Começando projeto novo, e como sempre, levando uma sova. É sempre essa treta em achar o estilo do desenho e o personagem. O figura aqui é um escritor. E todo escritor que se preze é viciado em café. Por isso o nariz de chaleira (ARRÁ!).
Começando projeto novo, e como sempre, levando uma sova. É sempre essa treta em achar o estilo do desenho e o personagem. O figura aqui é um escritor. E todo escritor que se preze é viciado em café. Por isso o nariz de chaleira (ARRÁ!).
Bom dia, minha gente boa e honesta! Tudo bem com vocês?
Recentemente, terminei um novo livro. Desta vez, fui de literatura ilustrada ou literatura "infantil", como queiram chamar. Espero produzir nesta seara ainda mais este mais ano.
Como vocês puderam perceber pelas postagens passadas, meu processo de criação é bem atribulado. Via de regra, começa de um jeito e termina de outro completamente diferente.
Com este não podia ser diferente. O título original era "Este Alguém". Eu queria escrever uma história sobre a falta que determinadas pessoas ou personagens fazem em nossa vida. Achei que seria bom contá-la através de uma capivara e um gato (pois é). Capivara porque, pelo menos na capital de SP, só a vemos às margens do Rio Tietê. Com pouca expressão corporal, seria a imagem da depressão contraposta a curiosa e jovial do gato. Nisso, o embate estava dado: capivara como algum funcionário burocrático e depressivo contra o sinuoso gato artista ("estereótipos?" Calma, cocada).
Estes eram os esboços da primeira versão. A capivara deu trabalho nas páginas seguintes. Acabei decidindo humanizá-la de vez.
Abaixo, o esboço da segunda versão com direito a capa.

Uma coisa mais sinistra, certo?
Depois de esboçado toda a história, essa coisa do gato propor a arte como um elemento de transformação ao humano, para que ele saísse da fossa onde estava, ficou germinando, germinando, germinando.... A história não estava pronta. O personagem era feio demais também. Resolvi escolher alguém maior, para aumentar o contraste ao gato preto, esticar a corda, saca?
Mudei o título também. "Este alguém" virou "Se eu soubesse desenhar". Foco na arte como cura (alô turma da arte terapia! rs). Ou mesmo, arte curra (oh!).
E lá vamos nós para o terceiro esboço.
Das 44 páginas iniciais, saltei para 76. Enviei o PDF para meu irmão ler. Meu irmão não é um leitor assíduo. Mas gosto de ouvir as considerações de quem tem uma visão menos contaminada pelas gramáticas visuais. Ele achou que faltavam páginas à história. Dei o braço a torcer. Acrescentei mais 44 páginas! C'est la vie.
E aí, uma coisa me ocorreu ao pensar na finalização. A tirar pelo título (e aqui já não lembro se tinha isso definido quando desenvolvi este novo personagem), o desenho teria de ser meio feinho. Para isso, decidi trabalhar tudo o que fosse risco com a mão esquerda, e a nanquim, a mão direita (sou destro). E olha que eu adorei. Sério. O desenho ficou tortinho, tremido, parecendo outra personalidade visual. Gostei demais.
A cereja do bolo veio com o entendimento do que era o papel (esse que o gato trás ao personagem, para que ele crie um desenho qualquer ou mesmo outra realidade que não aquela à que está submetido). Como vocês podem conferir, meu personagem virou o homem de papel dobrado. A medida em que ele vai se estressando cada vez mais, o papel, além de dobrado, vai ficando amassado. Uma graça.
TÉCNICA DOS CAMPEÕES: Alguns desenhos, dobrei realmente, outros até rasguei. Mas para facilitar a vida, tirei diversas fotos de papéis dobrados, amassados e joguei no Photoshop em uma layer acima e em multiply. A prerrogativa estava em achar a melhor dobra ou amassado que compusesse junto ao desenho.
E é isso.
Fico feliz que ainda estejam por aqui.
Dedico esta postagem e este meu novo livro para aqueles que preferem criar a destruir.
Uma boa tarde a todos!
Olá, fiéis apoiadores!! Que satisfação tê-los ainda por aqui. Perdoem-me pela ausência. Muita coisa aconteceu e ainda está acontecendo. Entre uma bomba e outra, sempre estarei por aqui, trazendo algo a mais para vocês sobre processo, novas histórias ou referências.
Na postagem de hoje, segue uma espécie de ornograma sobre a construção do roteiro da HQ O Maestro, o Cuco e a Lenda.
Notem que alguns aspectos/elementos/temas foram destacadas com cores correspondentes. Com isso consigo ver melhor o ritmo de como o roteiro está fluindo, onde está faltando mais "pico emocional" ou que parte precisa de respiro ou mesmo quando voltar a por em cena algum personagem específico para que o leitor não o perca de vista.

Diversos autores utilizam aqueles post-its. Acho fofo. Mas prefiro jogar em uma planilha digital mesmo e acessá-la quando eu bem entender do que ficar pendurado nestes quadros toda vez que bater o olho. Se mesmo assim, já sou obcecado. Imaginem com um quadro desses no meio da sala.... Cada um, cada um.
Curiosidade: A primeira versão do nome da personagem Kauane era Ana. Virou Kauane depois que eu fui atrás de nomes indígenas, afinal ela era mestiça. Kauane significa gavião.
Até a próxima pessoal!
Beijocas.
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