Gente! Ontem, dia 7/9 chegamos aos 100% da meta. Isso é uma conquista de todos aqui. Apesar de um pequeno sufoco no começo da campanha, nós chegamos a marca e agora é oficial. Todo o projeto vai ser viabilizado e vocês receberão tudo em casa. Dante e os reflexos do medo será uma publicação da editora Matriz enquanto Divino será uma publicação independente.
Seguiremos a construção das publicações e das recompensas por aqui. A campanha continua seguindo até o dia 2 de outubro. Se você ainda não apoiou, faço aqui meu convite de conhecer a campanha e as recompensas, escolher a que mais te agradar e apoiar. www.catarse.com.br/dante1
Novamente, nosso muito obrigado, de coração.
Grande abraço a todos e até breve.
Jean Lins
Chegamos na meta! Aêêêêêê
Gente! Ontem, dia 7/9 chegamos aos 100% da meta. Isso é uma conquista de todos aqui. Apesar de um pequeno sufoco no começo da campanha, nós chegamos a marca e agora é oficial. Todo o projeto vai ser viabilizado e vocês receberão tudo em casa. Dante e os reflexos do medo será uma publicação da editora Matriz enquanto Divino será uma publicação independente.
Seguiremos a construção das publicações e das recompensas por aqui. A campanha continua seguindo até o dia 2 de outubro. Se você ainda não apoiou, faço aqui meu convite de conhecer a campanha e as recompensas, escolher a que mais te agradar e apoiar. www.catarse.com.br/dante1
Bom dia, apoiadores, seguidores e amigos.! Hoje o post vai ser aberto pra todo mundo poder comemorar. A gente vem com muita, muuuitaaa, muuuuuuuuiiiitaaaaaa alegria contar pra vocês que chegamos em 76% de arrecadação da campanha. Saltamos mais de 36% nessa última semana. Queria agradecer todos vocês que estão acreditando nessa jornada, que estão apostando no que queremos contar e nas nossas ideias. Um agradecimento em especial ao Fernando Costa que jogou o holofote dele na nossa campanha e fez muita gente conhecer o projeto.
Se você ainda não é apoiador, considere conhecer a campanha e apoiar nosso projeto.
Dante e os reflexos do medo está quase concluído, apenas faltando alguns textos extras e coisas mais técnicas. Divino está caminhando, logo mais chega em 50% da produção. O objetivo é estar com tudo pronto antes da campanha terminar.
Para essa semana, queria falar um pouco mais sobre o processo de criação das páginas de Dante e os reflexos do medo e por isso, peço licença aqui ao Yago para tomar as rédeas do texto.
De fevereiro até julho eu produzi layouts, desenhos, arte-final e cores (essa com ajuda dos flats do Nicolau). Foram 42 páginas produzidas de lá pra cá. Fora os outros trabalhos e freelas que rolaram nesse tempo hehe
Particularmente eu gosto demais de separar essas etapas. Não gosto de ficar preso 100% em apenas uma etapa, então prefiro dividir em blocos. Por exemplo: Eu faço 20 layouts de páginas, quando termino eu já começo a desenhar e alterno entre desenhar e fazer os outros layouts aos poucos. Com 10 páginas desenhadas e os layouts mais adiantados, eu já começo a arte-final. Como meu processo de colorir é rápido (com as cores bases prontas) eu prefiro adiantar bastante a arte-final. Isso é.. No momento de começar as cores eu provavelmente já tenho quase todos os layouts prontos. Um pouco mais da metade das páginas desenhadas. Uns 25% das páginas arte-finalizadas. Parece caótico, né? E é, mas é uma bagunça organizada.
Acredito que pra quem vê de fora pode ser estranho, para mim é um respiro. É uma forma da minha cabeça não cansar de um processo que é: solitário e repetitivo. Quando eu mudo de uma etapa pra outra é como se vinhesse algo novo. Dá aquela descarga de adrenalina em começar algo novo, mesmo que eu continue as demais etapas inacabadas aos poucos. O ritmo sempre permanece o mesmo e isso não altera o prazo estipulado.Eu penso em falar um pouco mais sobre cada processo e como eu penso cada um deles. Vocês gostariam? Se puderem, deixem nos comentários abaixo o que acham e se tiverem duvidas, não deixem de falar, adoraria conversar mais com vocês.
Por hoje é só, espero que gostem de ver essa construção e logo mais volto aqui para conversar mais sobre arte, quadrinhos e coisas mais.
Um grande e forte abraço! Jean Lins.
Bom dia, apoiadores, seguidores e amigos.! Hoje o post vai ser aberto pra todo mundo poder comemorar. A gente vem com muita, muuuitaaa, muuuuuuuuiiiitaaaaaa alegria contar pra vocês que chegamos em 76% de arrecadação da campanha. Saltamos mais de 36% nessa última semana. Queria agradecer todos vocês que estão acreditando nessa jornada, que estão apostando no que queremos contar e nas nossas ideias. Um agradecimento em especial ao Fernando Costa que jogou o holofote dele na nossa campanha e fez muita gente conhecer o projeto.
Se você ainda não é apoiador, considere conhecer a campanha e apoiar nosso projeto.
Dante e os reflexos do medo está quase concluído, apenas faltando alguns textos extras e coisas mais técnicas. Divino está caminhando, logo mais chega em 50% da produção. O objetivo é estar com tudo pronto antes da campanha terminar.
