Medo
Hoje vamos nos encontrar com duas novas mãos que virão escrever a quatro mãos comigo, são as de nossa companheira de projeto Almerita. O tema ela escolheu porque estava com medo de publicar o que escreve. Como ela já venceu muitos medos em sua vida, venceu mais esse e esperamos que seja apenas o início de sua construção literária.
O medo é uma emoção que dispara e se mistura a um sentimento que pode nos paralisar, mas também nos desafiar. Antes de tudo é sempre bom lembrar que essa emoção primária é fundamental enquanto alerta que surge diante de ameaças reais para garantir a nossa sobrevivência. - Quem tem medo de cobra pode evitar de ser picado por uma delas -.
Quando surge medo misturado com desejo de vencê-lo os nossos pensamentos ficam ainda mais bagunçados, ficamos divididos entre o medo e o desejo, nos sentimos perdidos, sem condições de tomar atitudes e direções.
Me conte: hoje, o que lhe causa MEDO?
Seu medo é de agir saindo da caixinha que você foi colocado(a), medo de julgamentos, de fracassar, de errar, de acertar, medo de tirar a máscara, de se despir sem olhar para os olhares, de ser você na sua melhor versão!
Medo de gargalhar, chorar, opinar, tirar a cangalha que lhe foi colocada, medo de remover as vendas dos olhos, de olhar para se mesmo, de perceber o seu brilho e pensar: eu não sou noite sem lua eu sou o sol para onde os girassóis viram!
Todos nós temos sentimento de medo, faz parte de sermos humanos, está presente em inúmeras situações, diante do medo algo pequeno pode parecer imenso e talvez por isso não tenhamos forças o suficiente para dar continuidade a sonhos e projetos. Sentimos também o medo da culpa que pode aparecer ao vencermos algum de nossos medos, daí fica ainda mais pesado para dar o primeiro passo que possa nos levar a realizações de nossos sonhos.
Um medo real é aquele que se baseia em fatos e dados, em números, estatísticas e vamos escolher aqui hoje um dado alarmante que vem aumentando mais e mais em nossos dias que é o feminicídio. O feminicídio acontece não somente quando uma mulher tem sua vida ceifada, a vida de uma mulher é roubada desde onde nasce o feminicídio, quando das repetições de agressões verbais, pressões psicológicas, abusos físicos que vão construindo o medo no decorrer de tais situações que provocam adoecimento no corpo e na alma e vidas são tiradas mesmo permanecendo vivas, uma espécie de suicídio lento, de tortura, que de imediato vão paulatinamente causando danos irreparáveis e aumentando o medo que paralisa, talvez aí possamos começar a entender o porquê do absurdo do feminicídio como uma construção gradativa que se apoia num medo gradativo e crescente. De tanto medo acontece a desgraça maior.
Como enfrentar um medo desses que constrói a morte? Enfrentando as suas origens que estão no patriarcado que carrega consigo o sexismo, o machismo, a misoginia e a heteronormatividade. É fundamental lutarmos contra as origens de nossos medos ao invés de ficarmos nos posicionando no caso a caso, é preciso conhecer nosso medo, suas origens, para combatê-lo.
Medo nos distrai, nos levando a pensamentos que nos faz desistir de ir mais longe, mas também o medo é um sentimento que nos freia para que algo pior não nos aconteça. O medo afeta a todos nós, pode ser real ou imaginário, pode servir de cuidado diante do perigo, como pode causar ansiedade, pânico e até nos paralisar diante da realidade.
“Dedicamos a crônica de hoje à coragem de escrever.”

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