Algumas das lembranças mais antigas que temos não chegam inteiras.
Às vezes, lembramos de um corredor. Do tecido de uma cortina. De uma porta que permanecia fechada. Da maneira como alguém colocava os pratos sobre a mesa. De uma frase ouvida de outro cômodo e que, por alguma razão, decidiu permanecer conosco.
A infância parece guardar as coisas assim.
Durante muito tempo pensei na memória como uma espécie de arquivo: um lugar onde depositamos aquilo que vivemos. Louise Bourgeois me fez imaginá-la de outra maneira.