Para essa semana, queria falar um pouco mais sobre o processo de criação das páginas de Dante e os reflexos do medo e por isso, peço licença aqui ao Yago para tomar as rédeas do texto.
De fevereiro até julho eu produzi layouts, desenhos, arte-final e cores (essa com ajuda dos flats do Nicolau). Foram 42 páginas produzidas de lá pra cá. Fora os outros trabalhos e freelas que rolaram nesse tempo hehe
Particularmente eu gosto demais de separar essas etapas. Não gosto de ficar preso 100% em apenas uma etapa, então prefiro dividir em blocos. Por exemplo: Eu faço 20 layouts de páginas, quando termino eu já começo a desenhar e alterno entre desenhar e fazer os outros layouts aos poucos. Com 10 páginas desenhadas e os layouts mais adiantados, eu já começo a arte-final. Como meu processo de colorir é rápido (com as cores bases prontas) eu prefiro adiantar bastante a arte-final. Isso é.. No momento de começar as cores eu provavelmente já tenho quase todos os layouts prontos. Um pouco mais da metade das páginas desenhadas. Uns 25% das páginas arte-finalizadas. Parece caótico, né? E é, mas é uma bagunça organizada.
Acredito que pra quem vê de fora pode ser estranho, para mim é um respiro. É uma forma da minha cabeça não cansar de um processo que é: solitário e repetitivo. Quando eu mudo de uma etapa pra outra é como se vinhesse algo novo. Dá aquela descarga de adrenalina em começar algo novo, mesmo que eu continue as demais etapas inacabadas aos poucos. O ritmo sempre permanece o mesmo e isso não altera o prazo estipulado.Eu penso em falar um pouco mais sobre cada processo e como eu penso cada um deles. Vocês gostariam? Se puderem, deixem nos comentários abaixo o que acham e se tiverem duvidas, não deixem de falar, adoraria conversar mais com vocês.
Por hoje é só, espero que gostem de ver essa construção e logo mais volto aqui para conversar mais sobre arte, quadrinhos e coisas mais.
Chegamos ao fim da primeira semana da nossa campanha com boas notícias. Conseguimos 20% da nossa meta. Para o Catarse, esse é uma métrica maravilha e foi tudo graças a vocês por acreditarem na nossa história.
Queremos em todos os domingos, conversar um pouco com vocês sobre o andamento da campanha, mostrar um pouco como estão os preparativos dos livros e trazendo também algumas reflexões, como a que vem logo abaixo, escrita pelo Yago.
Dante e os reflexos do medo está quase terminado. Todas as páginas já foram concluídas e a capa está sendo feita. Até domingo que vem vocês vão conhecer a capa oficial do livro (ESTÁ LINDA!! Confiem!). Mas ainda estamos fazendo pequenos ajustes e algumas correções para que o livro esteja 100% como imaginamos para chegar em vocês.
Divino está ainda no início e este levará um pouco mais de tempo, talvez até o final do mês esteja completamente finalizado e vamos colocar algumas páginas pra vocês lerem aqui, ok?
Esse primeiro post ficará em aberto, mas os próximos seguirão apenas para os apoiadores. Então se você curtiu o que tá lendo e gostou da campanha, seja um apoiador! Convide os amigos e a familia para conhecer mais sobre os mistérios que Dante irá enfrentar em sua jornada.
Desde já, muito obrigado a todos por entraram nessa jornada com a gente. Até breve!
Jean Lins
Toda história nasce de uma pergunta.
Às vezes ela surge de um sonho, de uma lembrança da infância ou de um personagem que a gente admira e quer seguir o mesmo caminho. Com Dantenão foi diferente. A história nasceu da curiosidade, e olhando para trás… talvez não existisse ponto de partida melhor.
Desde muito antes dessa história existir, eu já carregava comigo a vontade de escrever uma aventura. Sempre gostei de narrativas em que o fantástico invade o cotidiano e que uma mitologia se torna parte essencial de uma narrativa. Eu sabia que queria escrever algo assim. O que eu não sabia era sobre quem escrever. Mas eu nunca sabia sobre quem ou de onde tirar essas histórias. E foi só quando comecei a olhar para perto que tudo fez sentido.
Enquanto dava aula, falando sobre folclore, ouvi alguns alunos fazerem uma pergunta aparentemente simples: "Professor, Maceió tem alguma lenda? Alagoas tem personagens do nosso folclore?"
Eu deveria ter uma resposta pronta…mas não tinha. E aquela pergunta ficou comigo muito mais tempo do que imaginei. Ela me incomodou da melhor maneira possível, pois eu sabia da existência de apenas uma no cemitério lá perto de casa, mas ainda não era o suficiente. Comecei a pesquisar, procurar, conversar com pessoas, revisitar registros antigos e mergulhar na busca por alguma coisa.
E então veio a surpresa.
Descobri um universo inteiro que sempre esteve ao meu redor. Eram personagens, criaturas, relatos, crenças, causos e tradições que atravessavam gerações. E o encantamento de descobrir um patrimônio cultural foi riquíssimo. Depois, um certo constrangimento por perceber o quanto eu havia sido ignorante em relação à própria terra onde nasci. Como alguém apaixonado por histórias poderia conhecer tão pouco das histórias contadas tão perto de casa?
