Imagine que você está dirigindo um carro, tentando encontrar o caminho para um lugar onde nunca esteve.
O som está muito alto. Você não consegue ouvir direito as instruções do GPS, está tentando prestar atenção nas placas e, ao mesmo tempo, precisa decidir em qual rua entrar.
O que você faria?
Provavelmente abaixaria o volume ou desligaria o som por alguns minutos, até entender para onde precisa ir.
É uma reação quase automática. Agora pense na nossa vida.
Quantas vezes tentamos tomar decisões importantes enquanto estamos cercadas de barulho?
Trabalho, responsabilidades, família, relacionamentos, mensagens, redes sociais, notícias, opiniões de outras pessoas. Estamos continuamente recebendo informações sobre como devemos viver, o que precisamos conquistar, como devemos nos sentir e até em que momento deveríamos alcançar determinadas coisas.
E, no meio de tudo isso, ainda precisamos encontrar tempo para entender o que nós mesmas queremos.
Durante muito tempo, minha vida foi assim.
Eu estava sempre fazendo alguma coisa. Trabalhando, estudando, aprendendo um idioma, planejando uma viagem, pensando no próximo passo. E, quando finalmente tinha um momento livre, quase sempre encontrava alguma coisa para ocupar aquele espaço.
Não significa que eu não gostasse do que fazia. Gostava de muitas dessas coisas. Mas percebi que estar constantemente ocupada também me impedia de prestar atenção em algumas perguntas que eu vinha evitando.
Às vezes, estamos tão acostumadas com o barulho que nem percebemos o quanto ele interfere nas nossas escolhas.
E silenciar não significa necessariamente abandonar o trabalho, deixar de usar as redes sociais ou se afastar das pessoas. Pode ser algo muito mais simples.
Passar algum tempo sem o telefone. Fazer uma caminhada sem ouvir nada. Escrever o que estamos sentindo. Ou simplesmente ficar alguns minutos sozinhas, sem tentar preencher imediatamente o silêncio.
No começo, pode até ser desconfortável.
Porque, quando o barulho diminui, começamos a ouvir pensamentos e sentimentos para os quais talvez não estivéssemos dando atenção.
E foi pensando nisso que desenvolvi as atividades e os desafios do Diário de Autoconhecimento.
Durante 30 dias, o diário convida você a reservar um pequeno momento para si mesma, longe das distrações, e olhar com mais atenção para diferentes áreas da sua vida.
São perguntas, exercícios e pequenos desafios que ajudam a organizar os pensamentos, reconhecer emoções, compreender o que realmente importa e começar a colocar essas descobertas em prática.
Tudo de maneira leve, sem a pressão de encontrar respostas para todas as perguntas ou resolver a vida inteira de uma vez.
Porque nem sempre precisamos fazer uma grande mudança para começar a nos sentir melhor. Às vezes, precisamos apenas de um pouco de espaço para nos ouvir.
Afinal, como vamos descobrir a direção que queremos seguir se nunca conseguimos ouvir a nossa própria voz?




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