Esse artigo conta um pouco da história do livro. No substack. Aproveita e segue lá minha news: Quimera.

Semionautas começou em 2005, quando conheci a Semiótica e entendi que realidade não é apenas o que afeta os sentidos, mas sim algo que se interpreta. Qualidade, conflito e generalização deixaram de ser conceitos acadêmicos e passaram a ser lentes pelas quais vejo o mundo, até hoje.
Aquilo marcou.
Dois anos depois, essa lente ganhou profundidade, os signos deixaram de ser teoria e passaram a ser experiência. A ideia de que tudo é mediação, tudo é relação, tudo é processo passou a fazer parte de minha vida enquanto criativo, trabalhando como designer.

Em 2010 escrevi um conto chamado Além do Quadro. A pergunta era simples: e se alguém pudesse entrar em uma pintura? Um acesso ao signo em seu estado puro. Era simbólico demais, talvez. Mas ali estava o embrião.
Em 2012, comecei a escrever algo maior. O rascunho se chamava Beyonders. Já existiam personagens, já existia conflito, já existia a sensação de que o mundo não era apenas cenário, mas um sistema de leis intrincadas nas quais se escolhe acreditar.
Mas ainda não era Semionautas.
O livro que existe hoje nasceu do cruzamento entre ficção e estudo. Semiótica, Psicossíntese, tradições esotéricas, conscienciologia, antroposofia, antropologia, linguística, inscrições rupestres, matemática simbólica, ficção científica, mitologia da ilha de Floripa e de Foz do Iguaçu, minhas duas cidades e uma pitada de fantasia.
O que me movia era a seguinte ideia: e se a realidade fosse um campo simbólico, navegar por ela fosse interpretar? E se cada escolha reorganizasse o próprio real?

Semionautas é o resultado dessas perguntas levadas ao meu referencial nerd, geek, aventureiro e saudosista. Um livro que te leva pelo espaço-tempo da boa aventura e ficção, onde os personagens lutam contra o próprio entendimento do que é real.
Escrever Semionautas foi pegar anos de estudo e transformá-los em narrativa. Permitir que teoria virasse aventura e perguntas antigas encontrassem personagens dispostos a vivê-las. Esse livro é, talvez, o mais íntimo dos meus mundos (até agora). Porque ele parte de uma pira que me acompanha há anos: realidade é mais uma forma de linguagem. E quem aprende a ler esse mapa, pode começar a navegar além dela.
Em Semionautas, signos, escolhas e afetos moldam a realidade, e o tempo não obedece a uma linha única. Uma ficção filosófica sobre consciência, linguagem e o ato de seguir criando sentido mesmo quando tudo parece indeterminado.
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A história está escrita. O universo ainda não.




Este livro saiu do fundo da minha mente com afeto por cada pessoa que decidir apoiá-lo. Semionautas é ficção especulativa filosófica: a Semio-Fi, um gênero que criei cruzando semiótica e ficção especulativa. Três jovens em Florianópolis descobrem que o mundo é feito de signos, e que alguns conseguem navegar por eles. 448 páginas, vinte anos de trabalho. É um universo novo. E prometo: inesquecível.