Mas talvez exista uma beleza nisso também. Porque conhecer é sempre um recomeço.
Foi naquele momento que percebi que não queria apenas escrever uma aventura inspirada na cultura brasileira. Eu queria escrever uma aventura que nascesse dela. Queria que esses personagens voltassem a circular, encontrassem novos leitores e ocupassem espaços onde normalmente não aparecem para dialogar com novas formas de contar histórias.
Foi assim que Dante apareceu. Curiosamente, Dante nunca foi pensado como o herói que conhece todas as respostas. Muito pelo contrário. Embora seja um investigador do oculto, ele existe para ocupar exatamente o lugar do leitor. Quando ele encontra uma criatura, uma lenda ou um mito, quase sempre está descobrindo aquele universo pela primeira vez. Ele observa, pergunta, pesquisa, erra, aprende e segue em frente. E de certa forma, nós caminhamos juntos.
Enquanto Dante desvenda os mistérios daquele mundo, eu também continuo descobrindo a riqueza cultural que existe no nosso. Cada investigação dele é, em alguma medida, a minha própria investigação. Talvez seja justamente por isso que essa jornada pareça tão sincera, pois ela nasce da curiosidade. E acredito que a curiosidade seja uma das formas mais bonitas de preservar uma cultura.
Outro desafio apareceu logo em seguida: Como contar essa história?
Olá apoiadores e amigos! Tudo bem com vocês?
Chegamos ao fim da primeira semana da nossa campanha com boas notícias. Conseguimos 20% da nossa meta. Para o Catarse, esse é uma métrica maravilha e foi tudo graças a vocês por acreditarem na nossa história.
Queremos em todos os domingos, conversar um pouco com vocês sobre o andamento da campanha, mostrar um pouco como estão os preparativos dos livros e trazendo também algumas reflexões, como a que vem logo abaixo, escrita pelo Yago.
Dante e os reflexos do medo está quase terminado. Todas as páginas já foram concluídas e a capa está sendo feita. Até domingo que vem vocês vão conhecer a capa oficial do livro (ESTÁ LINDA!! Confiem!). Mas ainda estamos fazendo pequenos ajustes e algumas correções para que o livro esteja 100% como imaginamos para chegar em vocês.
Divino está ainda no início e este levará um pouco mais de tempo, talvez até o final do mês esteja completamente finalizado e vamos colocar algumas páginas pra vocês lerem aqui, ok?
Esse primeiro post ficará em aberto, mas os próximos seguirão apenas para os apoiadores. Então se você curtiu o que tá lendo e gostou da campanha, seja um apoiador! Convide os amigos e a familia para conhecer mais sobre os mistérios que Dante irá enfrentar em sua jornada.
Desde já, muito obrigado a todos por entraram nessa jornada com a gente. Até breve!
Jean Lins
Toda história nasce de uma pergunta.
Às vezes ela surge de um sonho, de uma lembrança da infância ou de um personagem que a gente admira e quer seguir o mesmo caminho. Com Dantenão foi diferente. A história nasceu da curiosidade, e olhando para trás… talvez não existisse ponto de partida melhor.
Desde muito antes dessa história existir, eu já carregava comigo a vontade de escrever uma aventura. Sempre gostei de narrativas em que o fantástico invade o cotidiano e que uma mitologia se torna parte essencial de uma narrativa. Eu sabia que queria escrever algo assim. O que eu não sabia era sobre quem escrever. Mas eu nunca sabia sobre quem ou de onde tirar essas histórias. E foi só quando comecei a olhar para perto que tudo fez sentido.
Enquanto dava aula, falando sobre folclore, ouvi alguns alunos fazerem uma pergunta aparentemente simples: "Professor, Maceió tem alguma lenda? Alagoas tem personagens do nosso folclore?"
Eu deveria ter uma resposta pronta…mas não tinha. E aquela pergunta ficou comigo muito mais tempo do que imaginei. Ela me incomodou da melhor maneira possível, pois eu sabia da existência de apenas uma no cemitério lá perto de casa, mas ainda não era o suficiente. Comecei a pesquisar, procurar, conversar com pessoas, revisitar registros antigos e mergulhar na busca por alguma coisa.
E então veio a surpresa.
Descobri um universo inteiro que sempre esteve ao meu redor. Eram personagens, criaturas, relatos, crenças, causos e tradições que atravessavam gerações. E o encantamento de descobrir um patrimônio cultural foi riquíssimo. Depois, um certo constrangimento por perceber o quanto eu havia sido ignorante em relação à própria terra onde nasci. Como alguém apaixonado por histórias poderia conhecer tão pouco das histórias contadas tão perto de casa?
Mas talvez exista uma beleza nisso também. Porque conhecer é sempre um recomeço.
Foi naquele momento que percebi que não queria apenas escrever uma aventura inspirada na cultura brasileira. Eu queria escrever uma aventura que nascesse dela. Queria que esses personagens voltassem a circular, encontrassem novos leitores e ocupassem espaços onde normalmente não aparecem para dialogar com novas formas de contar histórias.
Foi assim que Dante apareceu. Curiosamente, Dante nunca foi pensado como o herói que conhece todas as respostas. Muito pelo contrário. Embora seja um investigador do oculto, ele existe para ocupar exatamente o lugar do leitor. Quando ele encontra uma criatura, uma lenda ou um mito, quase sempre está descobrindo aquele universo pela primeira vez. Ele observa, pergunta, pesquisa, erra, aprende e segue em frente. E de certa forma, nós caminhamos juntos.
