Durante muitos anos, passei por situações que me fizeram questionar minhas escolhas, mas quase sempre encontrei uma maneira de seguir em frente sem realmente parar para entender o que estava acontecendo comigo.
Até que, aos 29 anos, algumas coisas começaram a mudar. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento de mais de seis anos.
Foi uma das fases mais importantes da minha vida. Vivemos coisas maravilhosas, crescemos e construímos muitas memórias que guardo com carinho. Mas também foi um relacionamento que, em muitos momentos, se tornou tóxico para nós. Reconhecer isso não apaga tudo de bom que vivemos. Da mesma forma, as coisas boas não anulam as dificuldades que enfrentamos.
Depois do término, passei um período na China.
Naquela época, havia três coisas que eu desejava muito: paz, tranquilidade e prosperidade. Não estava necessariamente buscando uma nova carreira, outro relacionamento ou uma grande mudança de vida. Queria me sentir bem comigo mesma.
Algum tempo depois, participei de um retiro que me fez olhar com mais atenção para questões que eu vinha carregando havia anos.
Comecei a me perguntar se estava realmente vivendo de acordo com os meus princípios e valores. Se o trabalho que fazia era algo que amava ou se o mantinha principalmente pela segurança financeira. Se as minhas escolhas refletiam a pessoa que eu era ou aquela que tinha aprendido que deveria ser. E percebi que, apesar de ter vivido tantas experiências, ainda havia muitas coisas sobre mim que eu não compreendia. Foi nesse período que comecei a escrever.
Não pensei em criar um livro. Não pensei em compartilhar minha história ou desenvolver um diário.
Eu escrevia porque precisava. Precisava organizar meus pensamentos, entender o que sentia, reconhecer padrões e encontrar uma maneira de lidar com coisas que havia deixado de lado por muito tempo. A escrita se tornou um espaço onde eu podia ser completamente sincera comigo mesma. Sem precisar justificar minhas escolhas ou encontrar uma solução imediata para tudo.
Aos poucos, comecei a perceber algumas mudanças.
Estava mais tranquila. Conseguia reconhecer melhor minhas necessidades, compreender minhas emoções e fazer escolhas com mais consciência. Também comecei a estudar mais sobre felicidade, filosofia e comportamento humano. Fiz cursos de universidades como Harvard e Berkeley e busquei diferentes perspectivas sobre o que significa viver bem.
Uma das coisas que mais me interessou foi compreender que a felicidade não precisa estar associada apenas a momentos de prazer, conquistas ou circunstâncias favoráveis. Ela também pode estar relacionada à maneira como vivemos, aos nossos valores, às relações que cultivamos e ao sentido que encontramos nas nossas escolhas.
Isso mudou bastante a forma como comecei a olhar para a minha própria vida.
Não deixei de ter dificuldades e nem encontrei uma resposta para tudo. Mas comecei a encontrar uma tranquilidade que, durante muito tempo, procurei em lugares e situações externas. E, quando percebi o quanto escrever e fazer perguntas a mim mesma tinha me ajudado, comecei a pensar em como poderia compartilhar essa experiência.
Foi assim que nasceu a ideia do Encontre seu Rumo.
Primeiro, escrevi para cuidar de mim. Depois, decidi transformar essa experiência em algo que pudesse ajudar outras pessoas também.




Seja o primeiro a comentar
Faça o login para comentar.
Entrar