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Fui aluno de Luís Augusto Fischer, um dos melhores professores de Literatura do país, circa 1989. (Uma das coisas mais legais, na formação generalista do curso de Comunicação, era ter aulas bacanas de outros departamentos em nosso currículo.)
Fischer, pouco mais de dez anos mais velho que a gente, era cultíssimo, lidíssimo e tinha zero afetação. Fazia questão de nos apresentar sua paixão pelos livros, e seu rigor crítico como leitor, e o tino da sua curadoria, no balcão do bar da faculdade, à frente de uma água mineral – com o entusiasmo de um irmão mais velho compartilhando conhecimento, e não com pose e trejeitos de “mestre”.
Fischer foi um dos organizadores do Prêmio UFRGS de Literatura – Troféu Moacyr Scliar, concurso literário para alunos da universidade, que venci em sua primeira edição, em 1990, com Toda Decadência, um livro de contos que eu tinha na gaveta.
Fischer é autor de vários livros, entre eles o divertido Dicionário de Porto-Alegrês. É também um dos fundadores do ótimo Sarau Elétrico, evento literário-musical que ocorre toda terça à noite no Bar Ocidente, em Porto Alegre. E Fischer edita a Parêntese, newsletter semanal do Matinal Jornalismo.
Concedi a ele a seguinte entrevista, por ocasião do lançamento de Os Dias de Sol.
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1. Uma novela de formação, nesta altura da vida? Por quê?
Sempre achei a adolescência um período épico, trágico, dramático e cômico. Ou seja: um manancial de bons personagens e de grandes eventos para a literatura.
Essa história sempre esteve dentro de mim, fermentando, virando narrativa. A passagem do tempo ajuda: a memória vai limando muita coisa, deixando somente o essencial, aquilo que realmente marcou.
Não é que eu tenha tido uma adolescência extraordinária – mas acho que ela foi suficientemente grandiosa e trepidante, ao transformar a criança que fui no adulto que eu viria a ser, mesmo que muitas outras pessoas tenham a mesma sensação em relação aos seus verdes anos também.
Sempre enxerguei ali, do ponto de vista da fabulação, momentos cruciais, passagens com peso formativo, trapalhadas de monta – coisas que ficam para sempre. Então estava na hora de contar essa história, tirar esse panteão de dentro de mim.
2. Tua vida é a base da história do personagem-narrador, em alguma medida? Criação em cidade do interior, descobertas deslumbrantes numa época mais inocente de tecnologia, por aí?
Em certo sentido, esse é um livro de autoficção. (Mas qual livro, em alguma medida, não é?) Os personagens de Os Dias de Sol foram compostos a partir de um mosaico de características de pessoas que marcaram minha adolescência. A essa colagem, acrescentei aspectos, atitudes, vozes e comportamentos que inventei livremente. E, ao lado de ficcionalizar alguns eventos que compuseram meus anos de formação, criei passagens que são fruto exclusivo da minha imaginação, e não têm qualquer conexão com fatos acontecidos ou com pessoas reais.
A história não está localizada explicitamente em nenhum lugar e tampouco em um determinado tempo, mas há muitas dicas de que se trata do desabrochar para a vida da Geração X, dos brasileiros que hoje compõem a chamada “economia prateada”, numa cidade do interior no Brasil, em tempos analógicos. Tenho dito que Os Dias de Sol é literatura infantojuvenil da melhor qualidade para garotos e garotas 50+.
3. Tu tens uma história de ficcionista meio interrompida pela trajetória como jornalista, executivo do mercado de notícias e como autor de livros sobre esse mundo. O que temos agora, em “Os Dias de Sol”, é uma retomada?
Sim, estreei muito cedo, com Toda Decadência, livro de contos que venceu o Prêmio UFRGS de Literatura e foi publicado pela Editora da UFRGS, em 1990. Depois, publiquei uma novela, Homem Sem Nome, em 1999. E desde então foram nove livros de não-ficção – cinco livros de negócios & carreira, três memoirs e um livro-reportagem.
Tive dois ciclos profissionais em minha vida: dez anos como executivo e dezesseis como empreendedor. Havia, entre outras coisas, um plano em curso: gerar condições para poder me dedicar agora à minha terceira e última carreira – a de escritor.
Essa é a minha vocação central, o meu desejo mais genuíno. Sempre foi. E eu sempre soube disso. Então, enquanto houver vigor, e alguma boa história a contar, estarei carpindo literatura, preferencialmente numa obra de ficção, como meu trabalho principal, como faina diária.
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Por fim, uma nota: chegamos à quarta semana da campanha com mais de 200 apoiadores e 70% da meta alcançada. Muito obrigado!
A campanha se encerra daqui a 16 dias. O pessoal do Catarse me instruiu a comentar com você que se cada um que já apoiou a campanha trouxer mais um apoiador, a gente conseguirá, junto, superar a meta. Que você acha de indicar Os Dias de Sol a sua rede de amigos? Ou de presentear alguém no Natal com essa instigante viagem no tempo?