Enquanto Dante desvenda os mistérios daquele mundo, eu também continuo descobrindo a riqueza cultural que existe no nosso. Cada investigação dele é, em alguma medida, a minha própria investigação. Talvez seja justamente por isso que essa jornada pareça tão sincera, pois ela nasce da curiosidade. E acredito que a curiosidade seja uma das formas mais bonitas de preservar uma cultura.
Outro desafio apareceu logo em seguida: Como contar essa história?
Desde 2016 eu participo de eventos de cultura pop/nerd e sempre foi muito comum ver pessoas achando meus desenhos “fofos”. E tudo bem, a intenção no começo do meu trabalho era atingir certas emoções como essas. Sempre fui muito fã de ilustração infantil. Desde livros, séries animadas e filmes.
Mas pouca gente sabe como eu gosto de histórias de terror e como descobri essa paixão já tarde.
Na época da adolescência, muitas franquias estavam em alta nesse universo de terror. Acho que a mais recente era Jogos mortais. Além disso as várias sequências de Slashers vinham chegando aos cinemas. Apesar de entender o apelo, nunca fui fã desses filmes e por isso sempre fui afastado de outras obras de terror.
Não tenho certeza se foi Corra (2018), mas provavelmente foi nessa época que comecei a entender que as histórias de terror eram portas para falar de diversos assuntos que me interessavam. Posso ter despertado esse interesse com as primeiras obras de Jordan Peele, mas sem dúvidas, quem me cativou foi a diretora Misha Green quando tomou as rédeas de Lovecraft Country (2020).
A série que trazia episódios com identidades únicas e quase que independentes de um para o outro, apresentava diversas facetas de histórias de terror e aventura. Como o episódio dos fantasmas que assombram a casa, ou da perseguição agoniante da prima do Tic. Mesmo com essas diferenças entre episódios, a série se manteve em uma linha de horror cósmico, subgênero que sempre adorei, até o fim.
E foi ai que me despertou a vontade de entender melhor esses subgêneros e estilos narrativos. Comecei a assistir mais filmes e a me apaixonar por filmes com horror psicológico e com teor social. A lenda de Candyman (2021), apesar de parecer ser um filme bem genérico, tem uma mensagem muito triste, mas importante para os dias atuais. O Ritual (2018) me apresentou o “terror folclórico” trazendo elementos de culturas locais além de ser um ótimo filme sobre traumas. E não posso esquecer do maravilhoso Pecadores (2025) que é muito mais que um filme de vampiro.
E foi a partir dessas novas paixões que comecei a imaginar como seria contar uma história de terror em quadrinhos.
No fim de 2024, Yago já tinha uma história para ser contada. Falou comigo e apresentou a ideia. Fizemos algumas artes conceituais e conseguimos finalmente financiar a produção do quadrinho de Dante. Apesar de ser o primeiro roteiro para quadrinhos, Yago mandou muito bem. Poucos ajustes foram feitos para adequar a narrativa sequencial. A história estava bem redondinha e bem objetiva.
Depois de alguns atrasos (Graças a Deus foi por muito trabalho da época), comecei a produzir a HQ. De fevereiro a julho fiquei imerso nos layouts, desenhos, arte-final e cores. Além disso, comecei a ler Hellboy, graças ao meu amigo Markus que emprestou alguns gibis. Não tenho dúvidas de que conhecer essa obra foi fundamental para entender o que de melhor poderia adequar o gênero ao meu estilo de trabalho.
Dante está mais perto do que nunca de que chegar ao mundo. Com toda certeza irei revisitar esses personagens logo. Já estamos com ideias e queremos explorar mais ainda o que o sobrenatural de Alagoas tem a oferecer.
Espero contar com você na nova campanha. Ela começa na segunda-feira (03/08) de 11 horas da manhã. Teremos diversas recompensas digitais e algumas de papelaria. Aposto que vocês vão gostar! Bora seguir a campanha pra não perder o início da campanha? Vem no link com a gente: www.catarse.com.br/dante1
Desde 2016 eu participo de eventos de cultura pop/nerd e sempre foi muito comum ver pessoas achando meus desenhos “fofos”. E tudo bem, a intenção no começo do meu trabalho era atingir certas emoções como essas. Sempre fui muito fã de ilustração infantil. Desde livros, séries animadas e filmes.
Mas pouca gente sabe como eu gosto de histórias de terror e como descobri essa paixão já tarde.
Na época da adolescência, muitas franquias estavam em alta nesse universo de terror. Acho que a mais recente era Jogos mortais. Além disso as várias sequências de Slashers vinham chegando aos cinemas. Apesar de entender o apelo, nunca fui fã desses filmes e por isso sempre fui afastado de outras obras de terror.
Não tenho certeza se foi Corra (2018), mas provavelmente foi nessa época que comecei a entender que as histórias de terror eram portas para falar de diversos assuntos que me interessavam. Posso ter despertado esse interesse com as primeiras obras de Jordan Peele, mas sem dúvidas, quem me cativou foi a diretora Misha Green quando tomou as rédeas de Lovecraft Country (2020).
