Tenho pensado na crueldade com que exigimos que as coisas cicatrizem.
Existe um tempo socialmente aceitável para a dor. Um período em que sofrer ainda desperta cuidado, em que a ferida justifica o recolhimento e a fragilidade encontra alguma permissão para existir. Depois disso, espera-se que a pele feche. Que o assunto deixe de aparecer nas conversas. Que sejamos capazes de olhar para aquilo que nos aconteceu e, com alguma dignidade, encontrar um aprendizado.
Talvez tenhamos transformado a cura em mais uma exigência de desempenho.

