalho Necessário, sem descontinuidade, o que é motivo de muita alegria. São anos de experiência na veiculação de um conhecimento científico comprometido com a defesa da educação pública, contra as injustiças sociais, pela defesa da democracia como sistema político de acesso aos bens necessários à uma vida digna e enfrentamento à crise estrutural do capitalismo que, acompanhada das crises climática e geopolítica, constitui-se como crise civilizatória que assola o planeta e ameaça a sobrevivência da humanidade.
CATARSE - Do ponto de vista de Antônio Gramsci (e da equipe editorial da Revista), o termo Catarse, que casualmente é o nome da plataforma digital que se constitui como mediação na ampliação do Coletivo de Pesquisadores/as da Revista Trabalho Necessário: :
Pode-se empregar a expressão “catarse” para indicar a passagem do momento meramente econômico (ou egoístico-passional) ao momento ético-político, isto é, a elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens. Isso significa, também, a passagem do “objetivo ao subjetivo” e da “necessidade à liberdade”. A estrutura, de força exterior que esmaga o homem, assimilando-o e o tornando passivo, transforma-se em meio de liberdade, em instrumento para criar uma nova forma ético-política, em fonte de novas iniciativas. A fixação do momento “catártico” torna-se assim, parece-me, o ponto de partida de toda a filosofia da práxis; o processo catártico coincide com a cadeia de sínteses que resultam do desenvolvimento dialético. (Gramsci, Caderno do Cárcere)).