A série que trazia episódios com identidades únicas e quase que independentes de um para o outro, apresentava diversas facetas de histórias de terror e aventura. Como o episódio dos fantasmas que assombram a casa, ou da perseguição agoniante da prima do Tic. Mesmo com essas diferenças entre episódios, a série se manteve em uma linha de horror cósmico, subgênero que sempre adorei, até o fim.
E foi ai que me despertou a vontade de entender melhor esses subgêneros e estilos narrativos. Comecei a assistir mais filmes e a me apaixonar por filmes com horror psicológico e com teor social. A lenda de Candyman (2021), apesar de parecer ser um filme bem genérico, tem uma mensagem muito triste, mas importante para os dias atuais. O Ritual (2018) me apresentou o “terror folclórico” trazendo elementos de culturas locais além de ser um ótimo filme sobre traumas. E não posso esquecer do maravilhoso Pecadores (2025) que é muito mais que um filme de vampiro.
E foi a partir dessas novas paixões que comecei a imaginar como seria contar uma história de terror em quadrinhos.
No fim de 2024, Yago já tinha uma história para ser contada. Falou comigo e apresentou a ideia. Fizemos algumas artes conceituais e conseguimos finalmente financiar a produção do quadrinho de Dante. Apesar de ser o primeiro roteiro para quadrinhos, Yago mandou muito bem. Poucos ajustes foram feitos para adequar a narrativa sequencial. A história estava bem redondinha e bem objetiva.
Depois de alguns atrasos (Graças a Deus foi por muito trabalho da época), comecei a produzir a HQ. De fevereiro a julho fiquei imerso nos layouts, desenhos, arte-final e cores. Além disso, comecei a ler Hellboy, graças ao meu amigo Markus que emprestou alguns gibis. Não tenho dúvidas de que conhecer essa obra foi fundamental para entender o que de melhor poderia adequar o gênero ao meu estilo de trabalho.
Dante está mais perto do que nunca de que chegar ao mundo. Com toda certeza irei revisitar esses personagens logo. Já estamos com ideias e queremos explorar mais ainda o que o sobrenatural de Alagoas tem a oferecer.
Espero contar com você na nova campanha. Ela começa na segunda-feira (03/08) de 11 horas da manhã. Teremos diversas recompensas digitais e algumas de papelaria. Aposto que vocês vão gostar! Bora seguir a campanha pra não perder o início da campanha? Vem no link com a gente: www.catarse.com.br/dante1
Por volta do século XIX, os donos de engenhno dominavam a região de Alagoas, produzindo açúcar ainda utilizando escravizados como mão de obra. A história escravocrata em Alagoas é muito obscura, não somente por sua prática em si, mas como aconteceu por tanto tempo na ilegalidade quando o tráfico humano já era proíbido.
No litoral norte de Alagoas, havia o Engenho da família Ponte. Um engenho localizado em Porto de Pedras e gerenciado por homem extremamente sádico que aterrorizava e maltratava os escravizados do local.
Em um de seus caprichos, eles mandou construir uma casa de veraneio em uma praia próxima, São Miguel dos Milagres. Lá, desde a construção, os relatos de maus-tratos eram recorrentes.
Em certo momento, o dono do engenho faleceu. O que muitos se enganaram naquele dia era que as perseguições e os temores haviam acabado. As suspeitas começaram quando descobriram que não havia corpo no caixão que foi enterrado. O paradeiro do cadáver nunca foi realmente desvendado.
Pouco tempo depois começaram os burburinhos e relatos dos morados das proximidades. Um grande berro podia ser escutado do engenho até a casa de praia. Avistamentos começaram acontecer, e muitos relatavam a mesma coisa. O antigo dono do engenho se transformou em um bode horripilante e infernal que aterrorizava os populares.
Tempos depois os relatos mudavam, acreditavam que o bode invadia os sonhos das pessoas. Ele criava pesadelos e impedia que as pessoas pudessem descansar. Criava ilusões e confundia os sentidos.
E até hoje, a presença do bode pode ser sentida (e até vista) pelos moradores.
...
E com isso chegamos aos dias de hoje. Em Dante e os reflexos do medo, veremos o investigador Alagoano em uma trama que atravessou gerações. Dante e sua parceira Helena são chamados ao orfanato que ele cresceu para desvendar um novo caso sobrenatural. Seria o Bode do Ponte a mesma criatura que causou profundas feridas na infância de Dante?
A campanha para esse novo quadrinho irá começar no dia 3 de Agosto e já estamos com a pré-campanha aberta. Convido a todos para seguir e acompanhar o começo dos casos dos detetives paranormais.
Por volta do século XIX, os donos de engenhno dominavam a região de Alagoas, produzindo açúcar ainda utilizando escravizados como mão de obra. A história escravocrata em Alagoas é muito obscura, não somente por sua prática em si, mas como aconteceu por tanto tempo na ilegalidade quando o tráfico humano já era proíbido.
No litoral norte de Alagoas, havia o Engenho da família Ponte. Um engenho localizado em Porto de Pedras e gerenciado por homem extremamente sádico que aterrorizava e maltratava os escravizados do local.
Em um de seus caprichos, eles mandou construir uma casa de veraneio em uma praia próxima, São Miguel dos Milagres. Lá, desde a construção, os relatos de maus-tratos eram recorrentes.
Em certo momento, o dono do engenho faleceu. O que muitos se enganaram naquele dia era que as perseguições e os temores haviam acabado. As suspeitas começaram quando descobriram que não havia corpo no caixão que foi enterrado. O paradeiro do cadáver nunca foi realmente desvendado.
