Por aqui vamos continuar contando sobre nosso processo de edição do maravilhoso livro de Esfir Chub, Minha vida é o cinema: em plano aberto que verdadeiramente, traz joias raras para os pesquisadores e admiradores do cinema, do cinema soviético, mas também para a História Social e Política.
Há um trecho incrível em que a cineasta narra o encontro de uma foto encantadora e que, na certa, muitos de vocês já viram circulando por aí: a imagem de Lênin com um gato no colo em que se espelha a inequívoca ternura do líder bolchevique pelo bichano.
No livro, Chub vai contando como foi difícil buscar e encontrar documentos fílmicos do período imperial, mas também da Revolução de Outubro, para fazer seu filme O grande caminho (1927) que era, justamente para as celebrações dos dez primeiros anos dessa revolução. Diz ela:
“O exame desse material identificou um achado valiosíssimo: um negativo desconhecido de uma filmagem de V. I. Lênin, filmado em primeiro plano com um gato no colo (fragmentos mostrados pela primeira vez em O grande caminho).“
Acredito que nenhum de vocês sabia que essa “fotografia” quase esteve perdida e foi recuperada justamente devido aos esforços de Chub, a grande maga da mesa de montagem e grande diretora do período revolucionário.
Este relato da cineasta está no artigo “O primeiro trabalho”, publicado na revista Soviétski Ekrán (Moscou, 1928, n. 51). Chub narra as dificuldades de buscar e selecionar rolos e mais rolos de filmes dispersos pelo mundo, a dificuldade de recuperá-los e o que isso significa para a documentação histórica da URSS, de Lênin e da história política e social.
O artigo, publicado na revista Soviétski Ekrán (Moscou, 1928, n. 51), está incluído no livro Minha vida é o cinema: em plano aberto. Traduzido do russo para o português por Luis Felipe Labaki. São Paulo: Kinoruss, no prelo.





🌟 Destaque inédito no mundo:
Originalmente, o livro autobiográfico de Chub, Minha vida é o cinema, foi publicado na União Soviética em 1959 (com projeto gráfico de Varvára Stepánova) e em 1972, em edição ampliada, com artigos, roteiros e cartas da cineasta. Depois disso, praticamente desapareceu, e nunca foi traduzido para nenhuma outra língua.
📘 Além disso, nessa campanha temos recompensas incríveis, além do livro que será publicado. Uma delas é uma versão fac-similar da revista Tela Soviética (Soviétskii Ékran) e outra é o livro Mulheres de cinema, organizado por Karla Holanda (@karla.holanda1), editado pela Numa Editora (@numaeditora).