Pouco tempo depois começaram os burburinhos e relatos dos morados das proximidades. Um grande berro podia ser escutado do engenho até a casa de praia. Avistamentos começaram acontecer, e muitos relatavam a mesma coisa. O antigo dono do engenho se transformou em um bode horripilante e infernal que aterrorizava os populares.
Tempos depois os relatos mudavam, acreditavam que o bode invadia os sonhos das pessoas. Ele criava pesadelos e impedia que as pessoas pudessem descansar. Criava ilusões e confundia os sentidos.
E até hoje, a presença do bode pode ser sentida (e até vista) pelos moradores.
...
E com isso chegamos aos dias de hoje. Em Dante e os reflexos do medo, veremos o investigador Alagoano em uma trama que atravessou gerações. Dante e sua parceira Helena são chamados ao orfanato que ele cresceu para desvendar um novo caso sobrenatural. Seria o Bode do Ponte a mesma criatura que causou profundas feridas na infância de Dante?
A campanha para esse novo quadrinho irá começar no dia 3 de Agosto e já estamos com a pré-campanha aberta. Convido a todos para seguir e acompanhar o começo dos casos dos detetives paranormais.
Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Faz um bom tempo que não apareço aqui, não é? E bom, acho que só tenho boas novidades. Vamos lá?
No começo do mês estava participando da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A Feira Muvuca, popular espaço da bienal, aconteceu no MON entre os dias 4 e 7 de setembro desse ano. Lá, entre abraços e conversas, recebi a notícia que o Troféu HQMIX tinha divulgado seus finalistas ao maior prêmio do quadrinho brasileiro. Pra minha surpresa, Dandara: A filha do fogo foi indicada na categoria de WEB Quadrinhos. :D
Para quem não sabe ainda, Dandara: A filha do fogo é meu novo quadrinho. Lançado em 2024 na plataforma Tapas.io onde publico recorrentemente as páginas da nova história por lá. Nesse novo capítulo, Dandara inicia sua jornada no mundo após o desastre de uma fuga onde era escravizada com o irmão. Agora, Dandara precisa se entender com o luto enquanto descobre segredos ancestrais que atravessam sua jornada.
A filha do fogo é sem dúvidas meu projeto mais ambicioso até o momento. A história pretende ter 140 páginas coloridas e já pode ser lida de forma gratuita pelo link: https://tapas.io/series/Dandara-A-filha-do-fogo
Agora com o livro participando desse prêmio, eu venho pedir seu voto. Vamos fazer Dandara chegar em mais lugares e mais pessoas. Vamos dar esse voto de confiança a nossa heroína nacional. Conto com o apoio dos votantes ao prêmio para trazer esse troféu para casa.
Mas e a versão física?
A versão física vem no ano que vem. Estou planejamento abrir uma campanha aqui no Catarse entre novembro e dezembro desse ano para poder financiar os custos de produção. Mas por enquanto, vou resolvendo outros projetos e logo mais escrevo novidades aqui pra vocês, tá bem?
Conto com vocês mais uma vez e até breve!
HQMix e A Filha do fogo.
Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Faz um bom tempo que não apareço aqui, não é? E bom, acho que só tenho boas novidades. Vamos lá?
No começo do mês estava participando da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A Feira Muvuca, popular espaço da bienal, aconteceu no MON entre os dias 4 e 7 de setembro desse ano. Lá, entre abraços e conversas, recebi a notícia que o Troféu HQMIX tinha divulgado seus finalistas ao maior prêmio do quadrinho brasileiro. Pra minha surpresa, Dandara: A filha do fogo foi indicada na categoria de WEB Quadrinhos. :D
Para quem não sabe ainda, Dandara: A filha do fogo é meu novo quadrinho. Lançado em 2024 na plataforma Tapas.io onde publico recorrentemente as páginas da nova história por lá. Nesse novo capítulo, Dandara inicia sua jornada no mundo após o desastre de uma fuga onde era escravizada com o irmão. Agora, Dandara precisa se entender com o luto enquanto descobre segredos ancestrais que atravessam sua jornada.
A filha do fogo é sem dúvidas meu projeto mais ambicioso até o momento. A história pretende ter 140 páginas coloridas e já pode ser lida de forma gratuita pelo link: https://tapas.io/series/Dandara-A-filha-do-fogo
Agora com o livro participando desse prêmio, eu venho pedir seu voto. Vamos fazer Dandara chegar em mais lugares e mais pessoas. Vamos dar esse voto de confiança a nossa heroína nacional. Conto com o apoio dos votantes ao prêmio para trazer esse troféu para casa.
Mas e a versão física?
A versão física vem no ano que vem. Estou planejamento abrir uma campanha aqui no Catarse entre novembro e dezembro desse ano para poder financiar os custos de produção. Mas por enquanto, vou resolvendo outros projetos e logo mais escrevo novidades aqui pra vocês, tá bem?
Gente, quero dividir uma novidade com vocês bem legal. Em 2019 o projeto dos Contos de Griô surgiu, pesquisamos, pensamos e criamos um quadrinho que encantou o Brasil inteiro e foi além. Nossa ideia tomou uma forma maior e em 2022 lançamos um segundo título, chamado A origem do tambor, e dessa vez fomos indicados ao 35º prêmio HQ Mix na categoria Publicação Infantil. Tudo isso graças a confiança e apoio de vocês que transformaram a nossa ideia em algo possível. Mas o que aconteceu pra esse e-mail chegar até vocês agora? Bom, os livros acabaram. Chegaram em todos os leitores possíveis nesses últimos anos. Mesmo assim, os pedidos em eventos, feiras e nas redes, continuam. Por isso, estamos felizes em dizer que faremos uma segunda edição e queremos o apoio de vocês nessa nova aventura.
Nessa nova campanha (que já está no ar) você pode adquirir outros títulos e novas recompensas exclusivas dessa campanha. Espero o apoio de vocês nessa nova jornada que vem por aí.
Oi, galera! Tudo bem?!
Gente, quero dividir uma novidade com vocês bem legal. Em 2019 o projeto dos Contos de Griô surgiu, pesquisamos, pensamos e criamos um quadrinho que encantou o Brasil inteiro e foi além. Nossa ideia tomou uma forma maior e em 2022 lançamos um segundo título, chamado A origem do tambor, e dessa vez fomos indicados ao 35º prêmio HQ Mix na categoria Publicação Infantil. Tudo isso graças a confiança e apoio de vocês que transformaram a nossa ideia em algo possível. Mas o que aconteceu pra esse e-mail chegar até vocês agora? Bom, os livros acabaram. Chegaram em todos os leitores possíveis nesses últimos anos. Mesmo assim, os pedidos em eventos, feiras e nas redes, continuam. Por isso, estamos felizes em dizer que faremos uma segunda edição e queremos o apoio de vocês nessa nova aventura.
Nessa nova campanha (que já está no ar) você pode adquirir outros títulos e novas recompensas exclusivas dessa campanha. Espero o apoio de vocês nessa nova jornada que vem por aí.
O Domingou de hoje é para todos e espero que gostem. Aos não apoiadores, considere ser um apoiador doando qualquer valor ou escolhendo um pacote de recompensas.
Esse é um domingo especial. Batemos 30% e estamos chegando no meio da campanha. Agora falta menos de 32 dias restantes pra bater a meta total da campanha e financiar nosso livro. Antes do texto da Ana, eu (Jean) quero conversar um pouco sobre como anda a nossa campanha.
A urgência bate a porta e agora, mais do que nunca, precisamos do apoio de todos. Tanto em divulgação, como em financiamento. É importante que mais pessoas descubram sobre a campanha e sobre do que se trata o nosso projeto. Muita gente chega aqui por meio de indicação mesmo a gente divulgando nas redes todo dia. Vocês ajudam demais e agradecemos o esforço nessa nossa luta.
No próximo final de semana iremos contar a vocês sobre as metas estendidas, mostrar novas páginas exclusivas das histórias e novas curiosidades.
Antes mesmo do termo "griô" começar a se difundir no Brasil, os griôs eram conhecidos como guardiões dos saberes populares. Porém durante muito tempo diversas práticas destes mestres, como espiritualidade e medicina popular, mesmo apresentando um papel fundamental no funcionamento da estrutura de nossa sociedade, desde os tempos da invasão colonial, foram excluídas socialmente, mal vistas e marginalizadas.
A invasão e colonização do Brasil criou um trauma social muito grande em seu povo. Durante o processo colonial, quando violências foram cometidas contra os indígenas e posteriormente contra africanos, com a imposição de costumes religiosos e práticas culturais, muita informação, conhecimento e sabedoria foram perdidos ou calados. Tentaram enterrar a sabedoria ancestral dos povos que formaram o Brasil. Impondo uma cultura de escrita como única fonte e forma de saber a medida que invalidou o poder de conhecimento de toda cultura oral.
A nossa verdadeira história não foi contada nos livros nas escolas. A verdadeira história foi passada de boca a boca, de geração para geração entre senzalas, praças, plantações de cana, minas de ouro, entre cais e portos. A verdadeira história foi contada através de metáforas e floreios de linguagem em canções de trabalho ou cantigas de ninar. Nas noites em que a fogueira ardia nas celebrações do jongo, as palavras secretas eram pronunciadas, entre mandingas e danças, entre o cheiro de plantas e raízes de cura.
É necessário também frisar e ressaltar aqui a importância da influência dos indígenas na criação da figura do griô brasileiro. Eram os indígenas quem mais tinham conhecimento dos segredos de nossa geografia e ambiente nos tempos da invasão colonial. Foi deles que herdamos instrumentos musicais, comida, lendas e mitos. Foi dessa mistura que nasceu nosso jeito lindo de falar as palavras. (Foto: Cacica Maiá, griô indígena baiana)
Os griots e os aspirantes estão criando e restaurando a humanidade do povo negro a partir dos mitos, contos, fábulas, das histórias. Vários aspectos são tratados de forma com que adultos e crianças se enxerguem, se sintam representados e encontrem alívio ou força. Eles são mediadores da sociedade e utilizam a palavra como principal instrumento. Os griot resolvem conflitos e levam a calma, são músicos, poetas, atores.
Nos tempos atuais, é possível estabelecermos uma aproximação entre o griot do passado e griot da atualidade, à exemplo de artistas negros que utilizam de várias formas de expressões contemporânea (canto, dança, performances, instrumentos musicais) e atuam como agentes responsáveis pela transmissão e preservação da história. Sejam essas histórias resgate da história africana no Brasil ou reafirmação e resistência do cotidiano da comunidade negra em nosso país. Através de suas letras, melodias e performances, possibilitam uma reflexão sobre questões importantes de identidade étnico-racial, sobre a negação do direito de reivindicar a própria identidade negra e o silenciamento vivenciado que exclui e coloca à margem a população negra.
No Brasil, o entendimento do conceito de "griô" vem se reinventando e faz-se necessário conhecer, reconhecer esses mestres que levam a tradição da oralidade e cultura popular nos mais variados locais. São Rezadeiras, parteiras, raizeiros, bonequeiros, contadores de histórias, repentistas, curandeiros, erveiros, sambadeiras, benzedeiras, músicos, dançarinas, mestres e mestras da capoeira, marisqueiras. Que promovem a lembrança dos aspectos apagados do passado e abrem espaços de resistência.
O Domingou de hoje é para todos e espero que gostem. Aos não apoiadores, considere ser um apoiador doando qualquer valor ou escolhendo um pacote de recompensas.
Esse é um domingo especial. Batemos 30% e estamos chegando no meio da campanha. Agora falta menos de 32 dias restantes pra bater a meta total da campanha e financiar nosso livro. Antes do texto da Ana, eu (Jean) quero conversar um pouco sobre como anda a nossa campanha.
A urgência bate a porta e agora, mais do que nunca, precisamos do apoio de todos. Tanto em divulgação, como em financiamento. É importante que mais pessoas descubram sobre a campanha e sobre do que se trata o nosso projeto. Muita gente chega aqui por meio de indicação mesmo a gente divulgando nas redes todo dia. Vocês ajudam demais e agradecemos o esforço nessa nossa luta.
No próximo final de semana iremos contar a vocês sobre as metas estendidas, mostrar novas páginas exclusivas das histórias e novas curiosidades.
Antes mesmo do termo "griô" começar a se difundir no Brasil, os griôs eram conhecidos como guardiões dos saberes populares. Porém durante muito tempo diversas práticas destes mestres, como espiritualidade e medicina popular, mesmo apresentando um papel fundamental no funcionamento da estrutura de nossa sociedade, desde os tempos da invasão colonial, foram excluídas socialmente, mal vistas e marginalizadas.
A invasão e colonização do Brasil criou um trauma social muito grande em seu povo. Durante o processo colonial, quando violências foram cometidas contra os indígenas e posteriormente contra africanos, com a imposição de costumes religiosos e práticas culturais, muita informação, conhecimento e sabedoria foram perdidos ou calados. Tentaram enterrar a sabedoria ancestral dos povos que formaram o Brasil. Impondo uma cultura de escrita como única fonte e forma de saber a medida que invalidou o poder de conhecimento de toda cultura oral.
A nossa verdadeira história não foi contada nos livros nas escolas. A verdadeira história foi passada de boca a boca, de geração para geração entre senzalas, praças, plantações de cana, minas de ouro, entre cais e portos. A verdadeira história foi contada através de metáforas e floreios de linguagem em canções de trabalho ou cantigas de ninar. Nas noites em que a fogueira ardia nas celebrações do jongo, as palavras secretas eram pronunciadas, entre mandingas e danças, entre o cheiro de plantas e raízes de cura.
É necessário também frisar e ressaltar aqui a importância da influência dos indígenas na criação da figura do griô brasileiro. Eram os indígenas quem mais tinham conhecimento dos segredos de nossa geografia e ambiente nos tempos da invasão colonial. Foi deles que herdamos instrumentos musicais, comida, lendas e mitos. Foi dessa mistura que nasceu nosso jeito lindo de falar as palavras. (Foto: Cacica Maiá, griô indígena baiana)
Os griots e os aspirantes estão criando e restaurando a humanidade do povo negro a partir dos mitos, contos, fábulas, das histórias. Vários aspectos são tratados de forma com que adultos e crianças se enxerguem, se sintam representados e encontrem alívio ou força. Eles são mediadores da sociedade e utilizam a palavra como principal instrumento. Os griot resolvem conflitos e levam a calma, são músicos, poetas, atores.
Nos tempos atuais, é possível estabelecermos uma aproximação entre o griot do passado e griot da atualidade, à exemplo de artistas negros que utilizam de várias formas de expressões contemporânea (canto, dança, performances, instrumentos musicais) e atuam como agentes responsáveis pela transmissão e preservação da história. Sejam essas histórias resgate da história africana no Brasil ou reafirmação e resistência do cotidiano da comunidade negra em nosso país. Através de suas letras, melodias e performances, possibilitam uma reflexão sobre questões importantes de identidade étnico-racial, sobre a negação do direito de reivindicar a própria identidade negra e o silenciamento vivenciado que exclui e coloca à margem a população negra.
No Brasil, o entendimento do conceito de "griô" vem se reinventando e faz-se necessário conhecer, reconhecer esses mestres que levam a tradição da oralidade e cultura popular nos mais variados locais. São Rezadeiras, parteiras, raizeiros, bonequeiros, contadores de histórias, repentistas, curandeiros, erveiros, sambadeiras, benzedeiras, músicos, dançarinas, mestres e mestras da capoeira, marisqueiras. Que promovem a lembrança dos aspectos apagados do passado e abrem espaços de resistência.
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Este post é exclusivo para quem apoia Contos de Griô.
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